Futebol americano: Os desafios do esporte no Brasil

Futebol americano

Um dos esportes mais populares nos Estados Unidos, o futebol americano recentemente tem conquistado um público significativo em todo o mundo. Com o objetivo de discutir sobre o futuro desse esporte no Brasil, a FEA Sport Business organizou, no dia 30/08, o evento “Futebol Americano: dos Estádios da NFL aos Gramados Brasileiros”, com participação de Antony Curti (Comentarista de futebol americano na ESPN), Danilo Muller (Ex-técnico da seleção brasileira e do São Paulo Storm), Fernando Fleury (Diretor de marketing da Confederação Brasileira de Futebol Americano) e Marcelo Cabral (Ex-jogador de diversos times nacionais de Futebol Americano).

Popularização do Esporte

Em termos de popularidade, o futebol americano já é um dos esportes mais assistidos pela TV a cabo no Brasil. Exemplo disso é que o último jogo do Super Bowl (jogo final da temporada da principal liga de futebol americano, a NFL), teve uma audiência semelhante ao final da Champions League (campeonato europeu de futebol). “Hoje em dia, existe um acesso muito maior a esses jogos. Tanto por isso, o jogo está se popularizando cada vez mais”, explicou Antony Curti. Reflexo direto dessa crescente popularização do jogo no Brasil é que hoje já existem 150 times equipados, quando há dez anos não havia nenhum. “Isso se deve em grande parte pela transmissão recente desses jogos na TV a cabo. A audiência cresce todo ano”, acrescentou Danilo Muller.

Além disso, o futebol americano é um jogo com um grande apelo popular. Ele conta com a vantagem de ser um esporte muito plástico, de entretenimento, e também um jogo que desperta a paixão do torcedor. “Essencialmente, o futebol americano é um jogo de disputa de território e as pessoas gostam disso”, disse Antony Curti. Fernando Fleury ainda destacou que a popularização do esporte se deve principalmente ao seu forte apelo com os torcedores, que é semelhante ao futebol, “no Brasil, costumamos gostar dos esportes em que ganhamos campeonatos ou medalhas”.

Dificuldades

Entre as dificuldades enfrentadas pelos times brasileiros para que o esporte cresça ainda mais, Marcelo Cabral destacou que falta uma infraestrutura adequada para que os torcedores possam ir assistir aos jogos. “Precisamos de estádios com infraestrutura para acolher esses torcedores. Uma dificuldade, é que os jogos de futebol americano da NFL são feitos para a TV, e tem muitos intervalos, porque daí você consegue vender mais propagandas, mas isso não funciona para jogos ao vivo no Brasil, porque torna o jogo muito cansativo”, explicou. Outra dificuldade é em se conseguir patrocínio para o esporte no Brasil, “é muito difícil expor no mercado o que é o futebol americano para se conseguir patrocínio para os times. O patrocinador quer saber qual será o retorno e quer ter a maior visibilidade, então nesse ponto competimos com outros esportes, porque precisamos de patrocínio, mas temos pouca visibilidade”, explicou Cabral. Somado a isso, a falta de espaço na TV para a transmissão dos jogos brasileiros também é uma desvantagem, “é uma dificuldade no Brasil de fazer essa venda do esporte para a TV. No entanto, como esportistas, temos que entender que os times têm que se vender sozinhos e a TV é uma consequência”, disse Danilo Muller.

Futebol x Futebol Americano

Questionados se o futebol americano tem potencial para competir com o futebol no Brasil, Antony Curti destacou que não precisa haver essa dicotomia, “Em termos de audiência, o futebol americano já compete com o futebol europeu – tanto que as audiências das finais já foram iguais no ano passado - mas isso não significa que um vai substituir o outro, mesmo porque quem é fã de verdade não vai largar nenhum dos dois”. Danilo Muller ainda destacou que nossa cultura tende a ser monoesportiva e é preciso repensar isso, “eu não vejo necessidade de haver uma dicotomia entre futebol e futebol americano. Acredito que é até positivo aliar as duas marcas”, concluiu.

Matéria: Isabele Dal Maso
Foto: Divulgação

 

Data do Conteúdo: 
Terça-feira, 6 Setembro, 2016

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