ECar-USP promove palestra sobre o gênero na indústria digital

Por Breno Queiroz

 

“Hoje temos uma situação absolutamente preocupante. As mulheres atualmente representam 18% dos graduados em cursos de computação. Quando a gente olha na força de trabalho da indústria digital, elas representam só 25%. Esses são dados da ONU, levantados em 2017.”

A fala é da Vice-Presidente de RH da IBM (International Business Machines Corporation), Luciana Camargo. Ela proferiu uma palestra na sexta-feira passada (20/09), no auditório do FEA-5, com o tema: Tecnologia e Diversidade. O convite foi feito pelo ECar (Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP), coordenado pela professora Tania Casado do departamento de Administração da FEA.

Referenciando o livro Unlocking the Clubhouse: Women in Computing (Abrindo o vestiário: Mulheres na Computação, em tradução livre), publicado pela MIT Press, Camargo contou como antes da era do computador pessoal (PC) o trabalho com linguagem computacional e algoritmos era predominantemente feminino. 

Ela citou Ada Lovelace, matemática e escritora inglesa do século XIX, a primeira a publicar o que chamamos hoje de algoritmo. E por isso, muitos a consideram a primeira programadora da história. Em seu trabalho com Charles Babbage, na máquina analítica (precursora do computador), Ada foi pioneira na percepção de que tais máquinas não serviriam apenas para calcular.

Camargo também deu exemplos do século passado, como Grace Hopper, vanguarda na ideia de independência entre linguagem e máquina. Esse princípio levou a invenção do COBOL (Common Business Oriented Language), uma das primeiras linguagens de alta abstração, ou seja, que independe do funcionamento específico de cada máquina. 

“Em 1974, havia 70% de mulheres no curso de computação do IME”, segundo a palestrante. Porém, com a crescente oportunidade de ter um computador em casa, as famílias seguiram a lógica patriarcal e “colocavam o computador no quarto dos filhos homens, dos meninos. E aí, foi um grande incentivo para os meninos jogarem e desenvolverem habilidades estratégicas”, completou.

Enquanto isso, as meninas ficavam encarregadas de se preparar para a reprodução social: “brincar de casinha, se preparar para ter um filho”, explicou Camargo. A revolução produtiva dos computadores então, quando apareceu com as novas oportunidades de emprego informatizados, já contava com uma desigualdade competitiva intrínseca. 

Porém, um argumento crucial para Camargo é que a diversidade na força de trabalho contribui para inovação. E para ilustrar isso, passou no projetor do auditório o TED da estudante do MIT, Joy Buolamwini. Nele, a estudante mostra como alguns algoritmos de reconhecimento facial só conseguem identificar rostos brancos, justamente por conta de seus desenvolvedores não levarem em conta a diversidade nos bancos de dados que treinam o algoritmo.

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 24 Setembro, 2019

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