Estudo analisa presença da mulher em altos cargos corporativos

Por Bruna Arimathea

Voltado para a relação da mulher em altos cargos corporativos, o estudo “Woman in Management: Old and New Challenges” (Mulheres na Gestão: Velhos e Novos Desafios) é uma dissertação de mestrado que levou sua autora, Erika Zoeller (foto), a publicar um livro durante seus mais de sete anos de estudo na China, quando se especializou em administração pela Wuhan University of Technology. A posição de brasileiras e chinesas perante às grandes colocações na empresa foi o objeto de pesquisa da socióloga, que buscou entender quais eram os fenômenos por trás da ausência e da presença feminina nesses estágios.

O trabalho apresentado por Erika visou levantar quais são as questões da liderança feminina no mundo, em especial no Brasil e na China. Na pesquisa, Zoeller preparou um questionário para entender quais eram os pontos que tangem o desenvolvimento da carreira em relação à mesma posição ocupada por homens. Nas perguntas, estavam questionamentos como planos de carreira, estereótipos e promoções.

Como isso se dá?

Três aspectos foram especialmente trabalhados: estereótipos, barreiras e estratégias para o sucesso e a associação do líder com a figura masculina. “A questão de estereótipo de gênero é sim, ainda, forte nos negócios. Homens e mulheres reproduzem [o estereótipo] e ainda hoje as pesquisas apontam a mesma coisa. Das 14 pessoas entrevistadas, chinesas e brasileiras, só uma mencionou que tomar consciência das barreiras é uma estratégia para ser bem-sucedida no mercado de trabalho. E isso é uma coisa fundamental, você ter consciência de qual é a barreira”, apontou Zoeller.

Outra questão identificada é a relação multitarefas da mulher, que acumula muitas coisas a serem feitas. Na China, em especial, a pesquisadora ressaltou que o aspecto do papel da mulher é muito bem definido, como a pessoa que casa e pertence à família do marido, sendo responsável pela casa e pelos filhos.

Uma denominação conhecida é o conceito de Glass Ceiling (em tradução literal “teto de vidro”). Se trata de uma barreira invisível que impede, neste caso, mulheres no mercado de trabalho, apenas por serem do sexo feminino em ambientes majoritariamente masculinos, prejudicando e até mesmo impossibilitando que possam chegar a altos cargos. Um exemplo claro, segundo a pesquisadora, está na simples análise da mídia envolvida na área: em dados da Fortune, revista americana de negócios, nos 500 melhores CEOs listados no ano de 2017, apenas 32 mulheres apareciam na lista, menos de 7% do total.

Ainda, de acordo com a pesquisa da socióloga, as principais barreiras encontradas pelas mulheres para o avanço na carreira foram falta de tempo, sexismo, e pelos papéis sociais que lhes são designados, como cuidar da casa e dos filhos. Para as chinesas, esse fator está muito evidente no pensamento tradicional chinês, que, mais uma vez, torna a atuação feminina quase inflexível dentro da sociedade.

Dentro disso, a ressurgência da chamada “quatro virtudes” de uma boa mulher na China ganha força entre os homens: quieta, bonita, submissa e boa dona de casa - o ideal machista e retrógrado volta ao pensamento chinês mesmo no século 21 e as mulheres acabam sacrificando as suas carreiras pelo papel social a ser desenvolvido.

Perguntadas quais seriam as tendências para o futuro, as entrevistadas responderam que algumas das características favoráveis seriam adaptabilidade, alto talento com uma abordagem única e com mais humanidade. Mesmo com a cena pouco favorável, Zoeller apresentou que brasileiras e chinesas se articulam para quebrar esse paradigma dentro das empresas e que esperam que o mundo corporativo esteja aberto e preparado para a emergência feminina nos altos cargos de gestão.

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 22 Outubro, 2018

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