Sipat 2018 valoriza segurança e bem-estar na FEA

Como todo ano, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes (Sipat) trouxe um novo ciclo de palestras aos funcionários da FEA, a fim de promover o bem-estar dos funcionários da casa. A semana é organizada pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), como pede a legislação trabalhista, e conta com sorteios de brindes e coffee breaks, em parceria com empresas, entidades estudantis e fundações da Universidade. Os funcionários são liberados de suas funções para as atividades da semana.

A nova gestão da Cipa é liderada pela Ana Cristina dos Santos, atual presidente da Comissão. A realização do evento contou com toda a equipe, composta por Ivan Francisco de Sousa, Noel Ribeiro, Priscila Magalhães e Vanderlei Reis.  Além desse grupo, os funcionários Antonio Marcos de Freitas, Antonio Sousa, Claudinei Castelani, Elaine Graciano e Paulo Scandarolli foram fundamentais no planejamento da Semana.

Em 2018, a variedade de temas marcou as palestras do evento: foram abordadas questões como o envelhecimento e as redes sociais, os benefícios do esporte à saúde e o envelhecimento no trabalho. Além disso, três temas que marcam a nova gestão da Diretoria da FEA estiveram presentes: a segurança na FEA, a saúde mental dos trabalhadores e o assédio moral no ambiente de trabalho.

 

Segurança na FEA

Em sua fala de abertura da semana, o professor Fabio Frezatti, diretor da FEA desde outubro desse ano, reiterou a importância do tema “segurança”. Segundo ele, é preciso institucionalizar medidas de bem-estar não através da imposição, mas sim de forma natural, mostrando o que é benéfico para toda a comunidade feana: “Nós não temos que parar naquilo que a lei manda. Precisamos fazer aquilo que é bom, que vai trazer benefícios”, diz. Nesse sentido, o professor garante que o foco da gestão é nas medidas de segurança de caráter preventivo.

Na FEA, o combate aos furtos é prioritário; câmeras já flagraram o crime ocorrendo dentro da faculdade. A responsabilidade de ação, no entanto, se divide: a USP é responsável pela segurança no campus, as câmeras externas e o contato com as autoridades; a FEA se responsabiliza pela segurança interna do ambiente (câmeras, profissionais de vigia, portaria); e os próprios indivíduos também tem algumas responsabilidades, como a sensibilização, o cuidado e a disponibilidade para ajudar.

Nesse tema, uma pauta que se destaca, principalmente entre os alunos, é a instalação de catracas na FEA. Segundo o professor, após muita discussão, a pauta está resolvida: “Não é uma questão de ideologia, é de segurança coletiva”. Ele lembrou a todos que as catracas não impedirão ninguém de entrar na FEA, só garantirão a identificação de todos, e que várias outras unidades da USP também já adotaram essa medida.

“Segurança é algo que sempre podemos melhorar”, comenta, por fim, o diretor. Ele finalizou com um apelo à comunidade feana em prol da união pela segurança coletiva: “Se cada um pegar esse fardo, ele não fica tão pesado”.

 

Assédio moral no trabalho

   Flávio Antas Corrêa, executivo público e
   especialista em Direito do Trabalho

Um problema que todo ambiente de trabalho pode enfrentar: o assédio moral. Para falar sobre isso aos funcionários da FEA, a Cipa convidou Flávio Antas Corrêa, executivo público e especialista em Direito do Trabalho. Segundo o palestrante, assédio moral se caracteriza por “qualquer conduta abusiva, repetida ou sistematiza, contra a dignidade e a integridade de uma pessoa, ameaçando o emprego e o clima de trabalho”. Flávio ainda lembrou que não só os trabalhadores são afetados, mas também todo o ambiente do trabalho.

O assédio mais comum é o descendente (praticado de um superior para um subordinado), mas também há o horizontal (realizado por profissionais de mesma instância) e o ascendente (um grupo de subordinados, em conjunto, assediando um superior). Em todos os casos, as principais vítimas são profissionais competentes, mulheres e jovens trabalhadores. Já o perfil do assediador é de alguém arrogante, que se acha superior e precisa de aprovação e admiração.

O palestrante falou ainda de como combater esse problema. O primeiro passo vai ao encontro de iniciativas como a da Sipat: aprofundar o conhecimento sobre o tema. Palestras, cartilhas ao trabalhador e às chefias e outras medidas que levem informação são essenciais. Para denunciar, é preciso recorrer a instituições de apoio aos trabalhadores (sindicatos e Ministério do Trabalho, por exemplo), e é importante guardar documentos que comprovem o assédio.

 

Saúde mental do trabalhador

Cada vez mais em alta, o assunto da saúde mental também foi tema da Sipat. Logo após o Setembro Amarelo – mês dedicado à prevenção do suicídio – a Cipa convidou o psicólogo Felipe Maronesi, da clínica Psicotia, para conversar com os funcionários da FEA. O palestrante definiu a saúde emocional para além da ausência de doenças: “É o equilíbrio das funções psíquicas e o bem-estar físico, social e mental”, disse.

Essa saúde, no entanto, pode ser afetada de diversas maneiras no ambiente de trabalho. Alguns exemplos são: sobrecarga de funções; pressão vinda de cima; a liderança e seus fardos; incertezas profissionais; relacionamentos com colegas de trabalhos; cobrança de resultados; mudanças na rotina; horários; metas; e trabalho em equipe (que requer empatia). E tudo isso pode gerar adoecimentos, disse o palestrante.

Um dos resultados mais comuns no trabalhador é a chamada Síndrome de Burnout. Caracteriza-se pelo esgotamento profissional, acúmulo de estresse e vontade de se isolar dos colegas de trabalho e até mesmo amigos e familiares. É comum entre professores, por exemplo, mas pode se manifestar em qualquer profissional sob estresse. É o tipo de adoecimento mental que mais se manifesta no ambiente de trabalho, pois depende somente dele, diferente de outras doenças, como a depressão, que se relaciona também com a vida pessoal do indivíduo.

Outra forma de adoecimento muito comum é a ansiedade. No dia a dia é normal termos um tipo de ansiedade típica, principalmente antes de situações decisivas, como uma entrevista de emprego. No entanto, a ansiedade se caracteriza como doença quando passa a ter sintomas físicos e psíquicos: medo constante, angústia e dores, por exemplo, até mesmo para enfrentar momentos banais, como uma reunião. Há diversas formas de se combater a ansiedade, além do necessário acompanhamento psicológico: atividades físicas, alimentação saudável e momentos de lazer, por exemplo.

Por fim, o palestrante citou a depressão. A doença é a que mais afasta profissionais do trabalho, e, por ser silenciosa, é de difícil compreensão. Segundo o psicólogo, a depressão acomete 10 a 25% das mulheres e de 5 a 12% dos homens. O tratamento, porém, é eficiente: cerca de ⅔ de pessoas tratadas respondem de maneira positiva, e quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de remissão.

Trabalhadores que identifiquem sintomas ligados às doenças mentais devem procurar atendimento psicológico o mais rápido possível.

 

Gente da FEA - novembro de 2018
Autor: Bruno Carbinatto

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 6 Novembro, 2018

Departamento:

Sugira uma notícia