A inteligência das emoções e uma carreira de propósito

Bruna Arimathea

 

O que inteligência tem a ver com as emoções? Para Rafael Rodrigues de Souza, os dois aspectos estão intimamente ligados. Graduado em psicologia analítica, Rafael ministrou a palestra “A Inteligência das emoções e uma carreira de propósito” na FEAUSP, no último dia 14, e desvendou que a inteligência emocional é muito mais importante do que realmente parece.

O psicólogo contou que para lidar e exercitar a inteligência emocional é necessário percorrer quatro passos: autoconhecimento, habilidade social, autocontrole e empatia. Segundo ele, esses são os fundamentos capazes de colocar qualquer emoção sob controle e aumentar as chances de construir uma carreira de sucesso.

Desmembrando cada passo ao longo da conversa, Rafael ressaltou que certas capacidades são controláveis a partir do momento em que são identificadas. Assim, reconhecer aspectos não tão desejáveis de cada indivíduo é fundamental para que a inteligência emocional seja aliada no dia a dia em sociedade.

Por exemplo, o psicólogo citou que existem certos comportamentos fisiológicos que indicam esse tipo de atitude: irritabilidade, angústia, insegurança ou desespero. Chamados de “sombras” esses sintomas são aqueles que ficam no inconsciente, como uma espécie de aviso para atitudes ou ideias repreendidas. “Nossa vida é mais ou menos assim: temos o nosso consciente, que faz com que a gente pense sobre algo. Só que tem algo muito intenso acontecendo a todo tempo, que a gente não tem muita dimensão, que é o inconsciente, e ele é muito maior do que a gente imagina. Ele está o tempo todo atuando em vários aspectos”.

No âmbito do trabalho, as características citadas por Rafael ficam evidentes para uma boa relação e convívio em ambientes empresariais. No autoconhecimento, é importante saber seus limites e saber lidar com os próprios aspectos valorativos, em detrimento do que pode ser exigido externamente. A habilidade social se relaciona com o impacto que cada pessoa gera em seu ambiente. O autocontrole reitera a necessidade de entender as partes boas das emoções, mesmo que nem todo sentimento seja positivo - aprender a olhar o crescimento a partir das decepções, por exemplo - enquanto a empatia pode se dar ao olhar o trabalho do outro, entender as capacidades alheias ou mesmo permitir que as pessoas demonstrem suas fragilidades.

Ainda assim, para o psicólogo, cada carreira é uma construção única e individual, de acordo com as escolhas e habilidades de cada pessoa. Rafael destacou que o importante, acima do ideal de sucesso, nesse caso, é traçar um caminho que promova o bem estar e desenvolva as melhores características próprias de cada indivíduo. “Carreira é uma jornada, não é um objetivo. Uma carreira com propósito é aquela em que, mesmo sem saber explicar muito bem, te faz uma pessoa melhor, permite vivenciar o autoconhecimento”, encerrou.

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 26 Novembro, 2018

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