A Inteligência Artificial como futuro da área de Recursos Humanos

João Mello

 

As novas tecnologias de inteligência artificial estão moldando uma realidade que gera, cada vez mais, um grande volume de dados. Pensando nisso, o Núcleo GQVT (Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho), coordenado pela professora Ana Cristina LImongi-França, convidou a diretora do LabData-FIA e professora da FEA, Alessandra Montini, para uma palestra sobre como o People Analytics e o Big Data podem criar oportunidades para o futuro e transformarem-se em ferramentas importantes para o local de trabalho. 

 

Logo no início da palestra moderada por Rodolfo Ribeiro (CEO da startup 7waves), Montini definiu o que é Big Data, ou seja, não é apenas um banco de dados com muitos registros ou um software, mas sim "o futuro do RH". Trata-se de "um conjunto de metodologias utilizadas para capturar, armazenar e processar um volume de informações de variadas fontes". 

 

O Big Data seria um processo composto por camadas, que funcionaria como uma pirâmide (imagem ao lado). Na base, a camada de Tecnologia faria a captura e o armazenamento de dados. Em Analytics, esses dados passariam por análises de diferentes métodos. E, na Visualização, as lideranças da corporação seriam responsáveis por interpretar dados e gráficos, fazer um diagnóstico, ter ideias e tomar decisões. 

 

Segundo Alessandra Montini, existem dois tipos de dados. Idade, renda, sexo e estado, por exemplo, são mais tangíveis, os chamados dados "estruturados", e podem ser quantificados e analisados a partir de técnicas de Estatística Aplicada. Por outro lado, os dados "não estruturados" — como imagem, som e texto  — possuem uma complexidade que requer o uso da Inteligência Artificial. "Os cientistas de dados trabalham para analisar dados não estruturados", definiu.

 

Nesse sentido, a docente citou diversas iniciativas e projetos que podem contribuir para a sociedade e para as empresas. Com a inteligência artificial, pode-se dizer se um contribuidor tem depressão ou está insatisfeito com o trabalho a partir de análises de voz. Já uma tecnologia de identificação facial pode ajudar portadores de Alzheimer, com um óculos capaz de reconhecer os rostos de amigos e familiares, relembrando a pessoa com um aviso sonoro. 

 

Há também a iniciativa de um petshop que criou uma ferramenta para identificar emoções em cachorros para determinar se eles gostam ou não de brinquedos da loja online. Ainda, a inteligência artificial poderá impedir acidentes com carros que param sozinhos e, caso acidentes ocorram, agilizam o processo de contatar a seguradora e pedem um Uber para que a pessoa chegue ao seu destino. 

 

Reafirmando como o futuro RH e de várias outras áreas estaria na inteligência artificial, Montini também destacou como essa tecnologia pode ser usada em gestão de pessoas, comodidade, segurança, análise de texto, acalmar colaboradores, política de bem-estar, registro de presença, saúde, monitoramento de funcionários e entrevistas de trabalho. 

 

A especialista destacou que vivemos numa "Sociedade 5.0", bastante propícia para o desenvolvimento de tecnologias de Big Data e inteligência artificial. Segundo ela, esta sociedade está equipada com vários dispositivos que geram monitoramento. "Estamos na era dos dados", disse a docente, ressaltando que vivemos em uma realidade onde existe uma maior necessidade de se tomar decisões rápidas e assertivas, e onde se aumentou a capacidade das tecnologias de processar dados. "Cada dia é mais barato processar, principalmente na nuvem". 

 

Montini fez uma ressalva de que, apesar das melhorias geradas em decorrência da análise de dados, há o perigo de invasões de sistemas, sendo necessário capturar, armazenar e processar essas informações de acordo com a Lei Geral de Proteção a Dados Virtuais. Ela explicou que a "LGPD" é clara quanto à necessidade de consentimento do usuário para uso de seus dados, impondo uma multa de 2% sobre o faturamento da empresa que descumprir as medidas de proteção de dados, podendo chegar até 50 milhões de reais. 

 

Utilizando-se de maneira ética e responsável os chamados 7 V's do Big Data (Velocidade, Variedade, Volume, Visualização, Veracidade, Vulnerabilidade e Valor), a professora Alessandra Montini acredita que, para o futuro, existem possibilidades de bons usos dessa tecnologia. Apesar de ter também "uma classe para o mal", ela pode transformar a sociedade positivamente. 

 

 

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 24 Agosto, 2020

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