Depois de 47 anos, uma aposentadoria mais do que merecida

E lá se foram 52 anos. Desde 1965, o professor Lindolfo Galvão de Albuquerque já poderia ser visto nos corredores da então Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas (FCEA), na rua Dr. Vila Nova. O professor do departamento de Administração e especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, além de aluno de graduação da faculdade, também fez mestrado e doutorado e, desde então, sua vida e a história da FEA se entrelaçam. 

Lindolfo, que se aposentou no final do ano passado, ainda está na ativa como professor sênior. Ele deu início à sua carreira acadêmica logo que se formou, em 1969. O ingresso na docência veio por meio do seu orientador, o professor e ex-diretor da FEA, Ruy Aguiar da Silva Leme, que lhe fez esse convite no dia da formatura, segundo conta o amigo e colega de trabalho, prof. Adalberto Fischmann, atual diretor da FEA.
Paralelamente à atividade docente, Lindolfo trabalhou como consultor de empresas, junto com seus colegas de classe e também docentes, Adalberto Fischmann, Jacques Marcovitch e Eduardo Pinheiro Gondim de Vasconcellos. Os quatro se uniram para fundar a Ecoplan, empresa que operou até 1984.

Na FEA, Lindolfo e Adalberto criaram em 1987 a disciplina Planejamento Estratégico em RH, que perdura até hoje na grade disciplinar do curso de Administração. A disciplina surgiu do intenso trabalho de livre-docência de ambos, e eles a ministravam conjuntamente. “Daí surgiu uma linha de pesquisa, e uma série de orientandos foram frutos desse investimento”, lembra o diretor da FEA. 

Nota máxima da Capes
O professor Lindolfo Albuquerque ficou à frente da Coordenação de Pós-graduação do Departamento de Administração por oito anos e, em sua gestão, muitos feitos importantes podem ser citados. O principal resultado das ações implementadas foi, sem dúvida, içar o Programa de Pós-graduação à nota máxima da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a tão almejada nota 7. 

Uma das ações que contribuíram para esse objetivo foi a criação do Doutorado Interinstitucional em Administração – Dinter, entre a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de Santa Maria e a Universidade Federal do Pampa, ambas do Rio Grande do Sul. O objetivo do Dinter é capacitar e formar docentes para o ensino superior. Como a Capes valoriza projetos de inserção social, essa ação foi fundamental para alcançar a nota máxima.   

Outra medida importante foi a criação do Mestrado Profissional em Empreendedorismo. Segundo o amigo e colega de trabalho, professor Martinho Isnard Ribeiro de Almeida, vice-coordenador de Pós durante a gestão de Lindolfo, “temos a nota 7 graças a ele, que conseguiu trazê-la para FEA e mantê-la até hoje”. O mesmo pensamento é compartilhado pelo professor Adalberto: “Ele criou bases muito sólidas para que tivéssemos a pontuação máxima na Capes”.

Dentre os projetos paralelos que o professor tocou na Fundação Instituto de Administração – FIA, estão a criação do MBA em Recursos Humanos e um programa de Pós-MBA voltado para executivos. Na Fundação, Lindolfo ocupou vários cargos e por último, foi diretor-executivo da instituição.

Durante toda a sua carreira acadêmica, o professor colecionou prêmios, dentre eles muitos sobre desempenho didático e produtividade científica. Ele é um dos professores mais citados na área de estratégia em gestão de pessoas. Tem uma vasta produção científica: publicou livros, capítulos e muitos artigos. Foi membro dos Conselhos Editoriais de diversas revistas científicas, como a Revista de Administração da USP - RAUSP, Revista Latinoamericana de Administración, Revista de Gestão USP – REGE, Revista Gestão & Regionalidade e Revista Humanidades em Diálogo.

O intenso relacionamento do professor Lindolfo com os amigos e colegas de profissão, Adalberto e Martinho, rendeu boas histórias. Quando aluno, Lindolfo foi gestor do restaurante junto com Adalberto dentro do Centro Acadêmico da Faculdade, no antigo endereço da rua Dr. Vila Nova. E a veia empreendedora dos amigos os fez comprar uma grande fazenda de soja, que depois foi vendida rendendo um “bom dinheiro”, segundo Adalberto.  

Outra história curiosa e pitoresca foi narrada por Martinho. Em uma partida de tênis que jogavam contra alunos, e estavam perdendo, um professor se aproximou e disse aos estudantes em tom de brincadeira: “Vocês estão jogando muito com a emoção, é melhor jogarem com a razão. Eles são o coordenador e o vice do programa de Pós-Graduação da FEA”. Aos risos, Martinho conta que, depois disso, eles conseguiram virar o jogo e acabaram vencendo. 

A espontaneidade e a alegria de Lindolfo Galvão de Albuquerque são suas marcas registradas, dentre outros adjetivos citados pelos colegas. O seu perfil conciliador o auxiliou na FEA com seus colegas da mesma linha de pesquisa. Segundo Adalberto, “ele é um polo pacificador e integrador, o que o ajudou a criar um ótimo ambiente de trabalho”. E nas palavras de Martinho: “Lindolfo não é uma pessoa centralizadora e é um professor muito bem avaliado. Uma pena que tenha se aposentado. Mas, como sênior, vai poder continuar nos ajudando na USP”. 

Gente da FEA - Fevereiro 2017
Autora: Milena Neves Ramos

Data do Conteúdo: 
Tuesday, 24 January, 2017

Departamento: