Palestra mostra que repensar educação é o único caminho possível

Por Bruno Carbinatto 

 

A educação brasileira ainda está longe de ser ideal, e isso é um fato conhecido. Mas os dados recentes mostram que a situação está pior do que possamos imaginar. Por exemplo, 70% de toda a população adulta é analfabeta funcional, o que significa que sabem ler e escrever, mas não conseguem interpretar um texto simples. Mais de dois milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola; dos que estudam em sistema público, só 20% aprendem o esperado em português e só 3% atingem os níveis ideais em matemática — e a situação é pior ainda quando são consideradas apenas as meninas. Diante todo esse cenário, qual a saída? Segundo Tabata Amaral, a chave é o ativismo: “Nossa educação ainda vai mal porque falta vontade”, disse ela, em palestra realizada na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, promovida pelo ECar - Escritório de Desenvolvimento de Carreiras USP.

Tabata é graduada em Ciência Política e Astrofísica pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Nascida na Vila Missionária, periferia de São Paulo, a jovem se destacou em Olimpíadas de conhecimentos nacionais, o que resultou em uma bolsa de estudos em escola particular e, posteriormente, vagas em diversas faculdades do Brasil e dos EUA. Desde então, tornou-se militante pelo direito à educação de qualidade, fazendo parte de projetos como o Mapa Educação e o Movimento Acredito.

Em sua fala, Tabata lembrou que há uma grande diferença entre o discurso e a prática, quando se trata de educação. A bandeira é levantada por quase todos, mas poucos realmente agem em prol de alguma mudança. E, se falta vontade no povo, no Estado a escassez é ainda maior: “Quando se faz uma análise histórica do governo brasileiro, vemos que pela primeira vez a evasão escolar está aumentando e não diminuindo. Isso mostra que a educação também não é uma prioridade do Estado”, comenta ela.

Segundo a ativista, o problema é ainda mais grave quando se considera o alto nível de desemprego da sociedade brasileira. Estudos internacionais, por exemplo, estimam que até 2030 cerca de 2 bilhões de empregos em todo o mundo deixarão de existir, enquanto o surgimento de novos terá um ritmo bem menor. Ao mesmo tempo, no Brasil, 11.900 robôs serão comercializados até 2020, o que pode gerar consequências drásticas no mercado de trabalho. A chave de tudo isso, segundo Tabata, é a educação, e, consequentemente, políticas educacionais eficientes.

“Um dos maiores aprendizados que eu tive é que é impossível mudar a educação sem transformar a política”, disse. Nesse sentido, Tabata diferencia a política tradicional e partidária da política pública, cidadã e do dia a dia. Nesse sentido, o Movimento Acredito, do qual participa, busca a renovação política e tem como missão fazer com que as pessoas voltem a acreditar na política, mesmo em períodos tão conturbados e de crise.

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 27 Agosto, 2018

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