12º Congresso de Controladoria e Contabilidade promove discussão de tendências contábeis na FEA

Rodrigo Dias Gomes

Gert KarremanAssista o vídeo do evento

Nos dias 26 e 27 de julho, sob a coordenação do professor Welington Rocha, do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEAUSP, foi realizada a 12ª edição do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, em paralelo com o 9º Congresso USP de Iniciação Científica em Contablidade. O evento contou com o apoio de parceiros como CNPq, Capes, Fapesp e a Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) e reuniu docentes, alunos de graduação e pós-graduação de todo o Brasil, além de palestrantes convidados do exterior.

Ao todo, o congresso teve 830 participantes, consolidando-se como um dos mais importantes do país na área. "O congresso tem uma grande importância para nós e para toda a USP", destaca o professor Edgard Cornacchione, chefe do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA.

Assim como nas últimas edições, o evento foi dividido em 6 áreas temáticas, e os trabalhos apresentados foram classificados em alguma dessas áreas, de acordo com o foco da pesquisa. Em dois dias de congresso, mais de 150 papers foram apresentados, além da realização de palestras sobre tendências da contabilidade em geral.

Qualidade na formação de profissionais é destaque nas discussões

A área temática número quatro - educação e pesquisa em contabilidade - foi escolhida como pauta central da 12ª edição do congresso, em uma reunião entre os organizadores do evento. "A contabilidade vive grandes desafios em ensino e pesquisa, é preciso olhar o assunto com muita atenção", diz o professor Luiz Nelson de Carvalho, que representou o professor Reinaldo Guerreiro, diretor da FEA, na cerimônia de abertura do congresso.

Na palestra inaugural do evento, o professor Gert Karreman, da Leiden University (Holanda), debateu o tema na apresentação intitulada Global Development in Accountancy Education, e definiu a educação como "tudo que é necessário para o treinamento e qualificação do profissional". Para o professor, esse conceito ultrapassa os limites da universidade e é baseado em pilares como regulamentação da profissão, controle e padrões de qualidade do setor público e privado, além da governança corporativa.

Karreman explicou alguns critérios de avaliados nos índices globais de qualidade de educação em contabilidade, e indicou um crescimento dos países da América Latina na área, com Brasil e México exercendo um papel de destaque. O professor comentou sobre a importância da universidade na integração entre os países. "A USP iniciou uma cooperação com outros países da América Latina, na discussão sobre o desenvolvimento internacional e os benefícios que se pode tirar dele", conclui. No entanto, Karreman afirmou que existem lacunas a serem preenchidas na educação no Brasil.

Em outra apresentação, Edgard Cornacchione discutiu algumas transformações nos modos de ensino atuais, e expôs algumas tendências da educação para os próximos anos. Como destaque, o professor Cornacchione abordou mudanças sociais e a inclusão de métodos não presenciais de estudo, bem como a incorporação de agentes não-biológicos de ensino, sob a forma de inteligência artificial.

Publicação em periódicos é o grande desafio

Apesar do grande número de trabalhos apresentados anualmente no congresso, a taxa de conversão de artigos em publicações conceituadas em pesquisa ainda é baixa. Na edição de 2011, cerca de apenas 20% dos artigos foram publicados em revistas especializadas. "Nosso grande desafio é melhorar o índice de publicação dos trabalhos em periódicos", afirma o professor Welington Rocha.

Em uma discussão sobre a publicação de artigos, o professor João Maurício Boaventura evidenciou alguns problemas recorrentes, que acabam impedindo a publicação em periódicos, entre eles a falta de clareza no objetivo e no conteúdo do trabalho, além de irregularidades com a estrutura básica de um artigo. "Cerca de 70% dos trabalhos se perdem por conta da burocracia genérica das revistas", conta o professor. Para ele, a melhor maneira de superar essa burocracia é observar o estilo do periódico em que deseja publicar e produzir um artigo que não fuja às características da revista.

Outro grande problema é um comportamento antiético na produção de artigos, desde a pesquisa até a conclusão. Casos de plágio, ausência de crédito e fraude na coleta de dados são comuns em trabalhos de pesquisa. Segundo o professor Amaury Rezende, da FEA Riberão Preto, a não-existência de um código de ética acaba comprometendo a inibição de má-conduta na produção acadêmica.

O Brasil possui cerca de 4000 periódicos para a publicação de artigos. Na área contábil, um dos mais conceituados é a Revista de Contabilidade e Finanças da USP (RC&F), coordenada pelo professor Fábio Frezatti. A revista teve um acréscimo no padrão de classificação realizado pela Capes, subindo da categoria B1 para A2 (a 2ª melhor qualificação que um periódico pode receber). "A expectativa é que o congresso nos ajude a ter bons trabalhos publicados na revista", aponta Frezatti. Segundo ele, a iniciativa de publicação parte, primeiramente, dos autores de trabalhos. Os artigos passam, ainda, por um processo de avaliação antes de uma eventual publicação.

Entrevista com Prof. Welington Rocha - responsável pelo Congresso

03/08/2012

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