Fundos Patrimoniais na FEA: quatro perguntas e um desejo

Algumas perguntas estão surgindo na comunidade FEAna e entendo que precisam de respostas, de esclarecimentos institucionais:

1. Temos dois fundos patrimoniais?

2. Por que temos dois fundos patrimoniais?

3. Para que temos dois fundos?

4. Como vamos conviver?

As respostas são as seguintes:

Primeira pergunta:

Sim. Temos a Fundação Fundo Patrimonial FEA, operacionalmente existente a partir de 2016 e estruturada pela inspiração de Yale e Harvard, e a Associação SempreFEA, constituída pelos doadores dissidentes, em 2020. Por serem dois Fundos pensados na abordagem endowment, daqui para a frente indicaremos como Fundação e Associação.

Segunda pergunta:

A Fundação Fundo Patrimonial FEA foi criada para atender as demandas da Unidade, de forma ampla, trazendo principalmente os egressos para manter o relacionamento numa lógica de longo prazo. Não existe Fundo Patrimonial na modalidade endowment sem doadores e os atuais membros da Associação faziam parte da Fundação até o início deste ano.

Em 2019 os representantes dos doadores manifestaram insatisfações sobre o estatuto e a forma como a Fundação foi constituída e isso explicava a timidez quanto aos novos aportes de recursos. Fizeram exigências em relação às questões estatutárias e todas foram atendidas e aprovadas pelos mesmos doadores que fundaram a Associação. Embora tenham sido atendidos, os doadores entenderam que o modelo adequado não era aquele oferecido pela Fundação e, como dissidentes, formaram a Associação que tem uma lógica alinhada com o mercado.

São dois modelos diferentes. A Fundação nasceu dentro da FEA, com o envolvimento da estrutura formal buscando o apoio dos doadores para obtenção dos recursos e definição de alocação dos mesmos. A Associação nasceu do conjunto de doadores e a participação da estrutura formal da FEA é simbólica numericamente.

Entendemos que as pessoas pensam de forma diferente e têm em mente modelos e objetivos diferentes para os desafios que se apresentam. Respeitamos essas diferenças e atitudes.

Terceira pergunta:

Teremos dois Fundos Patrimoniais para atender diferentes demandas embora com o mesmo discurso de apoio e retribuição à FEA.

A Fundação se propõe a apoiar um leque grande de demandas, inclusive aquelas que esperaríamos apoio do Estado, mas não vão ocorrer. A realidade da escassez provoca reflexão sobre a tradução do que é mais relevante. As outras fontes, e a Associação não será a única fonte que iremos buscar, são mais seletivas e não entendem que devam apoiar de forma tão ampla as nossas necessidades.

A Associação tem muita clareza e assertividade na não substituição do Estado e limita a atuação a apoios qualitativos e de inovação de longo prazo, que são muito importantes, diga-se de passagem. Não questionamos a definição, mas os próximos anos demandarão muita flexibilidade, bom senso e leitura do ambiente para traduzir ações concretas de preservação e aperfeiçoamento da FEA.

Quarta pergunta:

Da parte da Fundação, queremos que os diferentes objetivos possam estar realmente voltados para o benefício da FEA no curto, médio e no longo prazo. Sendo genuíno o discurso, a palavra colaboração deve prevalecer acima de tudo entre os dois Fundos.

Entre a Fundação e a Associação esperamos que o bom senso e respeito prevaleçam, e que possamos ter atividades conjuntas e, quando isso não ocorrer, ao final, a comunidade é soberana para decidir se deve e quem deve apoiar, no curto, médio e longo prazos.

Espero ter esclarecido as quatro questões que têm sido feitas para nós e, caso precisem, não hesitem em me procurar para qualquer esclarecimento adicional.

Em tempo: hoje, a maior demanda de recursos para manutenção da qualidade do ensino na graduação e no pós, é traduzida pela palavra bolsa, algo que deveria ser da responsabilidade do Estado mas que, na Fundação, se tornou uma grande prioridade pelo conjunto de circunstâncias. Não adianta saber que existem recursos se não podem ser utilizados para o que se constitui na grande prioridade da FEA. A comunidade será convidada a participar da campanha DE FEAno para FEAno visando diminuir essa vulnerabilidade, um projeto com governança cuidadosa e transparente. Aguardem!

O título desta mensagem prometeu lidar com quatro perguntas e um desejo. Desejo, num ambiente desafiador e complexo, que a FEA seja cada vez mais forte! Isso é o que nos interessa e motiva a pensar e lutar pelo futuro.

Fábio  Frezatti
Diretor da FEA

 

Data do Conteúdo: 
Terça-feira, 15 Setembro, 2020

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