James Wright, um professor que projetava cenários futuros

Por Cacilda Luna

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEAUSP) está de luto. Faleceu no último dia 8 de julho, aos 67 anos, o professor James Wright, do departamento de Administração. Diretor geral da Faculdade FIA de Administração e Negócios, Wright aposentou-se da FEAUSP em março deste ano. Era coordenador dos cursos e consultorias do Profuturo/FIA e presidente do conselho fiscal da Ambev. Ele deixa esposa (dona Zina), 3 filhos, 2 enteados e netos. 

Dentro da área de Administração, Wright tinha experiência em empresas privadas no Brasil, África e Europa, atuando principalmente nos temas: cenários, planejamento estratégico, previsão de tecnologia e inovação. Recebeu o Prêmio Jabuti – 2000 pelo livro “Impacto Agroambiental – Perspectivas, Problemas, Prioridades”. Também foi premiado por seu desempenho didático no programa de pós-graduação em Administração da FEA nos anos de 2002 a 2004.

No final de 2016, o professor James Wright foi um dos conferencistas do ciclo de palestras “Repensar o Brasil”, em comemoração aos 70 anos da FEAUSP. Na ocasião, ele conduziu o tema “Repensar São Paulo para Repensar o Brasil”, trazendo detalhes do projeto “SP 2040 – A Cidade que Queremos”, que foi liderado por ele em 2010, com a participação de um grupo de professores da USP (FEA, FAU e Politécnica) e técnicos da Prefeitura de São Paulo.

O projeto pensava em como transformar a maior metrópole brasileira para que seus habitantes pudessem viver dignamente no futuro. Para alcançar esse objetivo, foi desenvolvido um plano estratégico que contemplava um horizonte de 30 anos. Wright explicou que “a ideia do projeto era criar uma visão de futuro, uma estratégia de desenvolvimento que seria implantada por sucessivas administrações, e não apenas num mandato”.

Após ouvir 300 especialistas locais, 10 consultores internacionais e 25 mil cidadãos, o estudo propôs como sugestões aproximar a moradia do emprego, recuperar a qualidade ambiental, modernizar a infraestrutura urbana, fomentar a produtividade e a competitividade, promover a inclusão social, e ampliar a capacidade de investimentos da cidade. Para o docente, o papel projetado para a cidade era o de ser um centro global de negócios e de inovação. “Precisamos ser de fato um exemplo para o mundo, um palco comercial que alavanca o país todo”, pregava Wright.

Para viabilizar essa ideia e dar condições dignas para a população, o professor James Wright afirmava que São Paulo deveria se tornar uma cidade policêntrica. “Imagine uma metrópole que possua vários centros, onde seus moradores não precisem se deslocar muito para chegar ao trabalho ou para ter acesso a serviços como educação, saúde e lazer”. Esse foi o cenário idealizado pelo projeto e defendido pelo professor James Wright em suas explanações acerca do assunto.  

Outro projeto que o professor James Wright esteve envolvido foi o Brasil 2020, que também visava pensar o país a longo prazo. O objetivo maior, segundo o docente, era melhorar a qualidade de vida da população, por meio da distribuição de renda, do crescimento da economia e da redução das desigualdades regionais.

O projeto estabeleceu três pilares. O primeiro era formado por educação de qualidade, saúde e saneamento, e aumento da qualificação e produtividade da mão de obra. O segundo, por instituições sólidas, principalmente as instituições públicas. E o terceiro pilar era composto por investimento em ciência, tecnologia e inovação, inclusão digital, sistemas mais eficientes de transportes e energia, e sustentabilidade.

“Precisamos melhorar em todas essas dimensões”, dizia o professor James Wright. “Não adianta simplesmente distribuir renda. O Bolsa Família é um programa útil para uma situação emergencial, mas ele não sustenta nada efetivamente para o futuro. A gente precisa construir a casa em cima desses pilares”.

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 10 Julho, 2018

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