Universidade Aberta à Terceira Idade aborda a inteligência cultural

Bruna Arimathea

Com a globalização, o mundo nos coloca em contato frequente com culturas diversas, mas esse intercâmbio não acontece da mesma forma para todas as pessoas. O termo “inteligência cultural” foi cunhado por Christopher Early e Soon Ang, em um estudo de 2003, e define-se como “a habilidade de compreender e se adaptar a contextos diferentes”. Em palestra realizada na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, o professor Sherban Cretoiu, da Fundação Dom Cabral (FDC) falou sobre o tema. O evento integrou o calendário do programa “Universidade Aberta à Terceira Idade” da USP.  

Segundo os pesquisadores, existem quatro dimensões dentro da inteligência cultural: cognição, metacognição, desejo e comportamento. São esses pilares que guiam a aptidão para lidar com outras culturas e expandir a relação com o exterior do ponto de vista interpessoal. E eles podem ser muito úteis no mercado de trabalho. Em uma empresa, por exemplo, existe a figura do Gestor Global, um profissional responsável pelas relações exteriores. A inteligência cultural se encaixa muito bem nessa função, para administrar relações no exterior e saber negociar, ou mesmo apenas dialogar com outras multinacionais.

Quais fatores envolvidos no conceito facilitariam o desempenho da atividade? A Fundação Dom Cabral realizou uma pesquisa envolvendo 22 empresas e 322 gestores globais para entender o que, de fato, poderia fazer diferença dentro das competências desse profissional, tomando como base o conceito de inteligência cultural. Entre as empresas consultadas estavam JBS, Marcopolo, Itaú, Michelin, Basf e Siemens.

Para ser considerado um Gestor Global, segundo o estudo, o entrevistado deveria se encaixar em pelo menos duas categorias desenvolvidas pela fundação e apresentadas no questionário. Entre as denominações, estavam o número de viagens ao exterior pela empresa, a quantidade de interações com outras culturas, a coordenação de equipes no exterior, entre outras.

Os resultados indicaram que a inteligência cultural adquirida pelas atividades exercidas pelos gestores, aumenta a confiança desses profissionais dentro da empresa e torna mais fácil o trabalho a ser realizado. Outros resultados encontrados foram uma maior satisfação com o trabalho, inovação nos produtos e melhor desempenho individual, todos indicando que as habilidades envolvidas no conhecimento cultural melhoram o trabalho e a interação com outros costumes e modos de vida. “A medida que o mundo está cada vez mais imerso no ‘desaparecimento das distâncias’, tudo fica cada vez mais interconectado”, explicou Sherban.

E o que faz com que uma pessoa seja mais ou menos “inteligente cultural”? Segundo Sherban, não existe um maior nível, e sim um estado. “Você não é mais ou menos inteligente cultural, você está. Hoje, uma pessoa pode ter um nível de inteligência; amanhã é possível ter um nível melhor, porque dá para desenvolver isso”, afirmou.

Na palestra ainda foi dito que há muitas variáveis associadas à inteligência cultural, o que não envolve apenas o trabalho que a pessoa exerce. Desse modo, é possível ter hábitos que ajudam a desenvolver esse estado. Pesquisar e estudar sobre outros países, assim como os idiomas é uma maneira de internacionalizar o conhecimento e facilitar o contato com outras culturas. O professor fala, ainda, que sair da zona de conforto é outra prática que ajuda para adquirir um maior estado de inteligência cultural.


 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 30 Agosto, 2018

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