Repleta de cultura, Feira de Refugiados celebra a diversidade

Por Bruno Carbinatto

O ano de 2017 foi sintomático para a situação dos refugiados no mundo. O número de pessoas obrigadas a deixarem seus países de origem bateu recorde: foram 68.5 milhões, o que significa uma pessoa se tornando refugiada a cada dois segundos. No mesmo ano, o Brasil recebeu 33.866 solicitações de refúgio, sendo um dos principais destinos para pessoas que residiam fora da Europa. Palco de diversas culturas, São Paulo é a cidade que mais recebe refugiados no país, resultando em um mosaico de histórias diferentes. Para celebrar essa diversidade, a FEAUSP recebeu, no dia 30/08, a Feira dos Refugiados.

O evento foi organizado pela FEA Social, entidade estudantil que promove a aproximação da universidade com o setor social.  Estiveram presentes refugiados de diversos países, como Uganda, Guiana, Síria e Camarões, além de ONGs e outras organizações que atuam na causa. Além da venda de artesanato e comidas típicas de cada país, o evento contou com rodas de conversa com os refugiados, tatuagem e muita cultura. Segundo os organizadores, o enfoque da Feira foi dar visibilidade para a situação dos refugiados após o processo de imigração e quais as principais dificuldades enfrentadas por eles no processo de fixação de uma sociedade nova e diferente.

Entre tanta arte e cultura, o que se destaca mesmo são as histórias das pessoas que têm que deixar tudo para trás e buscar uma vida nova. Anas Obaid é um deles. Sírio, o jornalista deixou seu país por conta da guerra, depois de ter sido preso pelo Estado Islâmico. Seus perfumes — feitos na hora e com diversas opções de essência — fizeram sucesso na Feira. Vivendo em São Paulo há três anos, Anas afirma estar muito feliz: “Agradeço muito o Brasil a cada dia, é um lugar maravilhoso”.

Renee Londja também é refugiada com uma história curiosa: natural da Guiana, ela veio para o Brasil por amor, após seu parceiro congolense, que ela conheceu na internet, conseguir refúgio aqui. Decoradora de ambientes, Renee marcou presença na feira com seus artesanatos repletos de cores e texturas.

Quando perguntados sobre a melhor coisa do Brasil, a maioria dos refugiados concorda: a hospitalidade do brasileiro é destaque positivo. Mas, no campo das dificuldades, uma coisa é consenso: conseguir emprego no Brasil é difícil, ainda mais para estrangeiros. Nesse sentido, a Feira também teve como objetivo mostrar o trabalho dessas pessoas e quebrar o preconceito que, infelizmente, ainda persiste na sociedade.

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 4 Setembro, 2018

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