A participação dos jovens e da sociedade civil na Rio+20

Renata Hirota

AbramovayCom a aproximação da data da conferência Rio+20, a ser realizada em junho, o CAVC, em parceria com o FEA Recicla & Sustentabilidade, realizou um evento no dia 14 de março sobre a participação dos jovens e da sociedade civil na Rio+20, com palestrantes de diferentes formações: Maria Christina Motta Gueorguiev, advogada e membro da Sociedade Brasileira de Direito Internacional do Meio Ambiente, Daniela Chiaretti, repórter especialista em coberturas sobre meio ambiente e políticas ambientais do jornal Valor Econômico, e o professor da FEAUSP Ricardo Abramovay.

Foram citadas algumas características da Rio+20, em comparação com outras conferências similares. Daniela Chiaretti relatou como foi a cobertura da ECO-92. De acordo com ela, existe uma diferença importante entre os dois eventos: no caso da ECO-92, Chiaretti diz que a conferência teve certas conclusões e produziu documentos oficiais (como a Agenda 21) relacionados aos temas tratados, como biodiversidade e mudanças climáticas; enquanto a Rio+20 é a abertura de um processo de discussão.

"A Rio+20 é importante para lançar desafios, discutir novos temas, como a economia verde", afirmou Maria Chrstina Motta Gueorguiev. "O dia seguinte à Rio+20 também é importante. Precisamos nos preocupar em internalizar o que for discutido". Chiaretti concorda: "São tantas coisas para discutir, tantas campanhas e slogans a defender, e é tão urgente que as pessoas se engajem, que o processo já é importante por si só".

O professor Abramovay destacou a relevância da sociedade civil em eventos desse porte. "Estamos caminhando, na Rio+20, em direção a um cenário muito preocupante, que nada mais é além de uma réplica de Durban, na conferência do clima da COP-17, quando se constatou que os compromissos assumidos foram sistematicamente descumpridos", explica Abramovay. Ele diz que a participação da sociedade civil é fundamental, visto que "os governos não tem meios de colocar esse tipo de assunto em questão, porque a sua linguagem é a linguagem do crescimento econômico", critica. Vale lembrar que, neste caso, a sociedade civil engloba os governos locais (não nacionais), além de jovens, empresários, ambientalistas e outros grupos.

"Os governos não tem a menor ideia de como lidar com duas questões centrais, para as quais a sociedade civil é imprescindível: limites e desigualdade. Estes deveriam ser os temas centrais da Rio+20", diz Abramovay. "As desigualdades da sociedade atual são tão gritantes que é ilusório o horizonte de poder melhorar a vida dos mais pobres sem modificar a estrutura, sem mexer em quem está no topo da pirâmide social". Além disso, ele defende a cooperação internacional em detrimento da transferência de tecnologia. Segundo ele, na economia da tecnologia em rede, o conhecimento é um patrimônio comum da humanidade. "Não se pode ter uma relação com economia verde igual à que o Ecad tem com o Youtube", critica.

Segundo o professor, nesse momento, o envolvimento da sociedade civil é um dos fatores que pode fazer a diferença. "A pressão terá de vir de uma mistura de sociedade civil e empresas, influenciando governos locais", afirma. Gueorguiev complementa que "nunca é tarde para se engajar. E, quanto mais massa crítica, mais chances de conseguir um resultado em que o sistema possa ser explorado de uma forma mais transparente".

21/03/2012

Notícias Relacionadas