FEA Professores - O papel da FEA no auge da crise financeira internacional

“A demanda da imprensa aumentou a partir do instante em que aparece a crise sistêmica. O ponto de partida foi o dia 15 de setembro, quando o Lehman Brothers entrou em concordata.”

    DURANTE A FASE MAIS AGUDA DA CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL, ENTRE 19 DE SETEMBRO E 20 DE OUTUBRO, O NERVOSISMO E O PÂNICO ESPALHARAM-SE PELO MUNDO COMO UMA EPIDEMIA. No Brasil, os meios de comunicação mobilizaram todos os seus recursos para explicar, em detalhe, a situação e seus múltiplos efeitos sobre a economia brasileira. Foi um momento importante para a FEA, que pôde aparecer na mídia como fonte confiável, com uma equipe de professores capaz de traduzir para um público mais amplo os complexos problemas do sistema bancário internacional.

    Nesses dias de grande incerteza, nos quais as bolsas desabaram e o crédito sumiu, a média mensal de solicitações de entrevista a professores da FEA, que é de 70, elevou-se para 165, um recorde absoluto. Só pedidos de entrevista sobre a crise financeira foram mais de 70. Um aspecto interessante é que as solicitações sobre outros assuntos de economia, administração e finanças pessoais também aumentaram. 

    Além dos veículos que procuram a FEA regularmente, especializados ou de interesse geral, como as redes nacionais de TV, os principais jornais e revistas do país, os sites de informação e as agências de notícias, a FEA recebeu pedidos de entrevista de publicações impressas, rádios e TVs ligadas a entidades religiosas, emissoras e agências do governo federal, publicações lidas por segmentos mais jovens da população, emissoras e jornais internacionais.

    Alguns professores da FEA foram mais solicitados pela mídia, entre eles Simão Davi Silber, Dante Aldrighi, Fábio Kanczuk, Carlos Eduardo Soares Gonçalves, Manuel Enriquez Garcia, Keyler Carvalho Rocha, Roy Martelanc, Marcio Nakane, Sérgio Buarque de Holanda Filho, Renato Colistete, Roberto Macedo, José Pastore, José Roberto Savoia, Guilherme Dias, Leda Paulani, Maria Cristina Cacciamali, Adriano Biava, Alexsandro Broedel Lopes, Arnaldo Nogueira e Heron do Carmo.

    O professor Simão Silber lembra que “a demanda da imprensa aumentou a partir instante em que aparece a crise sistêmica. O ponto de partida foi o dia 15 de setembro, quando o Lehman Brothers entrou em concordata. Instalou-se o pânico bancário e financeiro. A partir daí travam-se todas as portas. Os Tesouros começam a intervir pesadamente. Esse período durou mais ou menos um mês e meio. Nele nem banco empresta para banco. Aos poucos, começam a surgir sinais de melhora ou normalização. Os juros começam a cair. Obviamente foi um período de Triângulo das Bermudas. Tudo de ruim acontece. As bolsas desmoronam. Até que os governos começam a garantir que não haverá quebra de outros bancos” lembra.

A FEA SE PROJETA NA CRISE

    Simão reconhece que, para os professores da FEA que falaram sobre a crise, o aumento da demanda foi pesado. ”A gente consome um tempo enorme para atender a imprensa. Gastei horas para ir à TV e mesmo aqui para falar com jornalistas. Tem também o lado bom: a FEA se projetou muito nesse evento. O lado duro é o atendimento. A gente precisa atender. É como um ambulatório do INSS, um atendimento de emergência”.

    A opinião fundamentada de professores da FEA foi levada aos quatro cantos do Brasil e até para o exterior, e serviu para reduzir a perplexidade de grande número de pessoas. Alguns veículos perguntaram aos professores as diferenças entre a crise atual e as outras crises que abalaram a economia capitalista, como a de 1929. Outros queriam saber se, como dizia o governo inicialmente, o Brasil ficaria fora da crise. 

    Outros, já convencidos que nenhuma economia conseguiria atravessar imune uma enorme crise como a atual, perguntavam sobre os impactos negativos. Como a crise vai afetar as exportações de commodities, a rodada Doha, a balança comercial e o balanço de pagamentos? E o emprego, como vai evoluir? O que vai acontecer com a indústria automobilística? O agronegócio, a produção de alimentos e o etanol serão atingidos pela crise?

    As TVs, as rádios e os jornais mais populares, sempre mais preocupados com o bolso das pessoas e menos com os indicadores macroeconômicos, perguntavam aos professores sobre as tendências do câmbio, o impacto da crise sobre os fundos de previdência privada, os efeitos da crise sobre a inflação e o que vai acontecer com o mercado imobiliário, além de pedir conselhos sobre ajustes de portfólio que devem ser feitos para reduzir as perdas ou aproveitar oportunidades.

    Houve ainda perguntas sobre os efeitos de uma eventual desaceleração do crescimento da economia sobre as finanças públicas, as medidas tomadas pelo governo para garantir a liquidez e as possibilidades de adoção de uma política fiscal mais rígida.

    Para responder a todas essas pergun¬tas os professores tiveram de dedicar uma parte importante de seu tempo, dividido sempre entre muitos afazeres, como preparar e dar aulas, fazer pesquisas, orientar teses, participar de bancas e seminários ou atender alunos. O tempo dedicado à imprensa, porém, faz parte da extensão, importante pilar do tripé em que se apóia a Universidade. A extensão pode ser vista como um dos principais serviços prestados pela academia à sociedade.

Data do Conteúdo: 
Segunda-feira, 1 Dezembro, 2008

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