FEA Professores - Ênfase na sustentabilidade, no empreendedorismo e na diversidade

“O convite para a EAESP me pegou de surpresa. Não tinha a intenção de assumir outra posição como essa. Ao mesmo tempo, representa um desafio muito significativo.

    MARIA TEREZA LEME FLEURY, PROFESSORA TITULAR E EX-DIRETORA DA FEAUSP, ASSUMIRÁ EM AGOSTO A DIREÇÃO DA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO (EAESP), DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, ONDE INICIOU SUA CARREIRA ACADÊMICA. Ao anunciar essa decisão, recebeu várias homenagens e manifestações de apreço de professores, alunos e funcionários da Faculdade. Maria Tereza deverá se afastar da FEA, mas continuará professora da casa. Nessa entrevista, ela explica por que resolveu aceitar esse novo desafio, fala de sua experiência na direção da FEA e das possibilidades de ampliar a ponte de cooperação entre a FEA e a FGV, duas instituições que estão na linha de frente da formação de importantes quadros dirigentes para o Brasil.

A sua experiência na FEA será um referencial importante para o novo cargo?
    Acho que a experiência de ter estado na direção da FEA foi muito importante em termos de um outro aprendizado, que é o aprendizado da gestão de uma unidade de ensino, mas que tem muitas semelhanças com as organizações privadas e diferenças com outras organizações públicas uma vez que se trata de uma unidade de ensino que, inserida dentro da Universidade de São Paulo, tinha consigo, ligadas a ela, três fundações. Essa experiência para mim foi muito rica. Acredito que assumi a FEA em um momento muito especial, de grande desafio. Nós estávamos com problemas na pós-graduação, uma relação não simples com a Reitoria e as outras Unidades, e toda a crítica às fundações, com uma série de questionamentos inclusive por parte de alunos de graduação e pós-graduação. E eu senti que foi muito importante mobilizar o que havia de bom aqui dentro da Faculdade, mobilizar os professores, os funcionários, os alunos, em termos de um projeto, que é o projeto de a gente poder fazer uma unidade integrada dentro da Universidade e ter ao mesmo tempo uma identidade própria. No final do período, senti que tinha aprendido muito, que tinha crescido muito com esse projeto, mas ao mesmo tempo não tinha muito desejo de ir para qualquer outra posição administrativa dentro da USP. Aí foi o momento de me voltar para a minha carreira de pesquisadora internacional e dar uma alavancada nela. Acredito que foi positivo.

Qual foi a sua reação ao convite para assumir a direção da EAESP?
    O convite para a EAESP me pegou de surpresa. Não tinha a intenção de assumir outra posição como essa. Ao mesmo tempo, representa um desafio muito significativo, porque, pela primeira vez, eles fizeram um processo de escolha de diretor mais no padrão americano e europeu. Eu iniciei minha carreira na GV. Fui seis anos professora lá. Ela tem desafios que para mim são próximos e ao mesmo tempo diferentes dos desafios da FEA. O que é próximo? Eles estão em um momento de grande questionamento em termos de governança, da relação da EAESP, que sempre foi uma unidade mais isolada, com o conjunto da Fundação Getulio Vargas. E isso, para mim, guarda certa proximidade com os desafios que a FEA enfrentou e enfrenta em termos da sua inserção na USP. O segundo ponto é que a EAESP está passando por uma reestruturação muito significativa em termos do modelo de gestão das atividades mais voltadas para consultoria ou para treinamento de executivos gerenciadas separadamente das atividades acadêmicas, o que também guarda certa semelhança com nosso modelo FEA-fundações.

Sua ida para a direção da EAESP abre novas possibilidades de cooperação entre a FGV e a FEA?
    Sempre houve um acordo de parceria entre o Departamento de Administração da FEA e a EAESP, em termos da pós-graduação. Temos um sistema de matrículas cruzadas e eu acho que justamente o fato de eu estar na direção da faculdade lá, mas ainda como professora aqui, vai possibilitar uma colaboração em termos acadêmicos, de pesquisas, de trazer professores, de todo esse projeto de internacionalização das universidades brasileiras, eu acho que vai ser importante. Muita gente acha que há concorrência entre as duas escolas. Sempre tem esse lado de competição e eu penso que competição é uma coisa saudável, mas muito mais importante que a competição é a colaboração.

Quais são seus planos para a EAESP? 
    Eu quero desenvolver na EAESP três pontos que devem ser muito trabalhados. O primeiro é a sustentabilidade. Hoje, precisamos pensar o tempo todo na formação de pessoas e no desenvolvimento do conhecimento para a sustentabilidade. Sustentabilidade ambiental, mas também sustentabilidade econômica, sustentabilidade social. Acho que ao formar tanto o jovem na graduação quanto o professor, o pesquisador na pósgraduação, os executivos nos cursos de capacitação gerencial, é fundamental levar em conta a sustentabilidade. Outro tema que a gente precisa trabalhar é o tema do empreendedorismo. Hoje os jovens têm de ser muito mais empreendedores, não só pensando em empreendedorismo em termos de abrir o próprio negócio, uma empresa, mas ser empreendedores em qualquer das organizações em que forem atuar. O terceiro tema que para mim também é muito caro e importante é a diversidade. Vivemos em um mundo cada vez mais diverso, um mundo em que é preciso estar sempre convivendo com pessoas de formações, de origens e de projetos diferentes. A capacitação de jovens, pesquisadores e executivos para trabalhar num ambiente mais diverso com esse global mind set, essa mentalidade mais global, também é crucial para o mundo de hoje.

Assumir a direção da EAESP representa uma certa continuidade do desafio enfrentado na FEA?
    Tem uma idéia de continuidade, mas tem igualmente uma idéia de renovação.
São instituições parecidas que também são diferentes. Ou seja, tem uma certa continuidade, mas também tem o desafio do novo. Aí foi o lado pessoal que me pegou. A gente tem sempre que se propor novos desafios na vida. Insisto muito nisso com todos ao meu redor. Acho que se a gente pára é muito difícil depois retomar o ritmo. Ainda que esses desafios exijam mudanças significativas. A gente tem de sair da zona de conforto. E tem outra coisa que conta: se você enfrenta novos desafios você aprende e você cresce. E pode sentir que está contribuindo. É uma oportunidade de fazer alguma coisa pelo país numa fase em que o país está precisando muito.

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 1 Agosto, 2008

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