Nossos articulistas contribuem para o debate público

Formar a opinião pública e despertar a criticidade dos leitores. Essas são duas das funções dos articulistas da grande imprensa. Entre eles, encontram-se os professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, contribuindo para uma leitura e interpretação dos fatos embasada em estudos e pesquisas, além de oferecer diferentes olhares e ideias sobre os rumos da política, mercado e economia do país. 

Seja em jornais impressos, revistas, televisão ou internet, os professores da FEAUSP se fazem presente no debate público. Laura Carvalho escreve, desde 2015, para uma coluna semanal na editoria de Mercado do jornal Folha de S. Paulo. Delfim Netto, professor emérito da faculdade, escreve toda terça-feira sobre economia brasileira para o Valor Econômico, que também conta com artigos dos professores Carlos Luque e Simão Silber, além de Naercio Menezes Filho. 

Roberto Macedo, por sua vez, escreve duas vezes por mês para O Estado de S. Paulo, na página 2, jornal que também conta com artigos de José Pastore na editoria de Economia e de Marisa Eboli, que escreve sobre carreiras no blog Radar do Emprego do Caderno de Empregos & Carreiras. Muitos professores, como Hélio Zylberstajn e Paulo Feldmann ainda concedem entrevistas e escrevem artigos assinados para os veículos jornalísticos. 

Além de ensino e pesquisa, os docentes da USP têm também como missão a extensão, ou seja, levar as pesquisas e conhecimentos fomentados na Universidade à sociedade. Uma dessas formas, segundo Simão Silber, é participar do debate nacional, discutindo os problemas do Brasil e apresentando as soluções possíveis. “Historicamente, os estudiosos participam ativamente das discussões sobre os rumos do país, buscando a melhoria do padrão de vida da população”, afirma. 

Naercio Menezes Filho acredita que a presença de professores na grande imprensa é uma forma de aproximar as pessoas do mundo acadêmico e de contribuir para a formulação e implantação de políticas públicas: “Acho bastante importante o acadêmico interagir com a sociedade e tentar influenciar as políticas públicas que são formuladas em várias áreas, mesmo que a influência seja pequena. Afinal, nosso objetivo último com a pesquisa é tentar mudar o país para melhor”. 

De acordo com Paulo Feldmann, por ser uma universidade pública, a USP tem como dever prestar um serviço à população como forma de retribuição. “Nós, como professores, temos a obrigação de nos expormos à mídia porque felizmente somos uma universidade pública onde podemos ter nossas ideias. Precisamos dar satisfação, mostrar o que estamos fazendo e o que pensamos”. Além disso, a exposição na mídia é benéfica tanto para a FEA quanto para os professores, porque a visibilidade traz reconhecimento pessoal e profissional. As participações na mídia podem ser, inclusive, acrescentadas ao currículo dos docentes, repercutindo em suas carreiras. A visibilidade também costuma ampliar convites para trabalhos, eventos e palestras. Roberto Macedo, que escreve há 25 anos para o Estadão, também ressalta a atividade como um estímulo ao intelecto e para que se mantenha atualizado. 

Atualmente, o Brasil vive um momento de agitação política e econômica. É nessas horas que os veículos mais procuram especialistas para articulação, seja através de artigos ou entrevistas. Para Silber, a participação na grande mídia é importante para instigar o debate: “É necessário partir para debates mais amplos, porque isso mexe com a vida de todos, então a participação do economista é muito proativa. É nessa discussão que você tenta influenciar o governo ou as empresas para seguir um determinado caminho”. 

Hélio Zylberstajn também considera fundamental a presença do meio acadêmico no debate dos grandes temas nacionais: “Vejo isso como um dos papéis que temos de desempenhar: levar o conhecimento criado e utilizado na academia para o grande público e dar a contribuição da universidade para a informação e o debate”, afirma. 

Em geral, os professores têm autonomia para decidirem os temas de seus artigos. Mas algumas vezes, são chamados para escrever sobre assuntos pré-determinados. O processo de escrita exige momentos de reflexão para desenvolver o assunto da melhor maneira possível. Em entrevistas, destacam-se aquelas concedidas à televisão, já que muitas vezes os professores se deparam com questões inesperadas, que exigem uma maior preparação e organização do pensamento. Segundo Zylberstajn, o fato de tratar, na mídia, os mesmos temas que aborda em classe — em geral, sobre as questões trabalhistas  — aumenta o interesse e a motivação dos alunos: “Os alunos se sentem orgulhosos de ter um professor famoso”, brinca.

Roberto Macedo destaca que a FEA já teve maior destaque na grande mídia. Segundo ele, os docentes estão se dedicando mais à escrita de livros e periódicos acadêmicos, que possuem maior influência no currículo acadêmico do que os artigos escritos para veículos jornalísticos. Ele acredita que os docentes, de forma geral, poderiam publicar mais artigos na grande imprensa e participar mais intensamente de entrevistas, contribuindo com o debate sobre os rumos do país. E ressalta: “Entendo que é uma forma de a universidade prestar serviços à comunidade. explicar ao público as questões econômicas e propor soluções, em particular na esfera das políticas públicas”. 

Gente da FEA - agosto de 2017
Autora: Beatriz de Arruda

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 8 Agosto, 2017

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