Prof.º Riccio destaca pontos positivos do 9º CONTECSI

Rodrigo Dias Gomes

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Em entrevista ao portal FEA, o prof.º Edson Luiz Riccio, organizador do evento, comentou os principais aspectos do congresso, enfatizando a inclusão de deficientes na sociedade por meio de debates científicos. Riccio também falou sobre a divulgação dos trabalhos e pesquisas para o público em geral.

Portal FEA - Primeiramente, gostaria que o senhor fizesse um panorama geral do 9º CONTECSI, destacando a tônica das discussões e os pontos positivos do congresso.

Riccio: O 9º CONTECSI foi realmente um sucesso. O CONTECSI é um congresso multidisciplinar, que convida a todos os acadêmicos e profissionais que realizam algum tipo de pesquisa ou estudo de caso sobre o desenvolvimento, emprego, utilização e os efeitos de alguma das várias tecnologias de informação e comunicação existentes, nas empresas públicas ou privadas e na sociedade em geral. O grande ponto positivo é a multiplicidade de trabalhos das mais diversas áreas com uma visão comum, ou seja, todos os participantes expõem suas pesquisas e também se beneficiam da opinião dos colegas sobre essas pesquisas. Essa relação de troca de impressões e opiniões gera um crescimento do conhecimento, da qualidade e da pertinência dos temas discutidos. Outro ponto é que os trabalhos sempre trazem pesquisas e discussões inovadoras sobre os temas que abordam. Isso permite que os participantes se atualizem sobre as últimas discussões, métodos e pesquisas realizadas sobre os assuntos. Em outras palavras, no CONTECSI pode-se perceber quais são as tendências das tecnologias e sistemas de informação no mundo.

Portal FEA - O número de países neste ano superou o dos últimos anos, além da representatividade de todos os continentes. Gostaria que o senhor comentasse um pouco sobre o valor do CONTECSI no cenário internacional, comparando com outros congressos similares.

Riccio: O grande desafio para um congresso que se faz no Brasil é tornar-se internacional, isto é, ser conhecido, respeitado e atrair participantes estrangeiros. Para isso, é preciso que ele seja organizado de maneira a ter palestrantes internacionais, apresentar trabalhos em inglês e ter credibilidade internacional. O grande problema é que isso é construído passo a passo, sem descanso. Assim, para ser conhecido, deve ser divulgado na internet, em inglês e junto aos organismos internacionais. Desde o primeiro CONTECSI, trazemos palestrantes de renome mundial para que as pessoas vejam quem está vindo para o congresso. Entre eles, já é oficial que o palestrante que abre o CONTECSI sempre é o Presidente da AIS (Association for Information Systems). Todo ano há um presidente novo e esse sempre vem ao evento. Com os demais apresentadores internacionais convidados, o CONTECSI passa a atrair estrangeiros.
Como resultado, o CONTECSI passa a ser conhecido e se torna verdadeiramente internacional, ou seja, recebe trabalhos e pesquisadores de diversos países. Esse índice de internacionalização é praticamente pioneiro entre os congressos realizados no Brasil. Devemos, no entanto, fazer uma distinção entre congressos organizados no Brasil, como o CONTECSI, e congressos estrangeiros que vem para o país, mas isso é outra discussão.

Portal FEA - Um tema bastante abordado nas sessões paralelas foi a questão das redes sociais. Para o senhor, qual a maior contribuição dessas redes para o mundo empresarial, nos dias atuais?

Riccio: As Redes Sociais tornaram-se uma forma padrão de relacionamento entre pessoas e empresas, e existem graças às tecnologias de informação e comunicação. Sem essas tecnologias, as redes sociais não existiriam. No mundo empresarial e na área pública, as redes são o elemento unificador e criador de processos de trabalho e de negócios mais rápidos, mais integrados e com maior penetração que qualquer meio. Claro que, sendo uma inovação que provoca incremento na velocidade da comunicação, traz desafios para segurança, controle, transparência, ações desonestas, etc. Isso é exatamente a área do CONTECSI, a discussão não só traz vantagens das tecnologias, mas mostra problemas e suas soluções.

Portal FEA - De que maneira a inclusão social de deficientes físicos foi abordada no CONTECSI, e de que forma a gestão da tecnologia e ciências da informação podem contribuir pra essa inclusão? Essa consciência vem crescendo no mundo?

