Originadas na FEA, startups conquistam o mercado de serviços

Por Bruno Carbinatto

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP não é referência apenas no âmbito acadêmico e no mercado de trabalho: também é conhecida por formar profissionais criativos que inovam na maneira de se pensar negócios. Esses jovens empreendedores estão criando e investindo em um importante setor que só cresce no Brasil — o de serviços. Conheça três startups de ex-feanos que desafiam o modelo tradicional e ganham força no mercado:

iFood

Hoje, é difícil pensar em delivery sem pensar no iFood. O aplicativo de entregas facilitou a forma de pedir comida em meio a demanda crescente de usuários com pouco tempo e disposição para cozinhar. Embora a ideia seja relativamente simples, a mudança foi tão impactante que hoje o iFood já é líder no mercado. E tudo começou com um grupo de feanos que pensava em formas de se reinventar no mercado tradicional.

Felipe Fiovarante, graduado em Administração, conta que a ideia surgiu quando o grupo de amigos — que vinha desde a experiência conjunta na empresa júnior — trabalhava em uma empresa de delivery por telefone. “Vimos que o futuro do delivery iria mudar rapidamente, primeiro com a web e depois com a internet”. Foi essa transição que garantiu o sucesso absoluto da startup, em uma velocidade impressionante. “Claro que nossa intenção era que o negócio desse certo, mas não sabíamos que a adoção seria assim tão rápida. Em praticamente cinco anos a empresa já era líder no mercado e crescendo muito rápido”, diz.

Lidar com uma evolução tão rápida não é fácil, e, nesse sentido, a preparação acadêmica foi essencial: “Apesar do curso de Administração na FEA na época não focar muito em empreendedorismo, aprendi bastante coisa que me ajudou principalmente quando a empresa foi crescendo. Muitos empreendedores se perdem com o grande crescimento, mas acredito que o fato de ter feito administração fez com que esse processo me fosse mais natural”.

Cheftime

Enquanto alguns fogem da cozinha, outros procuram formas práticas e fáceis de preparar as próprias receitas. Foi pensando nessa ideia que a graduada em Administração Daniella Mello e outros sócios — entre eles, o também ex-feano e administrador Hugo Godinho —  combinaram a paixão por cozinhar com a vontade de empreender e fundaram a Cheftime. A startup monta e entrega kits gastronômicos com variados ingredientes e sofisticadas receitas para o consumidor preparar em sua própria casa. O objetivo é simplificar e tornar divertido o trabalho da cozinha, muitas vezes esquecido na correria do dia a dia.

Daniella comenta que a visão macro de administradora foi essencial para conciliar os diversos setores com qual a Cheftime lida: serviços, tecnologia e logística, por exemplo. Outra curiosa experiência feana que ela considera positiva foi ter sido presidente da Atlética em sua graduação, uma primeira visão do que viria a ser o cargo de CEO que atualmente ela ocupa.

Mesmo sendo recente (a empresa foi fundada em 2015), a Cheftime tem ganhado seu espaço no mercado de forma impressionante. Daniella atribui esse sucesso à forma de pensar e entender o cliente: “Nosso produto resolve uma dor emocional e real das pessoas. Isso faz toda diferença, é claro, quando somado a outros fatores, como um time de competência”.

DogHero

Conseguir um lugar para deixar seu cãozinho de estimação enquanto viaja sempre foi um dilema para muitos, incluindo o Eduardo Baer, um dos fundadores da iFood e empreendedor com experiência no Vale do Silício. Ele teve a ideia de fundar a DogHero ao perceber que não conseguiria manter um cachorro entre tantas viagens que fazia. A startup conecta donos de cães com anfitriões – pessoas que oferecem suas casas para abrigar os animais enquanto os donos viajam, proporcionando mais segurança e comodidade para os cachorros. Ainda recente no mercado, a empresa vem ganhando força no setor de serviços principalmente pela essência inovadora e pelo grande público (no Brasil, quase metade dos domicílios tem pelo menos um cachorro de estimação).

Formado em Administração, Eduardo conta que a visão de gestor esteve presente em todo esse processo, principalmente em dois pontos: visão de negócios e gestão de pessoas. E ressalta que o curso deve incentivar outros modelos de empreendedorismo: “Existem oportunidades fora do modelo tradicional, que oferecem, inclusive, mais protagonismo e liberdade para os empreendedores”.

“É muito cômodo se manter no modelo tradicional, trabalhando em grandes empresas ou bancos. A FEA forma os melhores profissionais da área. Se não são eles que vão mudar o mercado, quem vai ser?”, finaliza.

 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 19 Julho, 2018

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