FEA inaugura Fórum de Qualidade de Vida com foco em saúde mental

Por Bruno Carbinatto

Quais são as novas demandas e desafios do ambiente acadêmico? E como enfrentá-los? As mudanças no perfil da comunidade universitária exigem iniciativas inovadoras, e a nova diretoria da FEAUSP, composta pelo Prof. Fabio Frezatti e seu vice, Prof. José Afonso Mazzon, se propôs a pensar nessas questões. No dia 27 de setembro, a diretoria inaugurou o I Fórum de Qualidade de Vida na FEA, sob curadoria da psicóloga e também docente da Faculdade, Profa. Ana Cristina Limongi-França.

O I Fórum de Qualidade de Vida serviu para introduzir a proposta de melhorar a qualidade de vida da comunidade feana — englobando docentes, discentes e funcionários —, bem como ser um primeiro canal aberto de comunicação para ouvir as demandas e sugestões presentes no ambiente acadêmico. A medida vai ao encontro à proposta central do novo diretor: incentivo ao diálogo e à interação.

Além da presença de Frezatti e da Profa Limongi, que tem longa experiência na área de bem-estar no ambiente de trabalho, foram convidados também dois professores de outras unidades da USP: o Prof. Luiz Henrique Catalani, do Instituto de Química (IQUSP), e o Prof. Henrique Gonçalvez Ribeiro, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (IPq FMUSP).

Inspirações para mudar

O professor Luiz Catalani (foto à esquerda) têm longa experiência de gestão: foi chefe de departamento por quatro anos e diretor do IQ por mais quatro. Foi nesse período que implementou diversas medidas para melhorar a qualidade de vida do Instituto, com resultados extremamente positivos e que podem inspirar a FEA a montar também seu plano de ação.

Ele explica que, desde o começo da sua gestão, havia uma tensão aparente, tanto entre diferentes categorias (funcionários, docentes e discentes) quanto pessoas do mesmo ambiente. Além disso, a demanda por um maior acolhimento aumentou e atingiu seu ápice em 2014, quando os próprios alunos passaram a exigir mais atenção à questão da saúde mental no ambiente acadêmico.

Luiz conta que uma série de medidas foram essenciais para suprir essas novas demandas: a criação de uma Comissão de Ética e Direitos Humanos, composta por membros da Congregação, foi uma delas. Com a presença de uma Ouvidoria, foi o primeiro passo para estabelecer uma maior integração na faculdade. Outras medidas foram organizar grupos de voluntários, voltados para uma maior integração entre as categorias da instituição, através de eventos, seminários e discussões, e a criação de uma Comissão de Treinamento, composta e gerida por funcionários e para funcionários.

Outro ponto essencial, diz o professor, foi não ignorar as problemáticas postas pela comunidade. As questões de gênero, como, por exemplo, o acolhimento de minorias, vieram à tona, e a Diretoria não pode minimizar a importância dessas demandas. Outro ponto importante é a questão da memória; o Instituto de Química, por exemplo, faz questão de não esquecer a atuação na ditadura militar e a história de Ana Kucinski. Kucinski foi professora do Instituto, perseguida e morta pelo regime militar, tendo sua memória por muito tempo renegada pela USP, que só recentemente admitiu seus erros.

Saúde mental é tema urgente

O professor e psiquiatra Henrique Ribeiro (foto à direita) começou sua fala lembrando que a questão da saúde mental não pode ser renegada pela Faculdade, visto os recentes casos de suicídio e doenças mentais que vêm acontecendo com universitários. Ele cita dados chocantes: 27% dos estudantes de medicina, por exemplo, são diagnosticados com depressão — o número aumenta para 29% quando se considera os residentes. Na pós-graduação o problema é ainda mais grave: 32% dos estudantes dessa classe estão sob risco de desenvolver doenças mentais.

Para o docente, a área de cuidados paliativos é essencial nessa discussão, já que ela lida diretamente com a qualidade de vida. No ambiente universitário, há uma complicação maior: a profunda verticalização da Universidade é negativa, pois dificulta o diálogo e causa adoecimento mental. Uma das saídas é a capacitação dos próprios professores, para identificar e encaminhar alunos que apresentem sintomas de saúde mental desgastada.

A questão, apesar de complexa, também passa por soluções simples: estudos mostram que as equipes com melhor saúde mental coletiva eram aquelas que tinham mais clareza e comunicação direta e horizontalizada, segurança psicológica para criticar e receber críticas e que até mesmo as expressões faciais fossem mais acolhedoras. Dessa maneira, o professor deixa um conselho para a nova diretoria da FEAUSP: começar com metas desafiadoras, sim, mas realizáveis.

Próximos passos

Com o Fórum marcando a abertura de uma nova série de medidas, a diretoria da FEA caminha para a construção conjunta de um caminho que valorize o bem-estar e a qualidade de vida de seus docentes, discentes e funcionários. Além da saúde mental, também são foco as questões do assédio moral e assédio sexual. O segundo Fórum de Qualidade de vida tem previsão de acontecer em novembro próximo e comissões compostas pelas três categorias universitárias já estão sendo formadas para discutir medidas concretas.

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 8 Outubro, 2018

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