Perspectivas de mercado por um olhar feminino: o mercado por elas

Por Bruna Arimathea
Fotos: Divulgação

Mercado por Elas

Qual o cenário financeiro atual do Brasil? Quais as falhas da agenda atual de governo? Quais as perspectivas econômicas para o fim desse ano? Essas e outras perguntas foram respondidas por um time forte de mulheres bem-sucedidas na área econômica, no evento “Perspectivas de Mercado: O Mercado por Elas”. Promovido pela Liga de Mercado Financeiro da FEAUSP, teve a presença de Ana Madeira (Economista do Bank of America Merrill Lynch), Fabiana Arana (Sócia do banco BTG Pactual), Flávia Silveira (Sócia na IGC Partners) e mediação de Patrícia Oliveira (Client Specialist e mediadora da Thomson Reuters).

O dia a dia da área financeira requer tempo e dedicação nas empresas. Apesar da rotina não se parecer com a vida acadêmica, engana-se quem pensa que a teoria não se aplica na prática. “A parte mais técnica, na verdade, se tornou uma vantagem no que a gente faz”, afirmou Ana Madeira, portuguesa que decidiu trabalhar no Brasil após terminar uma tese sobre mercados emergentes e encontrar nessa área a oportunidade de trabalho.

Entender sobre o cenário atual e sobre as projeções do país também faz parte do cotidiano desse profissional. Desde assuntos mais complexos, como o atual afrouxamento monetário, até os que parecem mais triviais, como relatou Ana, que na época da epidemia do Vírus Zika foi perguntada por um de seus clientes qual seria o impacto para a esfera financeira. “Nesse mercado você não pode falar ‘eu não sei’ no telefone”. Patrícia Oliveira ainda complementa a rotina difícil: “São muitas horas, muitas viagens, são constantes redescobertas de processos de clientes e de resultados para avançar”.

Especificamente sobre o mercado financeiro, Fabiana Arana comenta sobre as surpresas que se pode esperar para o fim do ano de 2017 em relação ao PIB: “O ciclo [atual] é muito diferente porque as empresas tiveram que cortar muito custo. Isso foi tão importante que, numa retomada de crescimento de vendas, se observará um efeito alavancador muito grande que as empresas terão em margem, e isso pode surpreender o mercado de ações como um todo e em alguns setores [específicos]”. Exemplificando, Fabiana citou a demanda por carro, por aço e setores ligados à economia doméstica, que ganham um olhar especial dos investidores em tempos de crise.

No cenário político, a discussão foi acerca da eleição para presidente de 2018 e seus impactos econômicos no país. As convidadas foram unânimes em dizer que o mercado precifica positivamente o resultado das eleições e aposta em um candidato Marketing Friendly, ou seja, que continue com as políticas de reformas e acordos com o capital financeiro privado do país e que se alinhe às diretrizes pré-estabelecidas pelo atual governo. “[Esperamos] continuidade de uma coisa que já foi estruturada. O mercado financeiro trabalha muito com expectativas, então não se pode frustrar as que já estão aí” completou Flávia Silveira.

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 6 Novembro, 2017

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