José Pastore discute futuro do mercado de trabalho no Brasil

Por Giovanna Costanti

 

Na terça-feira, 25, a Faculdade de Economia e Administração da USP realizou uma aula sobre o mercado de trabalho no Brasil para alunos intercambistas com o professor José Pastore. O evento, aberto também para feanos, intitulado “Labor market and the future of employment in Brazil”, discutiu as perspectivas na geração de empregos no país e problemas conjunturais e estruturais, como o desemprego e o aumento da informalidade.

 

Pastore abordou o crescimento do trabalho informal no país que, segundo ele, está relacionado à atual situação econômica e à mudanças estruturais da sociedade brasileira. “Ao mesmo tempo que a taxa de desempregados, ainda alta e severa, caiu nos últimos meses, o trabalho informal cresceu muito rapidamente”, explica. 

 

Um dos principais problemas discutidos durante a palestra foi o fato de que trabalhadores informais não estão sujeitos às proteções sociais advindas do Estado, como a previdência social e as leis trabalhistas. “E quando as pessoas começam a envelhecer, a situação fica pior”, acrescenta.

 

Segundo Pastore, outro ponto preocupante é a taxa de desalentados, que também é alta. Esse grupo se caracteriza por aquelas pessoas que pararam de procurar por um emprego por estarem há meses sem conseguir encontrar. O professor relaciona essa grave situação à recessão econômica, crescente desde 2012, com um salto entre 2015 e 2016. 

 

A situação atinge grupos da sociedade de forma distinta. Um quarto dos jovens brasileiros estão desempregados. Mais de 1 milhão tem buscado por um emprego nos últimos dois anos, sem sucesso. Territorialmente, o nordeste é a região que mais sofre com a situação. 

 

Os impactos sociais, segundo Pastore, são latentes. Aumento da desigualdade, pobreza, fome, aumento da população em situação de rua e redução das taxas de natalidade, com consequente redução do mercado consumidor brasileiro. 

 

Para ele, a saída é a qualificação do mercado de trabalho. As áreas com mais oportunidades econômicas têm sido aquelas que exigem ao profissional uma alta qualificação, como a área de Tecnologia da Informação, Engenharia, Agrobusiness, geração de energia e  Indústria 4.0. 

 

“É preciso uma conexão entre a universidade e o mercado de trabalho. Precisamos reter talentos, requalificar a população com educação e formação”, comenta. “Além disso, é preciso uma política de forte geração de empregos. Mas levará décadas para vermos os impactos”. 

 

A palestra gerou grande participação dos alunos estrangeiros. Entre os pontos levantados pelos intercambistas, estavam o uso do potencial natural brasileiro para a geração de empregos e como a situação atual da Amazônia pode impactar nesse cenário. A questão da instabilidade política também foi levantada como fator que pudesse gerar uma piora na situação econômica e na relação com países estrangeiros. 

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 30 Setembro, 2019

Departamento:

Sugira uma notícia