João Sayad fala sobre sua trajetória profissional e acadêmica

A exposição aconteceu durante o Ciclo de Palestras "Ex-Feanos Ilustres", organizado pelo CAVC


Por Cleyton Vilarino

Atual Secretário de Estado da Cultura de São Paulo, João Sayad começou a se envolver em política já nos tempos de faculdade. Durante sua exposição como ex-feano Ilustre, o Professor e Secretário de Estado comentou sobre o período em que estudou na FEA, época que foi Diretor Cultural do Centro Acadêmico Visconde de Cairu, em 1965. Hoje, a mesma entidade o trouxe de volta para falar sobre sua trajetória de vida.

O Professou abordou as diferenças entre aqueles anos, quando a Faculdade de Economia ainda se localizava da Rua Doutor Vila Nova, próximo ao Mackenzie, e o período atual. Naquela época a maioria dos professores da FEA não tinha formação em economia. Para superar este tipo de dificuldade, o Professor conta que costumava criar grupos de estudos onde ele e seus amigos liam livros-texto e debatiam sobre o tema abordado. "Na faculdade você aprende a matéria com aula, livros e com os amigos com quem você está estudando" conta o ex-feano, que só com isso já conseguia "atormentar" os professores que não conheciam a leitura feita antes da aula.

Ao final da sua graduação, em 1971, Sayad foi estudar na Universidade de Yale, EUA. "Os EUA é o melhor lugar para estudar pós-graduação" recomendou. Em 1975 o Professor terminava seus estudos no exterior e após o movimento "Diretas Já" foi convidado para ser Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.

Carreira Pública

João Sayad entrou para a carreira pública num período de forte turbulência econômica. Ao assumir o cargo de Secretário da Fazenda do Estado deparou-se com uma dívida pública de difícil amortização conhecida como "Paulistinha". Ela era negociada todos os dias no mercado financeiro e financiada pelo Banespa. "Meu maior medo era de que Banco quebrasse e não conseguíssemos honrar a dívida", revela o Professor que chegou a se deparar com o Palácio dos Bandeirantes sendo invadido por manifestantes. "Perguntei se já tinham chamado a PM. Ninguém tinha feito isso!" conta Sayad em tom de descontração. Naquele dia, ele próprio ligou para PM e solicitou viaturas. "A gente pensa que tem um chefe de polícia lá de prontidão, mas nem sempre é assim." disse contando outros episódios inusitados que enfrentou durante sua carreira pública.

Em 1985, Sayad foi convidado para integrar a equipe econômica do Governo Tancredo Neves, que logo em seguida foi assumido por José Sarney. "Acho que por eu ser acadêmico, tudo o que era a longo prazo e reforma o Tancredo pedia para eu fazer" conta o Professor que trabalhou no Ministério de Planejamento. Naquela época teve fortes divergências com o então Ministro da Fazenda, Francisco Dornelles. "Não concordava com a política dele e não podia ser passivo em relação à ela. Eu propunha soluções" conta. Dentre as soluções propostas esteve o Plano Cruzado, mas que não conseguiu obter sucesso. "O Plano Real é exatamente o Plano Cruzado, o que muda é o tempo de implementação" conta ao comentar os motivos do plano não ter dado certo. Segundo ele, enquanto o Plano Real teve três meses de implementação, o Plano Cruzado foi implementado em apenas um dia.

Durante os anos seguintes da sua carreira o Professor ainda foi Presidente Executivo do Conselho do Banco Inter American Express S.A (1988) , Secretário de Finanças da Cidade de São Paulo (2000), Secretário de Finanças e Administração do Banco Interamericano de Desenvolvimento (2004) e atualmente é Secretário de Cultura do Estado de São Paulo.


Data do Conteúdo: 
terça-feira, 23 Março, 2010

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