A Coreia tem muito a ensinar

Dinaura Landini

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Gilmar e ReinaldoEm 1950, a Coreia era um dos países mais pobres do mundo. Em 2010, o cenário era bem diferente, pois o PIB nominal per capital já beirava US$ 20 mil nos rankings do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Nessas seis décadas, a Coreia superou as deficiências internas e as condições geográficas, transformou-se e ganhou o mundo. Com uma população de 50 milhões de habitantes (99% alfabetizada) e um PIB de 1 trilhão de dólares.

O papel das políticas industriais e do banco de desenvolvimento no desempenho da Coreia, bem como o potencial de investimento do país no Brasil e no mundo foram analisados no seminário internacional sobre a relação Brasil-Coreia, realizado na FEAUSP, pelo Programa de Estudos Asiáticos - ProÁsia - e pelo Departamento de Administração, no dia 13 de agosto.

O encontro Korean Industrial Policies, Trade and FDI - learning from Successful Experiences reuniu especialistas, pesquisadores e professores coreanos que apresentaram as experiências bem-sucedidas daquele país e atraiu um número expressivo de alunos da FEA e do IRI (Instituto de Relações Internacionais).

Os convidados eram bem próximos da comunidade acadêmica da USP, como Seung Won Jung, doutor em Economia da Younsei University e diretor do Banco KDB do Brasil, que apresentou o trabalho desenvolvido em conjunto com o professor Gilmar Masiero, coordenador do ProÁsia e responsável pela realização do seminário.

O potencial de crescimento das relações comerciais entre a América Latina-Brasil e a Coreia foi analisado por Won Ho Kim, doutor e dean da Universidade do Texas-Austin e professor da Hankuk University para Estudantes Estrangeiros, que também fez questão de fazer referência aos amigos do Brasil. Graduado em Direito pela USP e professor da mesma universidade, Hee Moon Jo destacou, em bom português, os entraves que impedem a expansão dos investimentos coreanos no Brasil.

O seminário apresentou também uma análise da cultura e da história da Coreia feita pela professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Yun Jung Im. As perspectivas de desenvolvimento de acordos de cooperação bilateral nas áreas de educação, ciência e biotecnologia foram destacadas por Cynthia Altoé Vargas Bugané, conselheira do Ministério das Relações Exteriores. O cônsul da Coreia no Brasil, Sang-Shik Park, encerrou o seminário mostrando que a balança comercial alcançou US$ 18,1 bilhões em 2011 e foi cinco vezes maior do que há cinco anos. "O Brasil recebe 30% do investimento coreano direcionado à América Latina", afirmou Park.

Dois anúncios foram feitos durante o encontro: a aprovação da habilitação em letras e literatura coreanas que deverá ser iniciada em 2013 e o site do ProÁsia que já está no ar, cumprindo sua missão de se estabelecer como um fórum nacional direcionado aos desafios existentes na construção de iniciativas entre Brasil e Ásia.

15/08/2012

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