Perspectiva para a economia brasileira em 2020

Prof. Simão Davi Silber
Departamento de Economia da FEA

Depois de 6 anos de desempenho decepcionante da economia brasileira (2014 – 2019), existem expectativas mais favoráveis para os próximos anos, em função de mudanças da política macroeconômica do país, que começaram a ser tomadas a partir de 2016.

A gestão da política macroeconômica iniciada em 2016 mudou drasticamente a política macroeconômica para reverter os grandes desequilíbrios que existiam na economia brasileira: inflação acima da meta, recessão profunda, taxa de desemprego em dois dígitos, déficit primário e do balanço de pagamentos elevados.

Os desafios ainda continuam extremamente complexos, devido às grandes distorções de política macroeconômica introduzidas entre 2011 e 2016 e não houve a possibilidade de que elas fossem devidamente encaminhadas pelas dificuldades políticas que o governo enfrenta para definir uma estratégia para avançar nas medidas para controlar a expansão do déficit público. Mas, inequivocamente, o grande desafio até o início da próxima década é o de voltar a obter um superávit primário e o principal instrumento que poderá ser utilizado será a contenção do crescimento desordenado das despesas primárias do governo federal. O governo terá que avançar significativamente na disciplina fiscal para criar espaço para uma redução consistente da taxa de juros de longo prazo, sem acelerar a inflação.

Não serão com receitas extraordinárias que o país conseguirá enfrentar este problema a partir de 2020, mas através do controle da expansão das despesas e recuperação da receita, com a retomada do crescimento. O governo terá que fazer superávits nos próximos anos para sinalizar um compromisso definitivo de redução da relação dívida bruta/PIB e resgatar a capacidade de financiamento do Estado a taxas de juros reais mais próximas do padrão internacional.

Para isto já foram eliminadas uma série de distorções como os artifícios contábeis na execução orçamentária federal e descontinuada a expansão fiscal para financiar os bancos públicos, particularmente o BNDES. Havia-se criado um orçamento paralelo – semelhante à Conta Movimento extinta em 1986 – que possibilitou transferir ao BNDES depois da crise financeira de 2008, recursos do Tesouro da ordem de R$ 540 bilhões. O avanço na reforma previdenciária foi o primeiro grande avanço para viabilizar o equilíbrio intertemporal das contas públicas.

A diminuição das inconsistências da política macroeconômica está sendo essencial para preparar o país para um ambiente internacional de litígios comerciais entre USA e China, as incertezas do BREXIT, maior turbulência nos países emergentes, preços de commodities em queda e crescimento menor das principais economias do mundo.

Houve uma mudança do cenário econômico de curto prazo do país após a eleição presidencial. O resultado trouxe maior confiança ao país, influenciando a queda da taxa de câmbio para o patamar de R$ 4,0 e uma redução do risco país de 12,7% nos últimos 12 meses encerrados em outubro de 2019. A inflação está abaixo da meta central, o que possibilitou a redução da taxa básica de juros para 5% a.a. e ainda há a perspectiva de uma redução adicional em dezembro para 4,5%. a.a. Se adicionarmos a aceleração do programa de concessões e privatizações planejado para os próximos anos, estão criadas condições básicas favoráveis para um crescimento próximo a 2% em 2020 e redução gradual da taxa de desemprego. O cenário – sem dúvida – é favorável com a gradual recuperação do nível de atividade econômica, essencial para mitigar os desafios econômicos e sociais do país.

Simão Davi Silber
Professor Senior do Departamento de Economia da FEAUSP
Gente da FEA - novembro de 2019

 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 7 Novembro, 2019

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