PESC destaca a importância de investimentos nas áreas sociais

O Programa de Extensão de Serviços à Comunidade - PESC - tem ajudado a impulsionar cooperativas do terceiro setor sem fins lucrativos e organizações não governamentais desde a sua criação. Tendo surgido em 2001, o PESC procura fazer com que os conhecimentos adquiridos pelos alunos, geralmente nas áreas de estudo da FEAUSP, sejam úteis para causas sociais. Através da criação de projetos, estudantes de diferentes cursos desenvolvem trabalho de equipe e gestão social dentro do programa, e têm prazo de um ano para apresentar resultados. No dia 18 de outubro  de 2017, houve o encerramento dos projetos iniciados em 2016, em um evento que, além de anunciar os melhores trabalhos, trouxe a ex-feana Maure Pessanha, empreendedora da Artemisia Negócios Sociais, para uma conversa em que se destacou a importância de olhar a área social como um foco de investimento.

Mais que benefícios acadêmicos, como os  créditos por atividade de cultura e extensão aos projetos aprovados, o programa proporciona oportunidades únicas aos alunos, que conseguem vivenciar diferentes realidades sociais do país, desenvolvendo uma visão estratégica e empreendedora, para uma melhor e mais efetiva atuação social.

O PESC foi idealizado pela professora Rosa Maria Fischer, que sempre atuou em pesquisa do terceiro setor. Sua origem também se deve à manifestação de alunos para que a FEA tivesse uma atuação social mais efetiva, e , desde o princípio, conta com a participação dos três departamentos da faculdade. Começou pequeno, com apenas um projeto e poucos alunos, mas foi crescendo, e hoje já é um programa consolidado e tradicional, tendo realizado até 2016, 133 projetos junto a instituições não governamentais, contando com o envolvimento de 714 alunos. 

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O Pesc, como um projeto de extensão ligado à Diretoria da FEAUSP, é gerido por professores e alunos. Atualmente é coordenado pelos professores Carlos Alberto Pereira (Contabilidade), Guilherme Shiraishi (Administração) e David Turchick (Economia), responsáveis por definir as diretrizes gerais do programa e acompanhar seu processo durante  o ano. Cabe a eles também, avaliar e aprovar os projetos, além de ranquear o melhor trabalho da edição, função que exige bagagem e análise mais detalhada. 

Os projetos desenvolvidos pelo programa apesar de serem bem livres para os alunos criarem soluções novas, exigem requisitos básicos: (1) apresentar impacto social, de preferência mensurável; (2) ter foco em um problema determinado, pois mesmo as organizações precisando de auxílio em vários aspectos, o projeto precisa se ater a apenas um; (3) precisa de resultados concretos, apesar de os alunos da FEA serem excelentes em desenvolvimento de planejamentos estratégico, a necessidade de resultados palpáveis estimula os grupos a fazerem com que os projetos saiam do papel, não fiquem só no plano das ideias; e, por último, mas não menos importante, (4) o projeto não deve ser assistencialista. 

Sobre esse último ponto, o professor Carlos Alberto destaca que “o projeto tem que ter começo, meio e fim, e, no término, a organização (ONG ou empresa escolhida) precisa estar capacitada a continuar com ele sozinha”. O professor Guilherme Shiraishi acrescenta: “temos que evitar filantropia e trabalhar em dois eixos: economia participativa e movimentos sociais. Quem é o ator de transformação não são os alunos, é a própria comunidade, por isso é preciso dar poder para que ela resolva seus próprios problemas. A ideia do PESC é justamente a de ensinar a pescar”.

A presença dos professores preserva o programa como algo institucional da FEA, mas atualmente muitas funções são delegadas a um grupo gestor formado por ex-alunos projetistas (aqueles que já desenvolveram projetos nos anos anteriores). “O projeto amadureceu, os próprios alunos agora estão na gestão, que por muitos anos foi totalmente centrada na coordenação. Poder fazer parte da coordenação é uma experiência nova e enriquecedora para eles”, afirma professor Carlos Alberto. 

Edson Baccaro, ex-projetista e atual aluno coordenador do grupo gestor, define seu papel como um trabalho de acompanhamento dos projetos, “mas o maior objetivo é prezar pelo PESC em si, tentar fazer o programa mais atrativo para os alunos, mais impactante na questão de gestão para o terceiro setor”. Após completarem seus projetos, os alunos podem continuar no programa como monitores. Nessa função eles são responsáveis por acompanhar o dia a dia dos grupos, orientando e usando sua experiência para auxiliar os novos projetos. Outro papel importante fica a cargo dos alunos de pós-graduação, que agem como tutores, indicando bibliografia, ajudando a definir metodologia de trabalho, e fazendo críticas e sugestões quanto ao andamento do projeto. 

Encerramento da edição 2016-2017 do Pesc
A ex-feana e empreendedora Maure Pessanha contou sua experiência com negócios sociais na cerimônia de encerramento do PESC. À frente da Artemisia, uma das mais importantes organizações focadas em empreendedorismo social no Brasil há mais de 10 anos, ela comenta que os desafios, a excelência e o impacto à sociedade sempre guiaram sua caminhada. “Acelerando”, ou seja, oferecendo auxílio na gestão do negócio e ajudando a criar novos modelos de impacto, a organização também promove cursos e eventos que focam na criação de uma nova geração de empreendedores. As empresas que colocam intencionalmente a área social como um objetivo a ser perseguido pelo negócio, podem ser aceleradas pela Artemisia, e a tendência é que esses negócios só cresçam no país. 

Maure também chama a atenção para a questão dos salários na área social. Geralmente taxados como mais baixos que em outros no ramo da administração, ela afirma que isso é passado e que é cada vez maior o número de pessoas com formação de excelência visando a área. Muitos profissionais estão trocando suas áreas pela social, que além do lucro oferece recompensas de cunho humanitário. Na Artemisia, por exemplo, Maure Pessanha afirma que os salários são apenas 10% abaixo do valor de mercado e que há uma fila de interessados em trabalhar na organização. 

O projeto vencedor da edição 2016-2017 foi o aplicado na ONG Canto Cidadão. A ONG tinha um projeto de montar um curso pré-vestibular, destinado aos estudantes de escolas públicas, e o grupo do PESC formado pelos alunos Fernando Marques, Lia Cabrera, Renata Rodrigues e Victor Porto, resolveu colocá-lo em prática. Eles implementaram aulas de português e matemática e angariaram voluntários, alunos de escolas públicas interessados em participar, e que permanecessem no curso apesar das dificuldades. O grupo conseguiu uma parceira com o Descomplica (site de educação que fornece aulas gravadas sobre vários temas abordados nos vestibulares), que forneceu o material gratuitamente aos estudantes. Fernando, considerado uma voz de liderança dentro do grupo, ressaltou que o apoio da ONG, com destaque para o diretor Felipe Mello, e o trabalho em equipe foi essencial para o sucesso do projeto. 

A edição 2017-2018 do Pesc já está em andamento e soluções inovadoras estão sendo postas para organizações do terceiro setor. A cada ano o investimento nas áreas sociais se mostra mais relevante.

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 6 Dezembro, 2017

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