Um modelo de interrelação entre dimensões econômicas, sociais e epidemiológicas: impactos da Covid-19 na arrecadação de tributos em São Paulo

    Prof. Dr. José Afonso Mazzon
            Vice-diretor da FEAUSP

Um grupo multidisciplinar de professores da USP formado pela FSP, IME, FMRP, FSP e FEA têm desenvolvido diversas modelagens acerca do processo de expansão da Covid-19 no estado de São Paulo e particularmente na cidade de São Paulo. Um desses estudos refere-se ao impacto dessa epidemia na atividade econômica e como consequência na arrecadação de tributos. A USP assinou Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria da Fazenda do município de São Paulo e está finalizando outro com a Secretaria da Fazenda do estado.

Um grupo de trabalho formado pelos professores Fábio Frezatti, José Afonso Mazzon e Maria Dolores Montoya Diaz e o pesquisador Fábio Meletti de Oliveira Barros, levantou dados oficiais junto a diferentes fontes para modelar esse impacto na cidade de São Paulo.

Posteriormente, será feita também a modelagem para o estado de São Paulo. A pandemia alastrou-se de forma significativa no Brasil, sendo o estado de São Paulo o epicentro da doença. Muito já se aprendeu sobre ela, mas também falta muito para controlar a sua expansão e os seus efeitos.

Na área econômica, modelos têm sido construídos para avaliar os impactos principalmente sobre a atividade econômica, sobre o emprego e a renda das famílias.

No presente estudo procurou-se testar um framework teórico avaliando de forma longitudinal as interrelações de indicadores socioeconômicos e epidemiológicos na arrecadação de tributos na cidade de São Paulo (idealmente seria sobre a atividade econômica e desta na arrecadação, mas isso não foi possível pela inexistência de dados desagregados da arrecadação para cada um dos 96 subdistritos de São Paulo).

O framework teórico construído (figura 1) por distrito contempla 45 variáveis agrupadas em sete construtos ou dimensões latentes: estrutura da atividade econômica (atividade econômica per capita e remuneração por setor de atividade), estratificação socioeconômica dos domicílios (decorrente de 39 outras variáveis), características demográficas das famílias (estrutura etária), nível de exposição estrutural (densidade demográfica de moradores, densidade da população flutuante, moradores por domicílio, tipo de moradia etc.), isolamento social (média e desvio-padrão do isolamento por distrito), impactos Covid (casos confirmados por mil habitantes e óbitos por 10 mil habitantes e variação percentual nessas variáveis) e arrecadação (variação na arrecadação). Serão utilizados dados de março a dezembro de 2020 frente ao período base de 2019.

Para a análise dos dados será empregada a técnica de modelagem de equações estruturais.

Os resultados obtidos até o momento sustentam a maioria das hipóteses formuladas e apresentadas na figura a seguir.


Prof. Dr. José Afonso Mazzon
Vice-diretor da FEAUSP


Gente da FEA - junho de 2020

Data do Conteúdo: 
Terça-feira, 16 Junho, 2020

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