Universidades húngaras oferecem oportunidades de estudo para brasileiros

Por Cacilda Luna
Fotos: Ismael do Rosário

Thomas KissDescendente de húngaros, o engenheiro Thomas Kiss, de 32 anos, está buscando uma oportunidade fora do país para se especializar em “business”. Formado na FEI e trabalhando há 10 anos na área comercial da General Eletric, ele compareceu no último dia 29 de setembro à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEAUSP) para obter informações sobre os programas de intercâmbio oferecidos pelas universidades húngaras, durante a realização do “Explore Hungary: Higher Education Information Day and Alumni Meeting”, realizado pela AUCANI (Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional) e a CCInt-FEA (Coordenação de Cooperação Internacional da FEAUSP).   

“Estou num momento na carreira de buscar uma formação em Master. Soube da feira, então vim conhecer os programas oferecidos pelas faculdades da Hungria e fazer contato. Estou buscando um novo desafio fora da minha área e fora do Brasil”, disse Thomas Kiss. Para ele, se não for um MBA, pode ser um Executive MBA, que permite conciliar trabalho com estudo. “Programas de curta duração também me interessam, alguma coisa na área de inovação, de comercialização, de energia ou até mesmo engenharia”, completou o engenheiro, que tem parentes no país europeu, um dos 15 destinos mais procurados por turistas em todo o mundo.

A estudante de Biologia do Instituto de Biociências (IB) da USP, Marcela Huszar, de 21 anos, também esteve na FEAUSP buscando informações. Perguntada sobre o que mais a motiva a querer estudar na Hungria, ela disse que é o fato de ser descente de húngaros e pela qualidade de vida do país. “Eu estava procurando bolsas de intercâmbio para a graduação, ou para mestrado. Mas vi que tem poucos programas voltados para a área de Biologia”, afirmou Marcela.  

Marcela HuszarO objetivo do “Explore Hungary” foi divulgar as principais universidades húngaras e seus programas de intercâmbio para os brasileiros. “Espera-se que haja um grande número de alunos da FEA interessados em fazer pós-graduação na Hungria. Os cursos lá são em inglês. Já temos convênio com duas universidades para alunos de graduação”, afirmou o professor Paulo Feldmann, do departamento de Administração da FEAUSP, que é professor visitante em duas universidades da Hungria: Corvinus University of Budapest e University of Pécs. Sua proximidade com a Hungria – ele também é filho de húngaros – facilitou a interação com os organizadores do “Explore Hungary”. Além do evento na FEA, foi realizada também uma feira, a Education Fair, entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. 

No coração da Europa

Os programas de cooperação internacional na área de educação da Hungria são gerenciados pela Tempus Public Foundation, organização criada em 1996 pelo governo húngaro. Em 2013, o governo lançou o Stipendium Hungaricum Scholarship Programme, que tem como missão fundamental aumentar o número de estudantes estrangeiros na Hungria, além de encorajar as instituições de ensino superior da Hungria a atrair os melhores alunos estrangeiros intercambistas.  

Durante a abertura oficial do “Explore Hungary Day”, o embaixador da Hungria no Brasil, Norbert Konkoly, disse que o programa Stipendium Hungaricum é “uma excelente oportunidade para estudantes brasileiros estudarem na Hungria, para obterem a licenciatura ou título de bacharel, mestre ou doutor, em qualquer campo acadêmico”. Além da reconhecida excelência no ensino, com vários ganhadores de Prêmio Nobel no currículo, a Hungria, segundo Konkoly, tem outros atrativos. Ele citou a qualidade de vida, a localização estratégica no centro da Europa, a segurança nas ruas, a facilidade no transporte, o custo de vida relativamente baixo e um povo amigável. Disse, também, que a Hungria é “um lugar ideal para se construir o próprio network”, por ser um ponto central para grandes empresas internacionais e startups, conectadas às universidades locais.

Ao dar as boas-vindas aos visitantes, o diretor da FEAUSP, Adalberto Fischmann, lembrou que esteve na Hungria no início de setembro para assistir à celebração do Jubileu dos 650 anos da universidade de Pécs, a mais antiga do país. “Foi um prazer estar lá para a abertura do ano acadêmico e para a celebração dos 650 anos da primeira universidade húngara. Foi realmente um encontro extraordinário”. Fischmann disse que foi realizada, na ocasião, a conferência anual da Magna Charta Universitatum, organização internacional criada em 1988 que reúne mais de 800 universidades. De acordo com o diretor da FEA, a USP foi uma das primeiras universidades do mundo a assinar o documento, que contém princípios de liberdade acadêmica e autonomia institucional.

Sobre os programas de intercâmbio com as universidades húngaras, o diretor-adjunto na área de Mobilidade Acadêmica da Aucani, Moacyr Ayres Novaes Filho, disse que a Hungria certamente é um destino importante para os estudantes brasileiros que querem se especializar no exterior, porque o país tem uma liderança de destaque na Europa central e a USP “está buscando parceiros importantes nesta região para estreitar relações acadêmicas”.

De acordo com Moacyr Novaes Filho, a USP vai trabalhar na divulgação e difusão dos programas de intercâmbio das universidades húngaras, colaborando posteriormente na seleção e identificação dos melhores alunos para realizar o intercâmbio. Por outro lado, Novaes Filho disse que espera que a USP possa se qualificar para também ser um destino dos estudantes húngaros. “Assim, quando eles voltarem para casa vão poder dizer que tiveram no Brasil uma boa experiência científica e pessoal”.

As instituições húngaras que oferecem vagas para estudantes estrangeiros, tanto na graduação quanto na pós-graduação, são a CEU (Central European University), Corvinus University of Budapest, Budapest University of Technology and Economics, University of Debrecen, Eszterházy Károly University, University of Dunaújváros, Eötvös Loránd University, University of Miskolc, University of Pannonia, University of Pécs, Semmelweis University, Szent István University, University of Szeged e Budapest Businnes School. As áreas com maior foco são as de “Business and Management” e “Information Technology”. A lista completa dos programas de estudo, assim como outras informações, pode ser conferida no site do “Study in Hungary”: www.studyinhungary.hu.

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 5 Outubro, 2017

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