Refugiados mostram sua cultura durante feira na Vivência da FEA

Breno Queiroz

 

Pessoas vindo de lá para cá, provando comidas típicas, comprando artesanato, experimentando roupas. O ambiente da Vivência da FEA se transformou no último dia 6 de junho. Ao contrário dos dias comuns, em que é ocupado exclusivamente pelos alunos, naquele dia os portões se abriram para um grupo de refugiados, que vieram mostrar sua cultura e debater sua situação fora do país de origem -- Síria, Venezuela, Congo, Uganda e Nigéria.  

 

A Feira dos Refugiados, organizada pela entidade estudantil FEA Social, já está se tornando tradição na FEAUSP. Em sua terceira edição, o evento oferece a oportunidade de um contato direto com a cultura dos refugiados. Além da venda de artesanato, roupas e comidas típicas, a Feira também contou com atividades mais intimistas como roda de conversa, oficinas e aula de dança.

 

Da roda de conversa participaram Carlos Escalona, refugiado venezuelano, Ana Carolina Rodrigues, professora do departamento de Administração da FEA, e Ivy Szermeta, pesquisadora no grupo de estudos Pessoas e Trabalho (GEPeT).

 

Carlos Escalona contou sua história de como passou da Venezuela para Boa Vista, capital do fronteiriço estado de Roraima, e como se estabeleceu em São Paulo. “O pior desafio é juntar, de repente, toda sua vida em duas malas”, descreveu. 

 

A pesquisadora Ivy Szemeta lembrou da recepção aos venezuelanos em solo brasileiro. Refletiu sobre os questionamentos feitos por políticos locais a respeito dos eventuais antecedentes criminais dos venezuelanos, e sobre o pedido de ajuda financeira e militar ao governo federal nas cidades de fronteira. “A economia brasileira já não estava bem e, com a chegada dos refugiados, eles acabaram levando a culpa”, ponderou.

 

Segundo Ivy, a dimensão que a população de grandes cidades, como São Paulo, têm do processo migratório atual na Venezuela é bem diferente daquela dos habitantes do Norte do País. Roraima tem apenas 332 mil habitantes e, em apenas um ano (de 2017 a 2018), sua população aumentou em 10%.

 

A professora Ana Carolina Rodrigues tocou em outro ponto, que é desconhecido de muitas pessoas. Entre a população dos refugiados, também existem muitos índios. Na capital Boa Vista, podem ser avistados acampamentos transitórios, ocupados por indígenas de duas etnias -- enhepás e waraos. 

 

Nas atividades da Feira dos Refugiados, a oficina de bonecas Abayomi (símbolo de resistência de povos africanos), ministrada pela refugiada africana Renée, é a que guardou a história mais interessante. Ela contou que no transporte dos escravos africanos para o Brasil, as mães rasgavam retalhos de suas saias, davam nós ou os trançavam, para dar forma a boneca, que serviria de amuleto de proteção para seus filhos. Na língua Iorubá, maior etnia africana, a palavra abayomi significa “encontro precioso”.

 

 

 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 13 Junho, 2019

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