Em debate na FEA, Sâmia Bomfim analisa papel atual da esquerda

Por Mateus Dias

 

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) participou do debate promovido no dia 12 de abril pelo EPEP-USP (Estudos de Política em Pauta USP) sobre o atual papel da esquerda no cenario político brasileiro. A entidade estudantil tem por objetivo promover o debate público dentro da universidade. As perguntas foram organizadas pelos estudantes.

 

Formada em Letras pela FFLCH-USP, Sâmia disse acreditar que a esquerda brasileira passa por um processo de renovação e reconfiguração desde o início do governo Bolsonaro. Ela pontuou que a eleição de um deputado conservador para o cargo de presidente da República, após anos da esquerda no poder, não foi um fenômeno ocorrido apenas no Brasil. Segundo ela, tratou-se de uma onda mundial, citando como um dos exemplos emblemáticos a eleição de Donald Trump, em 2016, nos Estados Unidos.  

 

Sobre as renovações e quais devem ser as ações no campo da esquerda, a deputada apontou a importância de estarem conectados com a vontade popular, entender as necessidades do povo e lutar por isso. Ela também afirmou que uma dessas ações é ser consequente no enfrentamento ao bolsonarismo. 

 

Ao analisar as eleções de 2018 e 2020, Sâmia Bomfim reconheceu o enfraquecimento da esquerda no cenário político, mas acredita que a expectativa para 2022 é de mudança novamente, em decorrência dos reflexos da atual administração. A deputada ressaltou que o enfraquecimento é um grande desafio para esquerda no legislativo, onde são minoria.

 

Uma das perguntas respondidas foi sobre a representatividade política, principalmente a feminina e como ela pode ser uma armadilha para a esquerda. Para justificar seu posicionamento, ela recorreu ao aumento do número de mulheres eleitas nas últimas eleições, criticando porém o fato de grande parte delas representarem o bolsonarismo e a política de direita. Apesar de ser feminista, Sâmia disse que, nesse caso, preferiria que homens de esquerda tivessem sido eleitos "do que todas essas mulheres aliadas a Bolsonaro, porque eles defendem o projeto que ela pretende para as mulheres brasileiras". E completou:. “Essas representantes usam da posição de mulher para deturpar as pautas progressistas e feministas". 

 

A deputada federal também comentou sobre a atuação dos partidos de oposição ao governo e suas possíveis alianças. Ela avaliou que ser de oposição não significa votar de forma contrária ao governo, mas sim possuir a capacidade de se articular com a sociedade. Nesse contexto, ela defendeu a unidade de ação fora do campo da esquerda para responder a demandas mais urgentes, mas afirmou que em algumas situações essa união é inconcebível. 

 

Sobre a possível união dentro da própria esquerda, ela defendeu as candidaturas próprias do PSOL nas eleições de 2022, ao invés de "alianças precipitadas com grandes figuras esquerdistas como o Lula". A seu ver, o PT usa a imagem do ex-presidente para se promover, principalmente pela situação econômica brasileira no período Lula, mas ressaltou que discorda de alguns posicionamentos do partido.  


O evento foi transmitido ao vivo pelo YouTube da EPEP-FEAUSP e a gravação está disponível no canal.

 

 

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 21 Abril, 2021

Departamento:

Sugira uma notícia