Para pluralizar o debate político, EPEP chega à FEAUSP

João Mello

 

Nascida na Fundação Getúlio Vargas, a EPEP (Estudos de Política em Pauta) chega à FEA buscando falar de política com um olhar plural e romper com tabus e polarizações desse tipo de discussão dentro da universidade. Ao trazer nomes diversos de ideologias diferentes, a nova entidade feana quer mostrar que existem possibilidades de carreira diferentes daquelas do mercado financeiro, mas atreladas ao universo político. 

 

Felipe Bailez, presidente da EPEP na FEA, conta como teve contato com a entidade pela primeira vez quando assistiu a uma mentoria com o deputado Marcelo Freixo (PSOL) no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele conheceu o fundador da EPEP, Eduardo Junqueira, da FGV, e eles passaram a manter um diálogo que resultaria na decisão de trazer a iniciativa para a FEA. Depois de passarem por uma capacitação e mantendo comunicação constante com membros da FGV, no final do ano passado já havia uma equipe de pensamento político heterogêneo pronta para realizar atividades na FEA.

           

Os objetivos da EPEP são pensar o Brasil, formar lideranças e disseminar conhecimento. A partir desses preceitos, pretende-se realizar debates com figuras relevantes da política que tenham pensamentos diversos e colocar os estudantes em contato com essa experiência, de modo a fortalecer uma cultura fundada no debate civil, plural e democrático. Bailez conta que debater política, entre os alunos da FEA, muitas vezes é visto como "tabu", porque as pessoas se fecham em bolhas que mantêm ideias parecidas com as suas. "A gente vai ficar quatro anos no curso de economia sem conversar sobre política de forma civilizada?"

           

Felipe comenta que várias políticas públicas saem da FEA, que é uma instituição observada por outras faculdades de negócios e seus professores são ouvidos por governos e pela mídia. Nesse sentido, seria essencial trazer o debate político para dentro da Faculdade, porque os alunos da FEA seriam um reflexo disso, aprendendo com esses professores e com o que a instituição representa. "Se não há espaço para discutirmos tudo dentro da universidade, quando nós, estudantes, formarmo-nos, não teremos consciência do que predicamos, porque não houve uma passagem dentro da universidade para refinar nossas ideias", aponta Felipe Bailez. 

           

A ideia é colocar as pessoas em contato com ideias diferentes das suas, não necessariamente para que elas mudem de opinião, mas para fortalecer argumentos. Bailez comenta: "A gente está dentro da universidade para se especializar, é bom confrontar ideias porque chegamos com visões diferentes, se nos isolarmos em bolhas onde cada um pensa igual não conseguiremos ser melhores".

 

A EPEP, ainda, pretende revelar uma gama de possibilidades de carreira dentro da política. Essas alternativas viriam de parcerias com institutos e empresas que podem mostrar aos alunos da FEA caminhos de carreira como o trabalho em campanhas eleitorais, assessoria parlamentar, consultoria política e análise de dados. Os membros da EPEP poderão se candidatar a cargos públicos no futuro, mas a entidade não quer funcionar como um "trampolim político". 

 

Antes da pandemia, a EPEP já havia feito programações para realizar eventos com nomes como Christian Lohbauer (candidato à vice-presidente de João Amoêdo, do NOVO), Eduardo Suplicy (vereador em São Paulo pelo PT) e Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente do Brasil, do PSDB). Para o futuro, Felipe diz que se pode esperar artigos opinativos mesas de debate com políticos de toda gama e todos os partidos possíveis, em cargos eleitos ou não, prefeitos, sociólogos, professores da FEA, pessoas da ciência, ex-presidentes e até figuras internacionais. Para saber mais e acompanhar eventos futuros da entidade, acesse a página da EPEP no Facebook ou o site oficial.

 

 

Data do Conteúdo: 
Domingo, 16 Agosto, 2020

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