Docentes contam sua experiência de dar aulas no exterior

Em março de 2017, o professor Gilmar Masiero, do departamento de Administração, participou de um international seminar organizado pela francesa Kedge Business School, umas das escolas que possuem acordo de cooperação com a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Foram 30 horas lecionando para alunos do mestrado sobre “Managing Business in Latin America and East Asia”.

“O seminário internacional na Kedge Business School, no campus de Bordeaux, foi minha primeira experiência de docência no exterior em um curso regular de pós-graduação stricto sensu”, contou Masiero ao ressaltar que já teve outras experiências anteriores fora do Brasil, mas de menor duração e relacionadas a atividades de pesquisa ou extensão.

O próximo desafio do professor Gilmar Masiero em uma escola estrangeira será na Coreia do Sul, país cuja história conhece como ninguém. Além de ser coordenador do programa de estudos ProAsia, lançou em 2014 o livro “Coreia do Sul – Políticas industriais, comerciais e de investimentos”, no qual explica como o país asiático conseguiu em apenas quatro décadas se transformar de um pobre país agrário, nos anos 1950, em um dos mais ricos e industrializados no final dos anos 1980.  

Na Coreia, ele dará aulas na Chonnan National University, outra instituição que mantém acordo de cooperação com a FEAUSP e que todos os anos recruta professores estrangeiros para curto período. “Penso que qualquer experiência de intercâmbio, em qualquer área do conhecimento, aprimora não só o conhecimento, mas as habilidades e atitudes de qualquer profissional. Pode não causar mudanças radicais ou inovações disruptivas, mas certamente contribui para um aperfeiçoamento profissional e pessoal”, avaliou Masiero.

 

Mobilidade de docentes

As oportunidades para a mobilidade de docentes da FEAUSP acontecem de várias formas. Uma delas é por meio dos programas especiais das pró-reitorias de Graduação e Pós-Graduação da USP, com a concessão de auxílio financeiro para que os professores possam realizar as atividades no exterior, sejam elas de ensino, pesquisa ou extensão, tais como aulas, cursos, participação em congresso ou seminário, e visitas a instituições estrangeiras para o desenvolvimento de projetos em conjunto.

A Aucani (Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional) também oferece oportunidade para os docentes através de projetos acadêmicos internacionais.  As chamadas para a candidatura de professores são divulgadas no próprio site da Agência. A Aucani promove ações de fomento à internacionalização visando, além do aperfeiçoamento dos docentes, ampliar as relações da USP com instituições estrangeiras. Ela também oferece auxílio financeiro de caráter complementar.

 

Convênios da FEA

Além dos programas da USP de incentivo à mobilidade docente, as unidades mais dinâmicas, como a FEAUSP, têm assinado convênios com instituições estrangeiras. A maioria desses acordos contempla o intercâmbio de professores, alunos e funcionários. Segundo a CCInt (Coordenação de Cooperação Internacional), a FEAUSP possui hoje 120 convênios, dos quais  alguns abrangem o duplo diploma (graduação, mestrado e doutorado).

No caso da mobilidade docente, especificamente, a FEAUSP dispõe de convênios com algumas das mais tradicionais instituições, que oferecem oportunidade para os nossos docentes com certa frequência. É o caso da University of Illinois (Estados Unidos), a Kedge Business School (França) e a University of Groningen (Holanda). O caso do professor Gilmar Masiero é um exemplo.

Mas a mobilidade pode acontecer também por iniciativa do próprio docente, ao aproveitar oportunidades que surgem em situações casuais, como foi o caso do professor Paulo Feldmann, do departamento de Administração. Atualmente, ele é professor visitante em duas das mais importantes universidades húngaras: a Corvinus e a Pécs. 

