FEA e Poli debatem o impacto da tecnologia na indústria automotiva

Autoria: Cacilda Luna

Fotos: Priscila Zambotto

 

O setor automotivo está passando por um momento de profundas mudanças, com o desenvolvimento do carro autônomo, a crescente onda global de eletrificação dos automóveis e, principalmente, a digitalização dos veículos. Tais mudanças estão balançando as estruturas da tradicional indústria automotiva e de toda a sua cadeia de suprimentos. Em decorrência disso, novos players estão surgindo e desafiando o mercado tradicional global, a exemplo das empresas Tesla, Uber, Google, Amazon e Cisco.  

A reconfiguração do setor automotivo foi debatida em um importante encontro internacional realizado entre os dias 11 e 14 de junho na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP e na Escola Politécnica. A Gerpisa, uma rede de estudos sobre a indústria automotiva, trouxe ao Brasil, pela primeira vez, estudiosos para discutir as novas fronteiras do setor automotivo no mundo. O 26º Colóquio Internacional da Gerpisa teve como tema principal “Who drives the change? New and traditional players in the global automotive sector”. 

Os trabalhos apresentados giraram em torno de cinco grandes temas de pesquisa que estruturam o atual programa internacional da Gerpisa “As novas fronteiras da indústria automotiva”. Os temas são: 1) a incorporação do automóvel em contextos sociais: novos serviços, usos, modelos de negócios e novos sistemas integrados de mobilidade; novas tecnologias: eletrificação, digitalização etc; 3) modelos e estratégias de produção, novos e tradicionais atores: entre inovação incremental e disruptiva; 4) emprego e relações de trabalho entre segmentação e convergência; e 5) políticas públicas – clusters nacionais e regionais: entre dependência / inércia de trajetória e mudança estrutural.

As boas-vindas aos participantes do encontro foram dadas pelo diretor da FEAUSP, Adalberto Fischmann (foto), pelo representante do reitor da USP Vahan Agopyan, o professor Sylvio Aciolly Canuto, do departamento de Física Geral do Instituto de Física da USP, além dos membros do comitê organizador, os professores Adriana Marotti, da FEAUSP,  Roberto Marx, da Politécnica, e Tommaso Pardi, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e da Gerpisa. Participaram, ainda, da mesa de abertura: o vice-diretor da Politécnica, Reinaldo Giudici, o professor do departamento de Engenharia de Produção da Politécnica, Fernando Laurindo, e a chefe do departamento de Bens de Capital, Mobilidade e Defesa do BNDES, Ana Cristina Costa. 

 

Roberto Marx disse que a possibilidade de interagir com pesquisadores de alto nível é de extrema importância para os estudiosos e estudantes brasileiros, especialmente em relação ao campo da indústria automotiva, onde o Brasil tem um lugar relevante no panorama global.  Marx enalteceu a iniciativa da Gerpisa em mostrar e discutir suas pesquisas em eventos e publicações, atraindo especialmente jovens pesquisadores e estudantes para participarem de suas atividades.

Já Tommaso Pardi falou sobre a importância do tema dessa edição do colóquio internacional. Segundo ele, este é o terceiro ano que o grupo discute o atual programa internacional da Gerpisa, isto é, as novas fronteiras da indústria automotiva. No primeiro colóquio, em Puebla, no México, os pesquisadores começaram a olhar para esses novos campos da indústria automotiva que emergiram após a crise como novas tendências: os carros elétricos, os veículos autônomos, as novas mobilidades, e a digitalização do carro e da produção. Hoje, eles se tornaram o ponto central dos projetos de pesquisa da Gerpisa.

Pardi acrescentou que, ao olhar para esses novos campos, no encontro do ano passado, em Paris, o grupo de estudo começou a questionar a “natureza do jogo”, em que tipo de jogo os tradicionais e novos players estão inseridos. E passou a questionar, também, quais os aspectos capazes de transformar rapidamente o setor automotivo: mudanças na estrutura da indústria, na natureza dos mercados ou no jeito como usar o carro. Este ano, o foco passou a ser os players, ou seja, quem está conduzindo as transformações no setor automotivo. Ele admitiu que essa é uma pergunta difícil de responder, mas que o objetivo das sessões plenárias era justamente encontrar a resposta.  

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 13 Junho, 2018

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