Sipat discute o futuro do trabalho

“Pensando na qualidade para o nosso futuro”. Este foi o tema central da Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho (Sipat), promovido na FEA em outubro passado, pela Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). Foram cinco dias de palestras, com coffee-breaks e sorteios de prêmios aos participantes. “Este evento vem crescendo consideravelmente ano após ano. Seu principal objetivo é trazer informação para dentro do ambiente de trabalho e acrescentar valores para o trabalhador. Mas também é uma ótima oportunidade para o encontro e integração entre os funcionários”, explicou Claudinei Castelani, presidente da Cipa.

A primeira palestra, “Incidência de drogas nas famílias da região do Butantã”, com o Prof. João Becker Lotufo (HU-USP), abordou a descriminalização da maconha e os problemas que o vício de drogas lícitas e ilícitas trazem ao usuário e à sociedade. Médico pediatra no Hospital Universitário, Lotufo destacou a importância de se retardar o contato dos adolescentes tanto com a maconha, como com a bebida e o cigarro: “O problema de se começar com drogas tão cedo é que o cérebro só está totalmente formado aos 21 anos, portanto o risco de desenvolver dependência nessa época é muito maior”, explicou.

A palestra “A Reforma da Previdência e seus impactos: planejando-se para a aposentadoria”, ministrada pelo professor José Roberto Savoia (FEA), no segundo dia de atividades, tratou das mudanças que estão ocorrendo nas regras de aposentadoria. Atualmente, segundo o docente, o Brasil é um ponto fora da curva entre os países que asseguram o direito de aposentadoria aos trabalhadores. “O Brasil tem uma despesa muito grande, embora não tenha tantos idosos. Somado a isso, o tempo de contribuição de um brasileiro é muito curto”, explicou. Em 2015, a média de idade dos brasileiros recém-aposentados foi de 58 anos, uma das mais baixas no mundo. Já no Japão e EUA, as médias foram de 69,1 e 65 anos, respectivamente. “Estamos caminhando para uma reforma, e é necessário que exista um debate maior sobre a questão”, apontou Savoia.

O terceiro dia da Sipat também abordou questões trabalhistas. O professor Hélio Zylberstajn (FEA) falou sobre “Mercado de trabalho e reforma trabalhista: o que vem por aí?”.  No último ano, as questões trabalhistas ganharam grande atenção midiática com as propostas de mudança da legislação. Mas, em um cenário de crise econômica e desemprego, discutir alterações é um assunto espinhoso, ressaltou o docente. “A taxa de desemprego no Brasil hoje é de 12%. O que se espera com a reforma das leis trabalhistas é que o país volte a se tornar competitivo no cenário mundial e que, consequentemente, a economia cresça e empregue mais gente. No Brasil, nós criamos um sistema que aparentemente defende o trabalhador, mas não é muito eficiente. Que sistema queremos construir? Temos que debater melhor essas mudanças porque podem ser mudanças positivas”, justificou.

Bem-estar
A Dra. Edinalva Cruz, psicóloga e psicanalista do HU-USP, falou sobre o tema “Viver bem, saúde, bem-estar e equilíbrio emocional”. Ela destacou a importância de se estabelecer uma rotina regrada para garantir o bem-estar físico, mental e social, criando tempo no dia a dia para realizar atividades relaxantes como meditação e exercícios de respiração. Cruz também salientou a necessidade de se manter um estilo de vida saudável que inclua uma boa alimentação, qualidade de sono, prática de atividades físicas e consultas médicas rotineiras. “Sofremos com stress e com a sobrecarga de tarefas em maior ou menor medida, mas o ponto é observar como lidamos com essas situações no dia a dia”, afirmou.

No último dia da Sipat, o tema discutido foi “Construindo o Futuro com Qualidade”, com o professor Jacques Marcovitch e participação do professor Carlos Antonio Luque. “Passamos por um momento difícil financeiramente, mas tenho absoluta certeza que estamos muito bem representados pelos alunos, professores e funcionários e iremos superar essas dificuldades”, disse Luque. 

Marcovitch explicou que num mundo que passa por constantes transformações, devemos estar preparados para enfrentar um cenário que será muito diferente daqui a apenas 20 ou 30 anos. “O Brasil que conhecemos hoje não será o mesmo daqui a alguns anos. O futuro terá pouco a ver com o que estamos vivendo hoje em termos de emprego, por exemplo. Muitas profissões vão desaparecer, enquanto outras serão criadas. Como nos preparar diante de tantos riscos e incertezas?”

Olhando exemplos de homens que foram pioneiros e que construíram um legado duradouro a partir de situações difíceis, o professor Marcovitch destacou algumas qualidades fundamentais: olhar as adversidades como uma oportunidade de aprendizagem; valorizar o conhecimento do outro; e entender que seu objetivo principal não deve ser a riqueza, que a riqueza é apenas um meio para se alcançar um sonho. 

Por fim, o docente salientou que, apesar de parecer ainda uma realidade muito distante, a FEA também deve começar a se preparar. “A forma de construir um futuro melhor para nós e para nossa Universidade é cada um melhorar no seu pequeno nicho o que estiver ao seu alcance”, disse.

Gente da FEA - fevereiro de 2017
Autora: Isabelle Dal Maso

 

Data do Conteúdo: 
Tuesday, 24 January, 2017

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