Maria Silvia Bastos, da Goldman Sachs, faz palestra na FEA

Por Bruna Arimathea

A polarização da eleição presidencial pode levar a caminhos desconhecidos. A afirmação foi feita pela presidente e CEO da Goldman Sachs no Brasil, Maria Silvia Bastos, em evento realizado na FEAUSP. Segundo a executiva, a economia brasileira em dificuldades não deve se beneficiar em nenhum dos lados indicados nas pesquisas eleitorais. “O que me preocupa nesse cenário de polarização é que a gente pode entrar em caminhos, pelo menos para mim, desconhecidos. Eu vejo nossa economia muito fragilizada. Nós temos 13 milhões de desempregados, e talvez eles não consigam se empregar, porque os empregos mudaram, as indústrias são outras, muitas empresas fecharam durante essa crise. A economia brasileira sofreu muito e está longe de ter um caminho claro de retomada”, alertou. 

Maria Silvia Bastos participou do evento Lendas do Mercado Financeiro, organizado pela Liga de Mercado Financeiro da FEAUSP, ocasião em que falou sobre profissão e conquistas ao longo de sua carreira. Ao contar sobre a sua trajetória, relembrou as passagens pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Prefeitura do Rio de Janeiro, além de sua passagem na vida acadêmica.

Formada pela Fundação Getulio Vargas em Administração, Maria Silvia também completou o mestrado e o doutorado em Economia pela instituição, e ingressou na academia como professora da PUC-RJ. Depois de ser convidada para atuar no governo de Fernando Collor de Mello, a carioca, com menos de 30 anos na época, descobriu a paixão pela vida executiva e desde então tem ocupado cargos de grande relevância, com destaque para a presidência do BNDES, Secretaria da Fazenda do estado do Rio de Janeiro e o trabalho na Empresa Olímpica Municipal, responsável por toda preparação da Olimpíada de 2016.

Com mediação de Lucinda Pinto, editora do jornal Valor Econômico, a executiva foi convidada a refletir sobre diversas questões do mercado e compartilhar com os estudantes seus pensamentos a respeito dos diversos cenários hoje estabelecidos, desde a presença feminina à frente de uma importante instituição até a situação do país nos âmbitos interno e externo.

Primeira mulher na chefia de todas as empresas pelas quais passou, Maria Silvia entende a importância de dar visibilidade para que a presença feminina se torne mais comum em altos cargos empresariais. “Em 90% dos conselhos de administração eu fui a primeira mulher também. Isso é uma coisa que, eu tenho que confessar, não prestava muita atenção, foi acontecendo naturalmente. A partir de um certo tempo eu comecei a olhar mais pra isso”, comentou.  

“Eu sempre senti muita estranheza. Acho que até porque os homens, muitas vezes, esperam que uma mulher que está em posições elevadas se comporte como homem. Eu nunca me comportei como homem, e acho que minha grande vantagem é ser mulher. O que eu não acho que mudou é o cenário de muitas mulheres ocupando altas posições em empresas e bancos. O que mudou foi a preocupação com isso. A mudança é inevitável porque a sociedade pede isso, os clientes pedem. As pessoas tendem a privilegiar empresas que tem uma política de diversidade ativa. Importante é entender como fazer isso”, afirmou.

Sobre a atual fase do Brasil, principalmente política, Maria Silvia pontuou que uma das mudanças na sociedade civil mais importantes é o engajamento da população. Para ela, os movimentos que se relacionam com a política vieram para ficar, depois de anos de inércia antes da ressurgência das manifestações, tanto nas ruas quanto em outras ações de mesmo cunho.

“O engajamento da sociedade civil mudou. A sociedade está se manifestando a favor ou contra [a política]. Eu não acredito em mudança se não for assim. Acho que se a gente não entender que somos agentes de mudança, as coisas não vão mudar. Acho que temos que participar das escolhas e temos que saber em quem votar, se envolver nas eleições, e eu acho muito positivo que isso esteja acontecendo. Isso me anima”, pontuou.

O encontro marcou a primeira edição do Lendas do Mercado Financeiro - inspirado no evento de comemoração aos 10 anos da entidade, que trouxe Gustavo Franco para o FEA-5 - o qual a entidade planeja repetir anualmente. Luis Augusto Bastos, presidente da Liga de Mercado Financeiro, destacou a importância de trazer uma personalidade marcante como Maria Silvia para a FEAUSP.  “É muito gratificante, como Liga, organizar eventos com profissionais como este. Maria Silvia é um exemplo em que nos inspiramos. Ter a possibilidade de conversar antes do início evento e ouvir todos os desafios que pessoas de renome como ela passaram é algo que nos motiva muito, seja no sentido de nos dedicarmos cada vez mais para alcançarmos uma posição de destaque, como entidade, seja para continuarmos trazendo e aproximando convidados assim do público feano”, afirmou.

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 26 Setembro, 2018

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