No Setembro Amarelo, a FEA Social debateu o tema saúde mental

Por Breno Queiroz

 

Setembro é o mês escolhido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), junto com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) para a campanha  de prevenção ao suicídio no Brasil, o Setembro Amarelo. Na FEA, o período foi marcado por avisos, cartazes e discussões. Dentre as atividades, uma mesa redonda com dois experientes analistas promovida pela FEA Social. 

No dia 24 de setembro, o doutor Pablo Carvalho, do Instituto de Psicologia da USP (IPUSP), e a psicóloga e pós-graduanda em Educação, Saúde e Terapia Sexual pelo Hospital Pérola Byington, Leticia Perfeito, tiveram uma conversa com alunos da graduação sobre saúde mental. O recorte é importante, já que o meio universitário, em função das suas precariedades, ritmo alucinante e, muitas vezes, tudo isso em conjunção com uma segunda vida de trabalho, está no foco dos problemas psíquicos e do bem-estar emocional.   

Durante a mesa, Pablo tentou passar uma leitura do famoso médico e psicanalista francês Christophe Dejours. Segundo Dejours, o trabalho em si é um sacrifício. Mas não quer dizer que ele deva, em decorrência disso, ser evitado. Pablo, a partir de sua leitura, entende que esse sacrifício deve ser pensado conforme seu contexto, e deu o exemplo do vestibular. 

Na fase do vestibular, alguns esforços impactam em menos tempo para os amigos, menos tempo de redes sociais, menos tempo de sono. Além de contrabalançar os efeitos imediatos para a saúde mental do tempo concentrado em isolamento, Dejours faz o sujeito da ação se questionar: “Meu trabalho me dá espaço para expressar minha individualidade?”; “Estou sendo reconhecido por isso?”. Sem essas condições, pouco se pode obter como recompensa de tal sacrifício.

O exemplo é importante porque também evidencia as fases de acirramentos e relaxamentos das tensões emocionais. E, portanto, é justo nos conhecermos o bastante para identificar tais períodos em nossa história de vida, para a partir daí determinarmos nossos próprios limites.

“Esses momentos de auto-conhecimento são importantes. Voltar e descobrir seus mecanismos de funcionamento para servir de termômetro em situações semelhantes no futuro”, sintetizou Letícia. Ela também concordou com Pablo sobre a ideia de criar uma rede de apoio. 

De certa forma, a competitividade nos distancia. Amigos de graduação mais comumente competem pelas notas, vagas de estágio e promoções. Logo, é preciso criar uma rede de segurança, com pessoas de confiança, capazes de reconhecer seu esforço e colocar os delírios em perspectiva. 

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 4 Outubro, 2019

Departamento:

Sugira uma notícia