Desafios em startups são pauta do terceiro dia da Oiweek SciBiz

Foto e Texto: Bruno Carbinatto

Inovação é um processo complexo, um desafio até mesmo para grandes empresas. Quando se trata de startups, então, a gestão de um ecossistema inovador e de um modelo de negócios sustentável se torna ainda mais difícil. Um bom parâmetro para entender como prosperar nesse cenário são os chamados “unicórnios” — startups que possuem avaliação de preço de mercado no valor de mais de 1 bilhão de dólares. Foi pensando nessas empresas que o terceiro dia (27/02) da Oiweek SciBiz reuniu jovens empreendedores de startups para falar de inovação, gestão e liderança.

Laura Camargo, da Gympass, contou como um modelo de negócios bastante único contribuiu para o sucesso da empresa. O Gympass é um aplicativo que dá ao usuário acesso a academias no Brasil e no mundo, com grande adesão: são 45 mil academias espalhadas pelo globo. O momento decisivo para o sucesso da startup foi, segundo Laura, a mudança de modelo de negócios: de B2C (Business to Consumer) para B2B (Business to business), ou seja, ao invés de oferecer o serviço diretamente para o consumidor final, o foco da empresa passou a ser outras empresas. Outros dois fatores importantes para a consagração como um unicórnio foram o mercado brasileiro, grande e crescente, e a relevância do problema que se pretende ajudar a resolver, o sedentarismo. “Esse tripé permite uma grande atração de investidores para a Gympass”, explica Laura sobre o modelo B2B, o potencial do mercado brasileiro e questões relacionadas à saúde.

Outro grande unicórnio bastante conhecido que marcou presença foi o Nubank — banco digital que conquistou mais de 5 milhões de usuários nos últimos anos, com burocracia reduzida e simplicidade nas cobranças. Vitor Olivier, manager da empresa, destacou alguns elementos importantes para o crescimento de startups nascentes que almejam o sucesso: “balanço de investimento nas áreas defesa, compliance, risco, e na estrutura organizacional e fluxo de informação”.

A famosa iFood também esteve na Oiweek SciBiz e contou um pouco da trajetória de sucesso. A empresa surgiu não para ser mais um serviço de delivery, mas para “revolucionar o universo da alimentação”, nas palavras de Vitor Magnani, um de seus fundadores. Ele lembrou que a plataforma é uma forma de facilitar a vida das pessoas ao atacar a falha de mercado que é a assimetria de informação, pois conecta usuários e empresas que possivelmente jamais teriam contato sem o aplicativo.

Por fim, Vinicius Dias representou o Canal da Peça, startup de vendas que ainda não é um unicórnio, mas caminha para isso. O manager fez um contraponto, apresentando um modelo de negócios distinto: “Optamos por um modelo de governança que aceita pessoas físicas investindo”, explicou, se diferenciando dos demais, que são baseados em fundos de investimentos.

Internacionalização é desafio

Mas e quando a startup quer dar um passo além e abrir negócios também no exterior? Os desafios dobram, mas não é impossível, como mostrou o painel “Internacionalização de Startups”, que contou com Douglas Almeida, da StayFilm, Tiago Ferreira, da ISystems, e Luciano Araujo, da Idea Lunchbox. Os empreendedores compartilharam suas experiências de sucesso em levar os negócios para fora do Brasil.

Todos lembraram que a demanda de internacionalizar é grande, mas que é preciso primeiro avaliar os benefícios. Aspectos fiscais, logísticos, de recursos e de mercado podem ser mais positivos em empresas internacionalizadas, dependendo, é claro, dos diferentes ecossistemas de cada país.

Mas a startup deve crescer e depois se internacionalizar ou primeiro ir para o exterior para crescer? “Depende”, na avaliação de Paula Borges Gomes Akitaya, da Apex - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. “Tem empresa que não cresce se for para fora, por isso tem que se internacionalizar logo no início”, explica ela. A Apex oferece treinamentos, cursos e outros tipos de auxílio com o objetivo de promover a internacionalização dos negócios do Brasil no mundo. Paula esclarece, no entanto, que mesmo aquelas que precisam se internacionalizar, antes devem ter “um mínimo de estrutura para enfrentar esse desafio”.

Por fim, a Embaixada da Bélgica, representada por Claudia Rolim, expôs aos presentes as oportunidades de se investir no país — um dos mais globalizados e inovadores do mundo, com grande interesse em conhecer e financiar negócios estrangeiros, incluindo os brasileiros.

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 27 Fevereiro, 2019

Departamento:

Sugira uma notícia