Usuários de programa de análise econométrica trocam experiências na FEA

Por Bruna Arimathea

Com a complexidade e a exigência de precisão nas mais diversas áreas de estudo, métodos que facilitam e proporcionam informações mais exatas são cada vez mais requisitados para dar confiabilidade ao trabalho desenvolvido. O STATA é um programa de estatística que funciona na maioria dos softwares computacionais e permite análises desde as mais simples, como cálculo de média e desvio padrão, até as mais elaboradas, como análise de variância e regressão linear múltipla, por exemplo. Para conhecer mais sobre esse modelo de sucesso no mercado e os trabalhos nos quais o programa é aplicado, principalmente nas áreas de economia e saúde, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP sediou o II Encontro de Usuários de STATA no Brasil, uma realização do Grupo StataCorp e Timberlake Analytics.

Em um dia de evento com a presença de Bill Rising e Enrique Pinzón, representantes da StataCorp, vários papers da própria faculdade, assim como de outras instituições do país, foram apresentados em variados temas, todos com a utilização do programa STATA. Foram seis trabalhos da FEAUSP ao todo, em um panorama multifacetado de estudos.

Uma dessas pesquisas foi de Pedro Davi, aluno do 5° ano de Economia, que trabalhou o tema: “Does crime affect economic growth? A case study of the city of Manaus” e falou sobre a influência dos casos de violência na cidade de Manaus e os seus impactos na economia local. Analisando dados da 3ª maior facção criminosa do Brasil, a chamada “Família do Norte”, Pedro concluiu que o tráfico de drogas articulado pelo grupo foi responsável por grande parte da queda do PIB de Manaus nos últimos anos.

Outro case abordado foi o “Decomposing wage differential by sectors and occupations: what explains a glass ceiling effect in Brazil by gender?” que tratou da diferença salarial entre homens e mulheres e do fenômeno chamado “teto de vidro”, apresentado por Danielle Carusi Machado e Jesus Óregon, da Faculdade de Economia da UFF/Niterói. Nesse trabalho o objetivo era entender o porquê dessa diferença em números, nos fatores em termos de características de trabalho, valorização de mercado, entre outros pontos. O fenômeno “teto de vidro” se caracteriza pela estagnação, inclusive do salário, em determinado momento da carreira da mulher, pela discriminação e diferença de produtividade entre os gêneros no mundo dos negócios.

Danielle e Jesus concluíram que, ainda que se tenha observado uma diminuição nessa disparidade nos últimos anos, o salário do homem continua maior em relação ao da mulher, e que os fatores associados a essa diferença ainda são determinantes no mercado para manter essa discrepância salarial.

A professora Paula Pereda, do departamento de Economia da FEAUSP, organizadora científica do encontro, comemorou o sucesso do evento: “Muita gente que participou do primeiro encontro estava também no segundo. Cheguei e já vi vários rostos conhecidos”. Sobre a reunião dos usuários de STATA, a professora destacou o aprendizado adquirido e a constante atualização por parte do grupo, sempre trazendo as novidades lançadas por eles. “Outra coisa relevante é a interação. Sempre no fim do ano, o workshop tem esse caráter um pouco informal que é para deixar as pessoas bem confortáveis”, completou Pereda. 

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 10 Janeiro, 2018

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