O caminho para uma economia sustentável se mostra cada vez mais benéfico para o Brasil

Autor: Dado Nogueira

Quais caminhos o Brasil terá de percorrer para cumprir as metas ambientais assumidas pelo país na CND (Compromisso Nacionalmente Determinado)? Tema importante nos dias atuais, tanto para a sustentabilidade quanto para a economia, foi debatido no evento “Os Acordos de Paris: Competências Humanas e Geração de trabalho” - promovido pela disciplina  Estratégias Empresariais e Mudanças Climáticas, na FEAUSP, no dia 22 de abril.

Sustentabilidade e Crescimento Econômico não são forças divergentes, mas, sim, caminham juntas. “Existe um Brasil em construção”, afirmou o Prof. Jacques Marcovich, referindo-se a um projeto de Brasil como potência ambiental.

As instituições participantes foram a Organização Internacional do Trabalho - OIT (Peter Poschen, diretor), a Associação Brasileira de Energia Eólica - ABEEólica (Elbia Gannoum, presidente) e o Instituto Escolhas (Sérgio Leitão e Ligia Vasconcellos, diretores). Os representantes  fizeram apresentações, nas quais exibiram seus dados, pesquisas e observações sobre o tema do evento.

A relação de benefício mútuo entre economia e sustentabilidade que a transição para uma economia verde no Brasil criaria ficou explícita. Poschen mostrou estudos sobre a geração de empregos estimada no caminho para uma economia sustentável: no Brasil, além de uma redução de 38% na emissão dos gases do efeito estufa, a taxa de empregos cresceria mais de 1,13% ao ano até 2030 e haveria a formalização de empregos como os de catadores de lixo, por exemplo. Para o pesquisador, o necessário é que sejam criados empregos de qualidade e dignos.

O instituto Escolhas exibiu um de seus estudos que mostra os efeitos de uma das metas brasileiras, reflorestar 12 milhões de hectares de floresta, na economia. No pico de reflorestamento, 215 mil pessoas ocupariam postos de trabalho. Elbia Gannoum, presidente da ABEEólica, mostrou dados da geração de postos de trabalho pela fabricação e instalação das torres eólicas. A cada Giga Watt de potência instalado, geram-se 15 mil postos de trabalho. Só em 2016, foram 30 mil empregos criados por conta da energia eólica. Atualmente, os campos de energia eólica representam 7% da potência instalada brasileira, o que poderia ser maior se houvesse mais demanda. O país atualmente é altamente dependente da energia hidrelétrica (69% da potência instalada). Elbia afirmou que as fontes de energia renovável do Brasil são complementares, uma compensando a falta da outra (tendo-se que energias limpas dependem dos fenômenos naturais - água e vento, no caso). Por isso, o Brasil possui o maior Fator de Capacidade (38%), ou seja, o maior potencial de produção de energias limpas do mundo.

A contribuição socioeconômica da instalação dos campos eólicos também foi destacada pela presidente da ABEEólica. Segundo ela, a instalação das torres pelas empresas gera uma maior fixação do homem no meio rural; ganhos ao trabalhador rural com arrendamento das terras para as empresas de energia; possibilidade de exercício e atividade complementar, como criação de gado junto às torres; e capacitação das populações locais.

Algumas dificuldades na transição para uma economia sustentável no Brasil foram apontadas. Peter Poschen destacou a necessidade de mão de obra qualificada para a transição, algo que precisaria ser pensado com antecipação, e o problema logístico da realocação de muitos empregos, que seria necessária. O Instituto Escolhas apresentou os valores a serem investidos para que se alcance a meta do reflorestamento: 15 bilhões de dólares que, com a receita proporcionada pelo corte regular da madeira e os impostos, resultariam num déficit de 6 bilhões de dólares. Além do alto investimento necessário, outra grande dificuldade citada foi a questão fundiária. Legalmente, os proprietários têm direito a desmatar até 20% de suas propriedades e não se pode contar que todos estarão dispostos a abrir mão de área útil para o reflorestamento, especialmente os pequenos e médios proprietários, que muitas vezes cultivam para a subsistência.

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 31 Março, 2017

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