Riccio: Esse assunto teve uma atenção especial não só no 9º CONTECSI mas desde a oitava edição. Sendo professor e pesquisador, tenho o meu laboratório chamado TECSI (Information Systems and Technology Lab), através do qual passei a me interessar por esse assunto ao participar de um evento criado pela Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da qual a prof.ª Linamara Battistella é a Secretária de Estado. Então, criamos para o 9º CONTECSI uma área de recepção de trabalhos denominada Acesso Universal, que depois rebatizamos para ICT4DEV and Disability. (Tecnologias de Informação e Comunicação para Desenvolvimento e Deficiência). Para o CONTECSI, um congresso que tem a característica de estar na área de gestão, essa foi uma grande inovação, pois não é comum nesta área pensar em implementar as 7 regras do acesso universal nas empresas em geral e nos sistemas de informação.

Portal FEA - Na USP e na FEA não temos deficientes, nem estudando, nem trabalhando e mesmo dando aulas. Nem mesmo nossos edifícios são acessíveis aos deficientes. Por quê? Alguma coisa acontece que nos faz simplesmente não dar a mínima importância ao assunto, como se ele não existisse. Quando se fala em deficiência, todos pensam logo na Faculdade de Medicina ou nas áreas médicas. Mas, e a demais áreas? Se não há deficientes na USP não será porque nem o vestibular eles conseguem fazer?

Riccio: Sobre essas questões, o CONTECSI entende que lhe toca uma parte, ou seja, discutir como as TICs podem e devem ser utilizadas nas empresas públicas e privadas e na sociedade em geral, para que os deficientes possam ser incluídos na sociedade. É uma pequena iniciativa que tomei pessoalmente após ouvir uma palestra da prof.ª Linamara, em que abordou essa situação. Como compromisso, o CONTECSI criou essa área e, considerando que é um inicio, tivemos quatro trabalhos nesse assunto. No próximo ano, com certeza teremos muito mais.
Nas empresas e na sociedade, o efeito dessas iniciativas é termos sistemas de informação e bancos de dados que possam ser utilizados, acessados e mesmo construídos por deficientes, desde as coisas mais simples como um surdo-mudo dirigir-se à bilheteria de um cinema e querer comprar um ingresso utilizando a linguagem própria. Quem o atende? Poderia existir um sistema pelo qual o vendedor entenderia o que o cliente quer? Este é um simples exemplo. Se esse mesmo individuo fosse aluno da USP, como ele assistiria uma aula? Essas preocupações são mundiais, sem dúvida. No Brasil, o estado de São Paulo é pioneiro, mas é um inicio. Todos nós teríamos que trabalhar na mesma direção.

Portal FEA - Eventos como o CONTECSI são grande pólo de interação de ideias de diversos locais do mundo. Apesar disso, o senhor não acha as pesquisas e debates ainda ficam muito restritos ao mundo acadêmico? Como expandir isso para a sociedade?

Riccio: Este é realmente um desafio, não somente para o CONTECSI, mas para qualquer congresso, que sempre tem um foco acadêmico. A resposta está, na minha opinião, na área de jornalismo. Temos que desenvolver dentro do CONTECSI ou talvez após seu término, um processo de divulgação científica, com a ajuda dos jornalistas criando a Divulgação Científica do CONTECSI. Acho que conheço o que estou querendo dizer. Na Divulgação Cientifica, os assuntos são traduzidos para uma linguagem mais simples, popular, trazendo para o leitor a essência daquela pesquisa ou trabalho. Nesta edição, tivemos um trabalho apresentado pelo Vice Reitor da Universidade Federal do Maranhão, sobre a divulgação de ciência junto ao povo mais simples e pobre, através de experimentos em que crianças ou pessoas analfabetas e de pouca escolaridade pudessem entender. Portanto, levar o conhecimento de quase 5000 páginas de trabalhos apresentados no CONTECSI para o público comum é um grande desafio, sim.

Portal FEA - Já pensa em alguma inovação para a 10ª edição do CONTECSI?

Riccio: Sempre tentamos inovar. Este ano incluímos o Masters Colloquium, similar ao Consórcio Doutoral, mas dirigido para os mestrandos. Nós incluímos também uma inovação que é a sessão de posters para alunos de graduação. Mas estamos sempre abertos a novas ideias.

14/06/2012

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