Dossiê Bioma Amazônia é lançado em seminário na FEA

Por Bruno Carbinatto

 

A Amazônia é uma paisagem de relevância global, reconhecida internacionalmente como uma das mais importantes áreas florestais do mundo. Com quase sete milhões de quilômetros quadrados, a região se concentra principalmente dentro dos limites brasileiros — 60% está em nosso país — e se constitui como um desafio do ponto de vista da gestão e dos estudos acadêmicos.

Foi pensando nisso que Jacques Marcovitch, professor da FEA, e Adalberto Luís Val, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) organizaram e lançaram o Dossiê Bioma Amazônia. O material foi publicado pela Revista de Estudios Brasileños da Universidade de Salamanca, com lançamento ocorrido em Seminário no mês de março, na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP.

O conteúdo do dossiê congrega diversas áreas do conhecimento para elencar e pensar os desafios da região Amazônia, que não são poucos. Artigos, resenhas e trabalhos acadêmicos discutem meios de promover a pesquisa científica na região e difundir o conhecimento da área na Academia, em temas que vão desde história e educação à mineração e geração de energia elétrica.

Seminário

O lançamento do Dossiê contou com um Seminário, realizado na FEAUSP, nos dias 20 e 21 de março. Pesquisadores de todo o Brasil se reuniram para discutir a pesquisa na região, e os autores dos artigos e resenhas publicados tiveram a oportunidade de compartilhar os resultados de seus trabalhos.

No primeiro módulo, os pesquisadores João Meirelles Filho e Fernanda Martins, do Instituto Peabiru, apresentaram a “Amazônia Viajante” — reconstituição histórica de relatos importantes feitos por peregrinos na área, muitos dos quais são hoje reconhecidos: Oswaldo Cruz, Mário de Andrade, Levy Strauss e Curt Nimuendajú, por exemplo.

Ainda pelo viés histórico, Camila Loureiro, professora da Unicamp, analisou a região do ponto de vista dos direitos indígenas. A questão é importante porque quase 14% do território brasileiro é reservado para esses povos, e 98,5% dessas reservas estão na Amazônia — 23% do total da região. Em sua análise, Camila constata que a política pública indianista recente tem sido contrária daquelas definidas na Constituição de 1988, que reservam os direitos dos povos indígenas.

No módulo dois, foram abordados questões científicas da região. Adalberto Luiz Val, do Inpa, destacou a enorme diversidade ambiental da região, demonstrada, por exemplo, no encontro do Rio Negro com o Rio Solimões. Essa diversidade, por sua vez, resulta em uma enorme variedade biológica, que se configura como um desafio de preservação, na visão do pesquisador. Outra questão é a de construção e manutenção de hidrelétricas na Amazônia, devido aos potencial hídrico dos rios ali presentes, como explicou Philip Fearnside, também do Inpa.

A exploração de minérios também foi tema de pesquisas. O potencial da região pode ser promissor, mas, “do ponto de vista da mineração, a Amazônia ainda é desconhecida”, explicam Umberto Cordani e Caetano Juliani, do Instituto de Geociências da USP. Além disso, os pesquisadores mostraram como os “garimpos” são danosos e trazem benefícios para pouca gente, enquanto modelos de negócios mais estruturados poderiam gerar melhores resultados para a região.

No fim do módulo, Joaquim Bento, da Esalq, comentou sobre emprego e desenvolvimento na região. Ele afirmou que um modelo de negócios mais sustentável, a chamada “economia verde”, é uma grande geradora de empregos, ao contrário do que o senso comum pode pensar.

O último módulo tratou do tema “governança”. O professor Jacques Marcovitch e a pesquisadora Vanessa C. Pinsky, ambos da FEAUSP, comentaram sobre o Fundo Amazônia, projeto do BNDES para financiar o desenvolvimento da região. Além deles, João Paulo Capobianco (Instituto Democracia e Sustentabilidade) fez um balanço dos avanços e recuos da sustentabilidade na Amazônia.

Allan Michel Jales Coutinho, da FGV, explorou o desafio da educação no Estado do Amazonas. Ele assina o artigo em conjunto com Cláudia Maria Costin, também pesquisadora e ex-ministra do governo brasileiro. Por fim, a professora titular da FEA, Rosa Maria Fischer, especializada em terceiro setor, fez uma análise da Amazônia em relação a Agenda 2030, plano de metas da ONU para o desenvolvimento sustentável.

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 1 Abril, 2019

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