Biblioteca ganha mais um espaço: o auditório Funcadi

Na semana em que a professora emérita Diva Benevides Pinho completaria 93 anos, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP inaugurou o último ambiente que faltava na Biblioteca da faculdade - o auditório Funcadi, um projeto arrojado que fazia parte do sonho do casal Carlos e Diva Pinho. Antes de falecer, em março de 2016, Diva deixou tudo encaminhado. Infelizmente, não teve tempo de ver o auditório pronto e participar da solenidade de entrega do espaço.

Com 345 metros quadrados, o auditório foi projetado para receber 110 pessoas. A expectativa é que o espaço possa acolher eventos de médio e grande porte, como aulas, defesas e congressos. Sua estrutura lembra as salas de aula estilo “Harvard”, com piso elevado para a plateia e o palco em nível mais baixo. As bancadas são fixas em formato semicircular, acompanhando a cor cinza do carpete. As paredes foram confeccionadas em madeira freijó. O ambiente ganhou um toque de elegância com dois grandes lustres, escolhidos pela própria benemérita.

A ideia do auditório Funcadi surgiu na gestão do diretor Carlos Roberto Azzoni (2006-2010), quando houve a aprovação do projeto do novo prédio da Biblioteca FEAUSP, idealizado pela chefe técnica da Biblioteca naquele período, Dulcinéia Jacomini. Foi na gestão seguinte, do diretor Reinaldo Guerreiro (2010-2014), que o Instituto Funcadi (na época Fundação Carlos e Diva Pinho) assumiu o patrocínio da obra.

Retribuição à USP

O financiamento do auditório Funcadi foi apenas uma das contribuições à FEA do casal de professores Carlos Marques Pinho e Diva Benevides Pinho. Apesar de serem reconhecidos pela dedicação ao ensino e à pesquisa, é o sentimento de retribuição à USP que marcará definitivamente seus nomes nas páginas de memória da faculdade. Em 2011, quando já era viúva, Diva decidiu criar o Funcadi, entidade que visa apoiar financeiramente a FEA, incentivando suas pesquisas e trabalhos acadêmicos. Todos os anos, o instituto fornece bolsas de estudos para os alunos mais necessitados. Este ano, por exemplo, foram concedidas 12 bolsas. 

“Ela (Diva Pinho) conseguiu se eternizar”, disse a professora Lara de Medeiros Brum, presidente do Instituto Funcadi e da Casa de Cultura Carlos e Diva Pinho, espaço localizado no Pacaembu onde são promovidas atividades culturais e onde fica localizado o Instituto. Junto com a inauguração do auditório, no dia 16 de agosto passado, foi aberta a exposição Diva - Conexão Japão, com obras da professora Diva Pinho, que dedicava parte de seu tempo à pintura. Segundo Lara, ela deixou um acervo de 570 quadros, que estão sendo catalogados, juntamente com seus livros.

Ex-vice-reitor da USP, o professor da FEA Hélio Nogueira da Cruz falou em nome do departamento de Economia, do qual Diva foi chefe por oito anos. Ele ressaltou o espírito colaborativo da professora, lembrando que ela foi uma das idealizadoras da Amefea (Associação dos Amigos da FEA), que apoia a formação de alunos com a concessão de bolsas de estudo. “Esse é um exemplo a ser seguido de colaboração e reconhecimento à universidade pública. Hoje são poucos os colaboradores”, admitiu. Ex-diretor da FEA de Ribeirão Preto e ex-aluno de Diva Pinho, o professor Marcos Cortez Campomar afirmou que a docente tinha “a capacidade de aglutinar conhecimento e cativar a admiração de todos”.

O diretor da FEA Fabio Frezatti referiu-se à Biblioteca e ao auditório Funcadi como “uma porta para o conhecimento”.  Elogiou a doação da professora Diva Pinho, afirmando que iniciativas como essa deveriam servir de inspiração para as pessoas. "Isso é olhar o mundo com uma perspectiva social. Nós temos a obrigação de inspirar as pessoas. É para isso que estamos aqui”, disse em direção à plateia. E completou: "O casal não teve filhos, mas escolheu ter herdeiros, que somos nós - a FEA.".

A chefe técnica da Biblioteca, Margarida Maria de Sousa, destacou que a “gratidão” foi uma das maiores virtudes da professora Diva Pinho. Ela citou parte do discurso da docente feito na inauguração da Biblioteca, em 2014: “Tenho uma dívida de gratidão com a USP, pois eu e meu marido fizemos dois cursos gratuitos. Tudo que temos e construímos, devemos à USP. Então, é natural contribuir para que a universidade seja cada vez mais um lugar de excelência, onde se desenvolva a cultura da cooperação”.

Medalha 9 de Julho

O Instituto Funcadi criou em 2013 a Medalha 9 de Julho de 1932, uma honraria concedida a personalidades civis e militares, instituições públicas e privadas, por seus méritos e serviços prestados à cultura, serviços humanitários, trabalhos sociais e à arte. O secretário-geral do Instituto, desembargador Luiz Fernando Salles Rossi, resumiu o escopo da distinção. Na medalha, está reproduzida a obra “9 de Julho de 1932” da professora Diva Pinho.

Durante a inauguração do auditório, o vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desembargador Artur Marques da Silva Filho, fez a entrega da honraria ao ex-diretor da FEA Adalberto Fischmann que, além de amigo pessoal da professora Diva Pinho, apoiou e colaborou de forma significativa para a realização do projeto do auditório.

Foram realizadas homenagens à irmã de Carlos Pinho, Benedita, à secretária do departamento de Economia, Alda Freire de Castro, além de homenagens póstumas ao ex-vice-presidente do Instituto Funcadi, Plínio Rangel Pestana, e ao cardiologista Tsutomu Toma, amigo pessoal de Diva. A cerimônia contou com a presença também da procuradora e atual vice-presidente do Instituto Funcadi, Diva Haidé Benevides de Carvalho, sobrinha da profa. Diva Pinho, e Gil Pinho, sobrinho do prof. Carlos Pinho. 

Gente da FEA - setembro de 2018
Autora: Cacilda Luna

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 24 Agosto, 2018

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