FEA participa do 1º Congresso de Gestão da Amazônia

Por Bruno Carbinatto

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Em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEAUSP) se propôs a pensar nos desafios de uma das mais importantes áreas do Brasil: a Amazônia. O resultado foi o 1º Congresso de Gestão da Amazônia, ocorrido de 29 a 31 de agosto, em Manaus. O evento é um dos desdobramentos do Dinter - Doutorado Interinstitucional, programa da Capes que visa a formação de recursos humanos qualificados para o desenvolvimento socioeconômico-cultural, científico-tecnológico e de inovação. O programa é encabeçado pelo chefe do departamento de Administração da FEA, Moacir de Miranda Oliveira Júnior, e nesta parceria com a UEA já foram formados 22 doutores.

O professor Roberto Sbragia (na foto, ao lado da professora Graziella Comini), ex-chefe do mesmo departamento e um dos idealizadores da parceria, conta que a criação do Congresso é parte de um legado que a FEA deixará na região, já que o evento terá continuidade em 2020, com a organização da UEA. Ele afirma que o objetivo do Congresso foi de suprir a carência de eventos científicos na região, que, por sua vez, é de extrema importância para o país. Ao todo, os três dias de evento contaram com 300 pessoas, três painéis e 56 apresentações orais, além de cursos, sessões temáticas e visitas técnicas.

No curso Governança Ambiental, o professor Jacques Marcovitch (foto abaixo), falou sobre "Tendências mundiais e desafios ambientais: Acordo de Paris e ODS 2030". Além da FEA e da UEA, o Congresso teve a participação de instituições nacionais e internacionais, como a Universidad Catolica del Peru (PUCP), a Universidad EAFI, da Colômbia, e a Universidade de Friburgo, da Alemanha. Também foram contempladas empresas e ONGs da sociedade civil.

Os desafios da Amazônia

Uma área estratégica para o país, a Amazônia também enfrenta desafios no âmbito da gestão. O Polo Industrial de Manaus (PIM), por exemplo, é marcado pela presença da chamada “indústria de duas rodas”, formada principalmente por empresas internacionais, que, segundo o professor Sbragia, “pouco investem em capacitação tecnológica”, tornando a região pouco inovadora. Ao mesmo tempo, os pequenos negócios têm uma certa importância, mas também precisam repensar formas de desenvolvimento.

Além disso, a governança da região é controversa, por envolver muitas instituições, estatais, privadas e civis. Soma-se a isso a necessidade de inovar com sustentabilidade, para preservar a riqueza natural da região e manter um retorno constante, sem destruição de recursos. Manaus, por sua vez, é o principal polo financeiro, corporativo e econômico da região Norte, e o 6º maior PIB do Brasil. Isso torna a área promissora e impulsiona a busca por inovação.

Estando espacialmente longe da Amazônia, a FEA pode ajudar a repensar a região por meio de programas como o Dinter. O professor Sbragia explica que a base do Congresso foi a de Hélice Tríplice de Inovação, que busca congregar três grandes atores da mudança: o governo, a academia e a indústria, todos representados nas discussões promovidas pelo evento. Agora, a perspectiva é que mais pesquisas sobre a região sejam feitas, e que a parceria entre a FEA e a UEA se fortaleça cada vez mais pelo desenvolvimento da região amazônica.

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 19 Setembro, 2018

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