FEA Pública discute a violência nas escolas e meios de intervenção

Breno Queiroz

 

Que as escolas abram suas portas e conheçam o território em que estão. A sugestão foi dada pela professora Sônia Maria Portella Kruppa, da Faculdade de Educação da USP, como forma de mitigar a violência nos espaços de ensino. Ela foi uma das palestrantes do evento “À Luz do Caso de Suzano: Segurança nas instituições de ensino público”, promovido dia 11 de junho pela FEA Pública, entidade estudantil preocupada com questões relacionadas ao setor público.

 

Tendo como pano de fundo o massacre ocorrido em uma escola pública de Suzano, em março passado, quando 2 ex-alunos assassinaram 8 pessoas e depois se mataram, o evento teve como proposta analisar os fatores da violência que afeta alunos, professores e funcionários de escolas públicas e sugerir meios de intervenção. Para falar sobre o tema, além da docente da FEUSP, foi convidado o especialista em gestão educacional pelo Senac-SP. André Henriques Fernandes Oliveira. 

 

Dados citados no evento apontam para uma tese de consenso entre os palestrantes: pensar nas escolas é pensar “qual tipo de sociedade a gente quer”. Integrantes da FEA Pública apresentaram pesquisa da Unesco, realizada em 2001, com 1 milhão de estudantes, em que 45% conheciam casos de pais, professores, funcionários ou alunos ameaçados no interior das escolas, 25% sabiam de casos de agressões ou espancamento contra essas pessoas, e 11% conheciam casos de estupro dentro ou nos arredores das escolas.

 

Por sua vez, Sônia Kruppa (foto ao lado) apresentou dados do Atlas da Violência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O material revela que, em 2016, a quantidade de homicídios em todo Brasil foi maior que 62 mil. Destes, mais de 33 mil são jovens, na faixa etária de 15 a 29 anos. “A gente não sabe o que fazer com o jovem no Brasil há muito tempo”, disse.

 

André Oliveira relembrou o caso de Realengo (RJ), quando um homem armado com dois revólveres entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, e matou 12 adolescentes, em 2011. Para ele, o massacre teve reflexos na arquitetura da instituição que coordena atualmente. “A ETEC Guaracy Silveira não tinha grade alguma antes de Realengo”. 

 

Para a professora da FEUSP, é preciso refletir a relação da segurança com a liberdade. Disse que “quem guarda o lugar público, é o público”. E ilustrou, contando uma situação que vivenciou na Secretaria Municipal de Educação de Suzano: garotos da comunidade pulavam o muro da escola para usar a quadra. Enquanto a diretora da escola pedia à Sônia Kruppa que chamasse a Guarda Civil Metropolitana, a docente questionava por que não abrir o portão, já que aquela era a única quadra no bairro.  

 

O ponto de vista da professora, de integração com a comunidade, é questionador das origens da violência, e como ela é entendida pelo Estado. “Quem é violento? Onde está a violência, no jovem?”. Sônia Kruppa critica lançar mão da segurança como justificativa para restringir o caráter público do ensino, quando as medidas são tomadas no sentido de isolar a instituição da comunidade ao seu entorno. “Escola não é só o prédio!”, sintetizou ela.  

 

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 19 Junho, 2019

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