PESC responde: O que é, afinal, esse tal de terceiro setor?

Por Bruno Carbinatto

Qual a função social de uma empresa? Muitos — incluindo alunos de Administração — podem achar que a resposta é “gerar lucro e emprego, e assim, dar retorno financeiro para a sociedade”. Mas essa explicação está cada vez mais ultrapassada, com a preocupação socioambiental se tornando prioridade não somente do Estado como também da iniciativa privada. Nesse intermeio de problemas a serem resolvidos, surge o chamado terceiro setor, uma área de atuação que, apesar de não ser tão reconhecida, atrai diversos profissionais e pode ser uma opção alternativa de carreira.

Por que terceiro? 

Em conversa realizada pelo PESC (Programa de Extensão de Serviços à Comunidade), Cristina Moura (foto) e Talita Rosolen, doutorandas em Administração na FEAUSP, explicaram que a sociedade é formada por três setores: o primeiro caracteriza-se por utilizar meios públicos para fins públicos, representado principalmente pelo Estado; o segundo setor é o que utiliza fins privados para meios privados (empresas); por fim, o terceiro é uma combinação: utiliza-se de fins privados para atingir meios públicos. Formam esse grupo as organizações não-governamentais, fundações, associações comunitárias e entidades filantrópicas, por exemplo.  A grande preocupação do terceiro setor é causar impacto positivo na sociedade, se propondo a resolver parcial ou totalmente um problema. 

No Brasil, esse setor nasce com o fim da ditadura militar e ascensão da crise econômica. Com o Estado falido, instituições não governamentais tomam a iniciativa de resolver problemas urgentes. Ao mesmo tempo, com a expansão desenfreada do capitalismo global revelando diversas mazelas sociais e ambientais, a sociedade passa a exigir das empresas mais responsabilidade social, ultrapassando a visão anglo-saxônica de que uma empresa deve gerar apenas lucro.

As ações sociais das empresas e do terceiro setor são chamadas de investimento social e possuem foco em resultados, além de manter uma sinergia com os negócios e visar a inserção dos indivíduos na comunidade. Se diferencia, portanto, da caridade, que são ações isoladas e pontuais, sem muito planejamento e análise. Entre os dois conceitos, há também a filantropia, que vem de fundações e organizações independentes e é mais organizado do que a caridade, mas não tão bem estruturado como um investimento social.

 

 

A Pirâmide de Responsabilidade Social, desenvolvida por Archie Carroll, em 1991, versa sobre as responsabilidades de uma empresa

No meio termo

Além do terceiro setor, existe ainda o que se chama de setor 2.5. Como o nome sugere, é um intermediário entre a iniciativa privada, as ONG’s e outras instituições. São empresas privadas que buscam resolver problemas sociais, mas mantém modelos tradicionais de empresa e podem até gerar lucro. 

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 22 Junho, 2018

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