Conheça os três coletivos da FEA e saiba como participar

Breno Queiroz

Imagine o sentimento de quem passou na faculdade agora e vai ingressar em um mundo completamente novo: documentos para a matrícula, siglas e mais siglas de departamentos e entidades, pressão dos pais. E para tornar tudo ainda mais angustiante, imagine você fazendo parte de uma minoria na sua faculdade.

O vestibular de 2017 foi o primeiro que teve vagas reservadas (30%) a alunos egressos do ensino público, via SiSU – Sistema de Seleção Unificada. O critério racial, porém, permaneceu servindo apenas para bonificação na nota da Fuvest.

Na FEA USP a diversidade entre os alunos de graduação é um tema que vem ganhando relevância nos últimos anos, com a ação dos coletivos que discutem da questão racial e de gênero.

Renan Silva, 26 anos, aluno do 5º ano de Administração, é um dos que já sentiram o incômodo de fazer parte de uma minoria. Para ele, “estar em um ambiente feano significa estar em um ambiente branco”. Em entrevista à Carta Capital, contou quando o movimento negro da USP interrompeu sua aula de microeconomia para falar sobre cotas, intervenção que foi gravada e bastante disseminada pelas redes sociais. A partir desse episódio, Renan e outros estudantes se reuniram para conversar sobre questões raciais, dando início ao coletivo negro da FEA. Para homenagear uma das primeiras escritoras negras do Brasil, batizaram o coletivo de Carolina Maria de Jesus, que escreveu o livro Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada. Hoje, eles alimentam uma página no Facebook, fazem reuniões e promovem debates, com objetivo de fazer os estudantes negros da faculdade “se sentirem bem, estarem bem”, nas palavras de Renan.

Quem também se levantava contra injustiças era Alice Canabrava, que deixou a FFCL (atual FFLCH), em 1946, após se sentir preterida em um concurso para professor titular – um homem ficou com a vaga. Após esse episódio, ela migrou para a FCEA (atual FEA), tornando-se professora catedrática, e posteriormente diretora da unidade. É ela quem dá o nome para o coletivo feminista da FEA. 

“Não tem hierarquia, mas tem um grupo de ação, meninas que tem mais disponibilidade de realizar as pautas”, explica Monica Angelis sobre o coletivo Alice Canabrava. A jovem do 2º ano de administração ajudou na realização do evento “Desabafa Elas”, que ocorreu depois das eleições de 2018, e foi “um momento para compartilharmos nossas angústias diante dessa conjuntura, onde podemos nos expressar sem medo e encontrar apoio mútuo”, diz.

Mais antigo que o coletivo negro e o feminista é o FEA Society, que reúne pessoas LGBTQ+. Fundado em 2012, atualmente ele “funciona mais como um espaço de acolhimento”, segundo Pedro Rocha, 21 anos, estudante de administração. Em um grupo de mensagens com cerca de 50 pessoas, eles contam suas histórias e até articulam atividades com coletivos de diversidade de outras unidades, como o PoliPride.

No apoio aos coletivos está o Centro Acadêmico Visconde de Cairu. De acordo com Ana Garcia, de 19 anos, estudante de economia e atual presidente do CAVC, “como os coletivos ainda não conseguiram se estruturar ao longo dos anos, o centro acadêmico sempre foi um apoio financeiro e logístico: imprime material que eles precisam e têm muita gente que está nas duas entidades”, explica Ana.

Nas entrevistas com os membros dos coletivos, todos atestam a boa relação com a sua entidade representativa. Inclusive, para quem se sente um ponto fora da curva, o CAVC e os coletivos estão disposto a uni-los com seus eventos e reuniões periódicas.

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 22 Fevereiro, 2019

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