Empreendedorismo em Israel: o que podemos aprender

Por Renata Hirota

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Evento Israel - Saul SingerEm evento no Brasil, Saul Singer, assessor da Comissão de Relações Exteriores do Congresso dos EUA, fala sobre a transformação econômica de Israel. Ele também é coautor do livro Start-Up Nation: The Story of Israel's Economic Miracle, no qual relaciona a cultura com o pensamento da economia. No evento, que contou com a presença do professor de Administração da FEA Paulo Feldmann, da Câmara Brasil-Israel de Indústria e Comércio e Ilan Sztulman, cônsul geral de Israel em São Paulo, Singer levantou questões sobre Israel como uma nação de start-ups, modelos de empresas embrionárias em fase de organização de suas operações, e como isso se relaciona com a cultura do país, e o que nós podemos aprender com a experiência. "Me identifico muito com o que acontece no Brasil, o crescimento e a empolgação".

Em Israel, há mais start-ups do que em qualquer outro lugar do mundo, com exceção dos Estados Unidos. A cada ano, cerca de 500 dessas empresas em fase de desenvolvimento são criadas em Israel, em contraste com as cerca de 700 criadas na Europa, que tem uma população estimada de mais de 700 milhões, cem vezes o número de Israel.

O diferencial é a cultura

Singer ressaltou características culturais dos israelenses (e não apenas dos judeus) como a determinação e a disposição para correr riscos, que são extremamente importantes, se não determinantes, para o surgimento de um start-up. "A maioria das ideias, quando novas, parecem malucas. A maioria dos start-ups não dá certo." O fato de todo cidadão israelense cumprir serviço militar também influencia na sua forma de pensar o conceito de missão, o que é positivo para o surgimento de uma empresa.

Além do serviço militar, a presença de imigrantes também ajuda a explicar a determinação como característica dos israelenses. São pessoas que, ao saírem de suas terras natais, abriram mão de parte importante de suas vidas, e correram muitos riscos para mudar de situação.

O êxito de start-ups israelenses

Os start-ups israelenses são diferenciados por terem tido sucesso através de grandes empresas multinacionais. A Paypal, por exemplo, comprou a Fraud Sciences, de Tel Aviv, que desenvolve sistemas antifraude. Outros exemplos de empresas que fazem grande parte de suas pesquisas em Israel são Google e Intel.

Singer ainda comentou sobre experiências e tecnologias utilizadas em Israel, como uma comunidade beta, que podem ser adaptadas para o mundo inteiro. Um exemplo é o caso da empresa Better Place, que tem como um dos objetivos produzir carros elétricos acessíveis para substituir veículos movidos a gasolina.

Outro exemplo é a Time To Know, na área de educação, que já funciona no Texas, em Nova York e em Tel Aviv. A proposta é uma reinvenção das salas de aula por meio da tecnologia, a fim de poder acompanhar cada estudante no seu próprio nível e ter um feedback mais preciso para todos: desde os diretores das escolas quanto ao trabalho dos professores aos pais das crianças quanto ao rendimento escolar dos seus filhos. "O mundo inteiro tem problemas com educação", observou, defendendo a reestruturação e a reinvenção do modelo de aprendizado.

O que o Brasil pode fazer

Singer falou de uma cooperação entre os dois países, em relação a treinamento em empreendedorismo e conhecimento de mercado, e comentou outra vez sobre características culturais dos israelenses, que para empresas grandes são negativas. "Não somos bons com empresas grandes, não temos a menor ideia. E pelos mesmos motivos que nos faz bons em start-ups: o fato de que não temos paciência, não gostamos de hierarquia, somos muito flexíveis. Para uma empresa grande, é preciso planejamento, administração. Nós precisamos trabalhar com outros países, com pessoas que estão mais próximas ao mercado e realmente conhecem o mercado."

Ele destacou a agrotecnologia como principal área em que pode haver uma ajuda mútua entre Brasil e Israel. Quando questionado sobre o que o governo poderia fazer para incentivar a criação de start-ups, Singer propôs menos impostos para a área de alta tecnologia e uma regulamentação menor.

11/05/2011

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