Tese analisa resiliência de empresa a partir do controle gerencial

Por Cacilda Luna

O uso do sistema de controle gerencial impacta positivamente na gestão da resiliência organizacional porque permite uma visão estruturada para ação e reação das empresas. É o que concluiu Daiana Bragueto Martins (foto) em sua tese de doutorado, defendida na FEAUSP no último dia 29 de março.

Sob a orientação do professor Fabio Frezatti, do departamento de Contabilidade e Atuária, e coorientação da professora Tania Casado, do departamento de Administração, a pesquisadora ouviu 64 gestores do alto escalão de uma empresa brasileira do setor de comércio de derivado de petróleo.

A intenção da pesquisa era entender como o uso do sistema de controle gerencial gera contribuições e auxilia a empresa na gestão da resiliência. “Se a empresa tem ciência de seus pontos fracos e fortes de resiliência, ela tem maior oportunidade para sobreviver nesse ambiente de adversidade”, sugeriu a pesquisadora em sua defesa.

Daiana Martins disse que o levantamento de dados foi realizado no final de 2017, num momento crucial para a companhia (cujo nome não foi divulgado), mas que esse fato contribuiu para a realização do estudo e obtenção dos resultados. “Foi possível perceber que a empresa vivia uma tensão muito grande, mas essa tensão representou um ponto essencial para podermos estudar a resiliência naquela organização”.

Para chegar aos resultados, Daiana Martins utilizou o modelo teórico “Levers of Control”, de Robert Simons. A escolha do modelo, segundo a pesquisadora, está vinculada ao propósito de analisar quais são os sistemas de controle gerencial utilizados pela organização para promover a renovação da estratégia organizacional e, com isto, auxiliar na gestão da resiliência da organização. Simons defende que as organizações necessitam de sistemas de controle flexíveis que orientam e supervisionam as atividades. Para equilibrar as tensões geradas dentro da empresa, são utilizadas quatro alavancas de controle (sistemas de crenças, de restrições, diagnóstico e interativo). 

No estudo, observou-se que “elevados níveis do uso do sistema de controle gerencial nas formas de sistemas de crenças, restrições, uso diagnóstico e uso interativo aumentam a capacidade da organização para a resiliência, ao atuarem de forma proativa, com visão estratégica, frente às adversidades do cenário empresarial, proporcionando a renovação da estratégica proposta por Simons”.

Daiana Martins deixou claro que a pesquisa focou a resiliência estratégica, ao invés da resiliência passiva. “A pesquisa foi trabalhada mais pensando na resiliência relacionada a eventos ou problemas cotidianos dentro da organização e que possa lhe trazer vantagem competitiva, do que na resiliência passiva, em que ocorre uma catástrofe e a empresa tenta se recuperar desse episódio específico. Trabalhamos com uma hipótese apenas, que é a de verificar de que forma o uso do sistema gerencial impacta positivamente na resiliência estratégica”.

O professor Carlos Eduardo Facin Lavarda, um dos integrantes da banca examinadora, destacou como relevância do trabalho as contribuições feitas às organizações. Dentre as contribuições citadas pela autora, está a relacionada ao ponto de vista prático. “O estudo auxilia os gerentes a decidirem qual padrão de controle melhor se adequa às circunstâncias em que operam, e aos seus desafios estratégicos, contribuindo para a compreensão de como o uso do sistema de controle gerencial impacta a resiliência no ambiente organizacional”. Outra contribuição refere-se ao desenvolvimento e validação de uma ferramenta para mensurar resiliência estratégica no nível empresarial. A banca examinadora foi formada, ainda, pelos professores Ilse Marian Beuren e José Carlos Tiomatsu Oyadomari.

 

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 1 Abril, 2019

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