Livro sobre negócios de impacto ambiental tem nova roda de debates

Por César Costa

 

Contando desta vez com aproximadamente 70 participantes, a terceira roda de conversa sobre o livro Negócios de Impacto Socioambiental no Brasil: como empreender, financiar e apoiar discutiu os capítulos cinco, “Como ficar de pé”, e seis, “Encontrando um modelo de negócio (e uma teoria da mudança)”. Na conversa, Maure Pessanha, autora do capítulo cinco, apontou falsos positivos como um dos fatores que influenciam de forma determinante para a continuidade de uma empresa.  

Na discussão estiveram a Profa. Graziella Comini, do departamento de Administração da FEA, uma das organizadoras do livro e a mediadora da conversa; a autora do capítulo cinco e diretora executiva da Artemisia, Maure Pessanha; um dos autores do capítulo seis, Haroldo Torres, além de outros autores do livro Edgard Barki e Rosa Maria Fischer.

O ambiente foi descontraído. Maure Pessanha e Haroldo Torres tiveram aproximadamente 30 minutos para falar sobre os capítulos. Eles relataram seus objetivos e fizeram questionamentos a partir da leitura. “É uma roda com pretensão de refletir sobre os temas propostos pelo livro” ressaltou a mediadora Graziella Comini. 

Como ficar de pé - Maure Pessanha

A autora começa dizendo que é um capítulo um pouco mais pragmático. “Para um negócio ficar de pé é necessário ir para rua e validar hipóteses” ela explica e ainda complementa: “é importante buscar por dados e evidências para empreendedores evitarem falso positivos”.

Quando entra em contato com os empreendedores, Maure diz que muitos acham que estão na fase de escalonar vendas, mas no fundo, ele não validou nem o produto e nem a linguagem que ele precisa usar com seu consumidor. “Sempre pontuamos para eles que estão na etapa de validar seu produto ainda. Demonstramos as evidências para o empreendedor e o porquê rankeanos eles no estágio anterior” ela completa. 

A diretora da Artemisia reforçou bastante a questão dos falsos positivos e como são prejudiciais para os empreendedores. E, em termos de negócio de impacto, a discussão fica ainda mais complicada. “Como a mensuração é complexa, esses falso positivos são mais difíceis de identificar. Até que pontos os clientes não podem ser também um falso positivo em suas avaliações? Estamos discutindo como sobreviver” ela finaliza ainda destacando que isso era um questionamento pré-covid.  

Depois desse primeiro momento de exposição, Graziella questionou a autora do capítulo cinco sobre alguns temas. Em relação de como iniciar um novo negócio, Maure foi clara ao dizer “não existe receita de bolo. O empreendedor precisa identificar as pessoas certas para começar o negócio. É uma variável importantíssima quem você traz para seu time”. Edgard Barki concorda com esse ponto de vista e alerta “tudo que se toma cuidado no começo é mais fácil cuidar depois”.

A pesquisadora segue explicando dizendo que não há restrições para família ou cônjuges, deixando claro que não é isso que faz a diferença. “É preciso ter pessoas complementares e saber não aceitar qualquer dinheiro” ela conta. Também menciona a importância de desenvolver a empresa com um passo de cada vez, sem atropelar os processos, mas ainda destaca que a parte mais importante para o sucesso de empreendimentos são os parceiros escolhidos para tocar o negócio. 

Outra questão feita para Maure foi em relação aos motivos que levam ao insucesso de uma empresa. Ela relativiza, dizendo depende muito do setor em que se encontra a empresa. Às vezes o problema é relacionado ao produto, às vezes ao modelo de negócio. “Em educação, muitas vezes o complicado não é a solução, mas sim, o modelo escolhido. Em saúde, o mercado é sensível. A validação do produto já é mais complexa” exemplifica a pesquisadora. 

Encontrando um modelo de negócio (e uma teoria da mudança) - Haroldo Campos

O segundo a fazer a exposição foi Haroldo Campos. O ponto central de suas ideias é entender que os modelos de negócios são sempre voláteis no início e isso desafia as capacidades da empresa de produzir impacto. “Modelo de negócio é sempre um processo em construção” começa explicando.

Ele diz que a criação da base de um empreendedor, num primeiro momento de sua jornada, é um conjunto de hipóteses ainda não validadas. A medida que o negócio é desenvolvido, o modelo do empreendimento vai mudando ao longo do processo.

“É importante entender que a mudança é inevitável. Não seja apegado” diz o pesquisador. Em relação a questão de impacto, ele explica que há uma questão muito interessante no seu ver: “na medida que um modelo vai oscilando, a intensidade do impacto vai variar junto”. 

Dentro do capítulo, os  dois autores trouxeram alguns conceitos fundamentais para um empreendedor, principalmente o de impacto. “Um primeiro conceito fundamental é uma ideia de ter um custo do produto superior ao que você precisa gastar - e nisso tem um conceito de Custo de Aquisição do Cliente” começa explicando Haroldo. “Demora muito para adquirir um cliente e tem um custo muito alto. É um problema sério para se desenvolver”.

A segunda questão apresentada é a demanda. Ele conta que o empreendedor pode ter um produto maravilhoso mas pode acontecer de não conseguir a demanda suficiente para mantê-lo. O terceiro desafio é a eficiência. É necessário disciplina e buscar gastar menos por unidade de produto. 

A quarta questão tem diálogo com esse tema de governança de Maure. O produto pode ter um custo de aquisição baixa, consiga vender, tenha melhorado sua eficiência, mas pode não ter margem suficiente para remunerar o grupo responsável pelo empreendimento de forma satisfatória. 

O último desafio é o caixa. “A empresa pode perder dinheiro a curto prazo, mas ela não vai morrer se houver caixa. Busca-se investidores para aumentar o prazo de sucesso. Poucos sabem responder quantos meses eles conseguem garantir a empresa” explica Haroldo.

Por fim, ele foca na questão de impacto. O pesquisador destaca que existe um espectro de possibilidades para ter impacto dentro dos negócios. “Há negócios que aparentemente não tem impacto nenhum mas os empreendedores tem tanto compromisso e vínculo que decidem, por exemplo, cederem grandes porcentagens de seu lucro para ONGs e semelhantes” finaliza.

O que mais você precisa saber

Como dito no início, esse é o terceiro debate sobre o livro Negócios de Impacto Socioambiental no Brasil. Tudo que aconteceu na primeira roda você pode ler nesta matéria

As rodas estão acontecendo semanalmente. Cada edição tem convidados diferentes e são discutidos outros capítulos do livros. Elas acontecem toda terça-feira e sempre tem o seu link Zoom compartilhado no Semana na FEA.

 

 

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 8 Maio, 2020

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