Em pesquisa inédita, ingressantes da FEA apontam suas expectativas em relação ao curso

Uma pesquisa inédita realizada pela FEAUSP, no início do ano letivo de 2019, mostra quais são as expectativas dos novos alunos em relação ao curso que ingressaram, à instituição, ao seu futuro profissional e ao seu futuro como cidadão. Dos 590 ingressantes matriculados nos quatro cursos oferecidos pela Faculdade (Economia, Administração, Contabilidade e Atuária), 328 responderam ao questionário de autopreenchimento, via internet. As questões giraram em torno do ensino, do perfil socioeconômico do aluno e do curso matriculado.  

A sondagem tem quatro objetivos principais: saber qual a expectativa do estudante ao concluir o curso; se ele ingressou no curso desejado; os motivos que o levaram a escolher essa instituição de ensino; e o que ele considera relevante para sua permanência até o final do curso. Os resultados servirão como subsídio para que a FEA estabeleça políticas e ações visando atender às expectativas dos alunos, além de adotar medidas para promover sua permanência na escola, dentro de uma filosofia de ensino de alta qualidade e eficiência.

“Queremos saber o que eles pensam e como se sentem”, afirmou o diretor da FEA, Fábio Frezatti, ao anunciar os resultados da pesquisa, ao lado do vice-diretor José Afonso Mazzon. Essa iniciativa da diretoria da Faculdade terá continuidade nos próximos anos, passando a ser uma pesquisa institucional anual. Também serão realizadas pesquisas no meio do curso e junto aos egressos. “As turmas vão mudando ao longo do tempo. Então, se as pesquisas não tiverem uma certa constância, você não consegue comparar os resultados”, disse Frezatti.

Sobre a expectativa dos ingressantes em relação ao curso, 90% dos entrevistados responderam que esperam adquirir conhecimentos, habilidades e atitudes que provoquem mudanças em suas vidas. O segundo ponto mais importante -- para 83% dos respondentes -- é estabelecer uma rede de relacionamentos ampla e amigável, que se mantenha mesmo após a faculdade. E 65% dos calouros responderam que o curso será bem-sucedido se proporcionar autonomia financeira.

Quando perguntados se ingressaram no curso desejado, 66% confirmaram que entraram no curso que realmente queriam fazer. Outros 19% afirmaram que não entraram no curso que queriam, mas que tentariam descobrir o que ele tem de bom. Os demais responderam da seguinte forma: 8% disseram que o curso não era o desejado e tentariam mudar; e 7% admitiram não saber bem o que querem em termos de curso.

Sobre a preferência pela FEA, 96% dos entrevistados atribuíram a escolha à imagem que a USP tem em termos de excelência; 92% apontaram a gratuidade como um dos fatores da escolha; 78% afirmaram ser esse o melhor curso da área; 66% reconheceram a possibilidade de ter uma formação não somente técnica, mas também carregada de uma visão social que os transforme em profissionais socialmente responsáveis; e, por último, 50% admitiram poder participar de outros cursos dentro da própria Universidade.

 

Permanência: o grande desafio

 

Um dos grandes desafios da FEA é desenvolver ações que contribuam para a permanência dos alunos até a conclusão do curso. Os resultados da pesquisa serão utilizados para balizar os gestores nesse sentido. Segundo o diretor Fabio Frezatti, é importante conhecer os alunos logo na entrada, porque é durante o 1º ano do curso que ocorre o maior índice de evasão.

Quando foram perguntados sobre o que consideram fundamental para continuarem na escola até o término da graduação, 96% dos calouros afirmaram que é a percepção de acréscimo de novos conhecimentos. “Esse é um desafio que a instituição tem de natureza metodológica. Isso exige do corpo docente a constante atualização do currículo, um uptodate do state of the art”, opinou o vice-diretor José Afonso Mazzon. 

Do total de entrevistados, 84% também admitiram que sua permanência no curso está vinculada à utilização prática, durante o próprio curso, dos conhecimentos aprendidos. Para isso, de acordo com Mazzon, é necessário entre outras coisas a Faculdade fornecer salas adequadas, laboratórios e material de ensino.

Outro fator apontado pelos calouros (81%) para se manterem no curso foi o “de se sentirem num ambiente seguro”. Nesse caso, segundo o vice-diretor, ambiente seguro refere-se não apenas a instalações físicas, infraestrutura e controle de acesso, mas também a políticas de combate a assédio sexual e moral, e apoio a problemas relacionados à saúde mental ou de natureza física.

Ter recursos financeiros para se sustentar foi o quarto fator mais importante apontado por 76% dos entrevistados para não abandonarem a faculdade. “Isso significa que o aluno precisará de dinheiro para se manter, seja proveniente da família ou através de bolsa de estudo, monitoria, projetos de iniciação científica e estágios”, admitiu o professor Mazzon. Um item apontado por 53% dos entrevistados que chamou a atenção do diretor Fabio Frezatti foi o de ter amigos na sala de aula. Ele considera um percentual muito baixo.

 

Escolha da FEA 

Ao analisar as respostas dos ingressantes sobre a opção pela FEA, o vice-diretor José Afonso Mazzon reconhece que a imagem da USP tem um peso forte nessa escolha. Esse foi o motivo apontado por 96% dos calouros. “Nesse caso, o mérito é da USP, que é vista como uma universidade de excelência”. Por outro lado, quando os alunos (78%) apontam o curso como sendo o melhor em sua área, Mazzon identifica esse mérito como sendo uma conquista exclusiva da FEA.   

O segundo elemento importante na escolha da faculdade, indicado por 92% dos entrevistados, é a gratuidade. O outro motivo importante apontado por 66% dos calouros é que a FEA fornece, além de uma formação técnica, também uma visão social. “O conhecimento técnico envolve geralmente finanças, habilidades em negociação, liderança e trabalho em grupo. No entanto, o aluno também busca na FEA uma formação social, ou seja, que o resultado do trabalho dele ajude a melhorar, em última análise, a qualidade de vida da população”, analisou Mazzon.

 

Perfil dos entrevistados

 

A maioria (73%) dos ingressantes da FEA é do sexo masculino. As mulheres representam 26% e o grupo LGBT, 1%. O fato de as mulheres representarem ¼ dos ingressantes surpreendeu o diretor Fabio Frezatti. “Do ponto de vista de participação feminina, a FEA não é uma unidade que as mulheres estejam privilegiando”, observou.

Praticamente a metade (49%) dos alunos mora na cidade de São Paulo. Os demais são oriundos da região metropolitana de São Paulo (25%), de cidades do interior paulista (15%) e de outros Estados (11%). Em relação à faixa etária, alunos com 17 anos representam 17%, 18 anos (23%), 19 anos (21%), 20 anos (9%), 21 anos (6%), 22 anos (6%), 23 anos ou mais (18%).

 

Autora: Cacilda Luna
Gente da FEA - maio/2009

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 28 Maio, 2019

Departamento:

Sugira uma notícia