“Em 2014, logo após o Marco Antonio Zago assumir como reitor, ele me pediu para atender o diretor do Banco Central da Hungria, em visita ao Brasil, pelo fato de eu ser descendente de húngaros. O resultado do encontro foi excelente, pois na ocasião ele contou que existia na Hungria uma lacuna de conhecimento sobre a América Latina. Coincidentemente esse era o tema do livro que eu acabara de lançar nos Estados Unidos: ‘Management in Latin America’. Foi então que ele apresentou meu nome para os dirigentes dessas duas universidades e eu passei a dar aulas lá”, contou Feldmann. 

Como fruto dessa relação com as universidades húngaras, Paulo Feldmann conseguiu intermediar um evento, realizado em setembro passado, na FEAUSP. A CCInt-FEA e a Aucani realizaram o “Explore Hungary”, um encontro que visava divulgar oportunidades de intercâmbio para estudantes brasileiros na Hungria. Cerca de 14 universidades húngaras compareceram para difundir seus programas de intercâmbio, principalmente nas áreas de “Business and Managment” e “Information Technology”.

Outra experiência no exterior vem da professora Ana Carolina de Aguiar Rodrigues, do departamento de Administração. Ela está realizando o pós-doutorado nos Estados Unidos, na Ohio State University. “Não houve nenhum programa específico da USP, nem convênio. Minha vinda foi fruto de uma parceria de pesquisa que se iniciou aqui mesmo, em uma conferência sobre comprometimento, da qual participei em 2014. Depois disso, um edital da Fapesp com foco em parcerias com a Ohio State University me aproximou do Prof. Howard Klein. Naquela ocasião, o projeto que fizemos juntos não foi aprovado, mas a experiência de trabalho conjunto foi suficiente para darmos continuidade à parceria”, relembra a docente.

Especialista em psicologia organizacional e do trabalho, Ana Carolina está conduzindo um projeto de pesquisa que envolve vínculos no trabalho e relação com a comunidade, com a coleta de dados no Brasil e EUA. No primeiro semestre deste ano, ela continuou a ministrar aulas a duas turmas de graduação da FEAUSP à distância (formato semi-presencial). 

Ana Carolina contou, ainda, que foi convidada a participar dos seminários de RH na Ohio State, realizados quinzenalmente, voltados para o compartilhamento de experiências pelos professores da área com os alunos de doutorado. “Foi uma experiência bastante diferente dos nossos modelos, já que frequentemente havia de 3 a 4 professores juntos em temas pré-selecionados sempre associados à pesquisa, como coleta e análise de dados, publicação em journals, construção de parcerias de pesquisa, preparação de defesa etc“.

 

Vantagens da mobilidade

As vantagens de se participar de qualquer tipo de intercâmbio acadêmico são inúmeras. Para o professor Gilmar Masiero, a primeira é o “desafio de ensinar em um contexto diferente do qual estamos familiarizados”. A outra, e não menos importante, é a possibilidade de “interagir com alunos que carregam outra formação técnica e cultural”. 

Na opinião do professor Paulo Feldmann, a grande vantagem é que se aprende muito, pois “as visões da academia variam muito de país para país a respeito dos mesmos assuntos”. Assim como varia a forma como essas universidades estrangeiras organizam os cursos e as disciplinas. “Como minha área é economia, acabo vendo como os húngaros resolvem certos problemas que também temos no Brasil, mas não conseguimos resolver”.

Outra vantagem, segundo Feldmann, é o contato com os professores que favorece o desenvolvimento de pesquisas em conjunto. “Acabamos conhecendo professores nos assuntos que somos especialistas e, com isso, abrem-se portas para publicações conjuntas”.

Para Ana Carolina Rodrigues, uma característica interessante de sua experiência foi poder interagir com pessoas de diferentes nacionalidades, como americanos, chineses e indianos. ”Minha fala era sempre representativa da América do Sul, e a diversidade de origens também possibilitou uma maior compreensão dos diferentes modos de fazer científico. Era uma grande oportunidade de aprendizado para os alunos, mas também para os professores”.

 

Autora: Cacilda Luna

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 13 Julho, 2018

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