Mulheres à frente do CAVC


Três mulheres ocupam os cargos mais relevantes do Centro Acadêmico Visconde de Cairu, na primeira gestão feminina a gerir o CAVC. As alunas Lígia Toneto, Manuella Magalhães e Raíssa Martins - Presidente, Vice e Tesoureira, respectivamente, foram eleitas pela Chapa Aquarela no final do ano passado para o mandato de 2017.

O trio está ciente dos desafios que vêm pela frente e afirma que a bandeira principal é a defesa das cotas raciais. “A gestão anterior conseguiu, depois de muita batalha, uma porcentagem de vagas dedicadas ao Sisu [cotas sociais - vide matéria de capa], mas, além do número não ter sido o ideal, ainda vamos lutar pelas cotas raciais”, diz Lígia.

Durante o ano elas pretendem organizar várias atividades, além das festas e eventos tradicionais. Ainda está no calendário um debate com os candidatos a Reitor, uma vez que é ano de eleição, um ciclo de debates “Brasil do Futuro” e o lançamento do volume 2 d’O Capital, em conjunto com a Editora Boitempo.

Dentre as funções do CAVC, a politização dos espaços é uma das mais importantes, destaca a presidente. De acordo com ela, essa é a finalidade mais evidente, pois  “o CA é o representante político dos estudantes, promove assembleias, rodas de debates e traz pautas importantes para dentro da faculdade”. Com esse intuito que foi criado o perfil no Facebook Observatório da USP, que busca discutir a crise da universidade fazendo uso de uma linguagem mais acessível aos estudantes. “Em meio à greve, decidimos criar uma ponte com o canal de transparência da Reitoria, e publicar os dados mais esmiuçados e mais compreensíveis para o estudante fazer um debate mais sério sobre a crise”, salienta Lígia. 

FEA pra Elas é a outra página gerenciada pelo CAVC. Criada no ano passado por um grupo de alunas que viu a necessidade de lançar um meio que permitisse receber queixas anônimas sobre assédio moral e sexual. “A página tem o propósito de divulgar denúncias em relação a posturas machistas vindas de professores, alunos e funcionários”, explicita Raíssa. A gestão espera obter mais êxito e mais apoio em relação ao tema durante o ano.

O Centro Acadêmico tem orçamento próprio o que lhes dá mais mobilidade na execução das ações e eventos. A principal fonte de renda é o já consolidado CAVC Idiomas, que em 2017 completa 29 anos. “O CAVC Idiomas auxilia os feanos e outros alunos da USP a conseguir o intercâmbio, já que o diploma é válido para todos os programas de intercâmbio da universidade”, explica Raíssa. 

A Vivência administrada pela entidade cumpre um papel importante de integração, como explica Lígia. Para ela, “a vida universitária não se faz só no meio acadêmico e nem de extensão, ela se faz no momento de socialização, de confraternização e no momento de convívio”. A lanchonete do local é a segunda fonte de renda do CAVC.

Há um site de avaliação dos professores, onde o aluno dá notas e faz comentários em relação aos docentes (http://avaliacao.cavc.com.br/). Essa ferramenta existe há anos e também é da competência do Centro Acadêmico.

No escopo das atividades está o tradicional e tão esperado jornal O Visconde, que publica quatro edições ao ano, duas por semestre. Tem uma temática principal e algumas colunas fixas, como a dos professores. A primeira edição do ano está em fase de preparação e aberta a receber colaborações de alunos.

Diante de tantas atividades, Manoella considera que a o grande desafio da gestão é “conseguir expandir ainda mais o debate e se aproximar ainda mais dos alunos” para tornar o CA um canal com espaço para diálogo e conquistar ainda mais a confiança dos estudantes.
 

Gente da FEA - abril de 2017
Autora: Milena Neves Ramos

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 27 Março, 2017

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